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Conceição Evaristo é a primeira mulher negra a assumir uma cadeira na Academia Mineira de Letras

    Ficcionista e poeta mineira,  um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea, em todo o mundo – traduzida em seis idiomas -, ocupará a cadeira de Nº 40‘, diz o banner da Academia Mineira de Letras sobre Conceição Evaristo, eleita em 15