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Nikolas Ferreira paga no mês do Natal R$ 36 mil de indenização por danos morais em mais uma causa perdida

    Deputado mais votado de 2022 já soma mais de R$ 300 mil em condenações judiciais e pode se complicar na Câmara; veja trajetória jurídica do parlamentar mineiro e os valores desembolsados em processos de transfobia e racismo

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    A psicóloga
    A psicóloga trans ANDREONE MEDRADO / Imagem reprodução/Instagram | O deputado federal NIKOLAS FERREIRA / Imagem reprodução/SBT News

    Brasília, 25 de dezembro 2025

    O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) efetuou no dia 11 de dezembro de 2025 o pagamento de R$ 35.784,00 à psicóloga trans Andreone Medrado.

    O caso, que tramitou na Justiça de Minas Gerais, é apenas uma peça em um tabuleiro jurídico cada vez mais caro para o político, que acumula condenações por falas consideradas racistas e transfóbicas.

    O depósito judicial foi acompanhado de um pedido de arquivamento do feito, após a confirmação de que o vídeo pivô da lide já havia sido removido das redes sociais.

    Na publicação de outubro de 2023, Nikolas Ferreira utilizou a imagem de Andreone Medrado com a legenda: “Ai de você se reclamar se um negão desse aqui entrar aí no banheiro da sua filha, né? Porque aí você, meu irmão, vai gerar um problemão, vai ser o homofóbico.”

    Em 5 de novembro, antes do pagamento, Andreone Medrado escreveu em suas redes sociais:

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    Andreone Medrado

    Na última semana, a Justiça reconheceu que as falas do deputado Nikolas Ferreira contra mim – uma travesti, negra, psicóloga e docente – ultrapassaram os limites da “liberdade de expressão”.

    A condenação é uma vitória que não pertence apenas a mim: é uma reparação simbólica para toda a população negra e trans, que há décadas luta contra a violência sobre nossos corpos e identidades desobedientes da norma.

    O que está em jogo não é apenas o racismo e a transfobia contra mim, mas o modo como o discurso de ódio é usado para sustentar estruturas de poder contra toda uma população.

    Quando uma autoridade pública legitima o ataque à nossa existência, ela reforça a ideia de que alguns corpos são menos dignos de viver, de falar e de desejar.

    Essa decisão judicial afirma que juntes podemos lutar contra o Cistema, dento dele mesmo, pois nossas vozes contam e nossa presença é inegociável.

    Vitórias como esta mostram que nossa resistência nos dá caminho para prosseguir; elas nos lembram que ocupar o espaço público, denunciar a violência e exigir reparação são atos coletivos de enfrentamento.

    Agradeço pelo trabalho primoroso des advogades Mariana Serrano e Izabelle Vicente, que me representam com tanta força e carinho.

    Andreone Medrado @andreone.medrado/Instagram

    As advogadas Mariana Serrano e Izabelle Vicente destacaram que o uso de sensacionalismo para incitar ataques à militância LGBTQIA+ foi o ponto central da acusação.

    Em contrapartida, a defesa de Nikolas Ferreira, representada pelo advogado Thiago de Faria, sustenta que as declarações possuem “caráter político” e estão sob o guarda-chuva da “imunidade parlamentar”.

    O Mapa das Condenações:
    Quanto Nikolas Ferreira já pagou?

    O levantamento das ações judiciais contra o deputado revela um montante expressivo. Além do caso de Andreone Medrado, o parlamentar enfrenta derrotas definitivas e condenações em primeira instância que, somadas, ultrapassam a marca de R$ 300 mil.

    Caso / BeneficiárioMotivoValor da IndenizaçãoStatus
    Andreone MedradoTransfobia e RacismoR$ 35.784Pago
    Duda SalabertTransfobia (Pronome)R$ 30.000Trânsito em Julgado
    Dano Moral ColetivoDiscurso com peruca na CâmaraR$ 200.000Condenação (Abril/2025)
    Kim FloresOfensa em salão de belezaR$ 40.000Condenação (Nov/2025)
    TOTAL ESTIMADOR$ 305.784

    Detalhes dos casos:

    DUDA SALABERT

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    Duda Salabert

    Caso Duda Salabert:

    O caso envolvendo a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) é um dos processos mais longos enfrentados por Nikolas Ferreira, tendo sido encerrado definitivamente em junho de 2025.

    Origem do Conflito:

    O processo iniciou-se em 2020, quando ambos eram vereadores em Belo Horizonte.

    Em uma entrevista, Nikolas afirmou que se referiria a Duda apenas pelo pronome masculino, declarando: “Ele é homem.

    É isso o que está na certidão dele”.

    Decisão Final do STJ (Junho de 2025):

    No dia 11 de junho de 2025, a ministra Maria Isabel Gallotti, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), rejeitou o último recurso possível da defesa de Nikolas.

    A decisão manteve a condenação por danos morais, estabelecendo que o parlamentar violou os direitos de personalidade e a identidade de gênero da deputada.

    Valor Base:

    A condenação inicial por danos morais foi fixada em R$ 30.000,00.

    Valor Atualizado:

    Devido aos juros acumulados e correções monetárias desde o início do processo em 2020, o montante total a ser pago chegou a aproximadamente R$ 65 mil em dezembro de 2025.

    Execução da Sentença:

    Em dezembro de 2025, após o trânsito em julgado (quando não há mais possibilidade de recurso), a equipe jurídica de Duda Salabert acionou a Justiça para garantir o cumprimento imediato da sentença e o pagamento do valor total atualizado.

    O tribunal reiterou que a imunidade parlamentar não autoriza discursos que firam a dignidade humana ou promovam a transfobia, consolidando o entendimento de que o respeito à identidade de gênero é um direito fundamental.

    DUDA SALABERT / Imagem reprodução/X.

    DANO COLETIVO

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    Nikolas Ferreira usando peruca

    Dano Coletivo de R$ 200 mil: Em 29 de abril de 2025, a juíza Priscila Faria da Silva, da 12ª Vara Cível de Brasília, condenou o deputado Nikolas Ferreira ao pagamento de R$ 200 mil por dano moral coletivo.

    O Episódio: A condenação refere-se ao discurso proferido em 8 de março de 2023 (Dia Internacional da Mulher) na tribuna da Câmara dos Deputados.

    Na ocasião, o parlamentar vestiu uma peruca loira, apresentou-se como “Deputada Nikole” e afirmou que as mulheres estariam perdendo espaço para “homens que se sentem mulheres”.

    Fundação da Sentença: A magistrada entendeu que as falas configuraram discurso de ódio e extrapolaram os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar.

    A decisão destacou que a conduta descredibilizou a identidade de gênero da população transsexual e incentivou a sociedade a reproduzir o preconceito.

    Caráter Pedagógico: O valor de R$ 200 mil foi estabelecido com um propósito punitivo e educativo, levando em conta a ampla projeção nacional do deputado e seu papel como figura pública.

    Autoria da Ação: O processo foi uma ação civil pública movida pela Associação Brasileira de Famílias Homotransafetivas (ABRAFH) e outras entidades representativas da comunidade LGBTQIA+.

    Destinação do Valor: Por tratar-se de dano moral coletivo, a indenização não é paga a uma pessoa específica, mas destinada a fundos de defesa de direitos difusos ou projetos de combate à transfobia.

    Em sua defesa, o deputado alegou que o discurso era uma crítica à “ideologia de gênero” e que estaria protegido pela imunidade parlamentar, mas o argumento foi rejeitado na esfera cível.

    NIKOLAS FERREIRA / Imagem reprodução/TV Câmara.

    KIM FLORES

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    Kim Flores

    Kim Flores: Em novembro de 2025, o deputado foi condenado a pagar mais R$ 40 mil à mulher trans Kim Flores, influenciadora que teve seu vídeo de denúncia contra um salão de beleza ridicularizado por Nikolas Ferreira, que comentou: “ela se considera mulher, mas ela é um homem”.

    O Episódio: Em setembro de 2022, Kim Flores publicou um vídeo denunciando ter sofrido preconceito em um salão de beleza.

    A Ofensa: Nikolas Ferreira (na época vereador) compartilhou o vídeo de Kim em suas redes sociais e afirmou publicamente que ela “é um homem”, apesar de ela se identificar como mulher.

    A Condenação: o juiz André Augusto Salvador Bezerra, da 42ª Vara Cível de São Paulo, condenou o deputado ao pagamento de R$ 40 mil por danos morais.

    Fundação: O magistrado entendeu que o parlamentar utilizou sua influência para “ridicularizar a luta pela igualdade” e legitimar condutas discriminatórias, o que configura um incentivo para que outros estabelecimentos também discriminem pessoas transgênero.

    Após a decisão, o deputado manifestou-se nas redes sociais alegando que foi punido por “falar verdades” e que a sentença seria um exemplo de perseguição política.

    Por ser uma decisão de primeira instância, ainda cabe recurso.

    KIM FLORES/Imagem reprodução/Instagram.

    Consequências Políticas e Jurídicas

    Apesar das sucessivas derrotas no âmbito cível, Nikolas Ferreira mantém sua base de apoio engajada, frequentemente utilizando as condenações para reforçar o discurso de “perseguição”. No entanto, o acúmulo de sentenças por transfobia e racismo pode complicar seu futuro político junto ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, onde o decoro parlamentar é constantemente questionado por opositores.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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    1 comentário em “Nikolas Ferreira paga no mês do Natal R$ 36 mil de indenização por danos morais em mais uma causa perdida”

    1. Que esse “bostinha” direitista, racista, homofóbico, preconceituoso………… não se reeleja nas próximas eleições. Minas não precisa dele para absolutamente nada.

    Os comentários estão fechados.

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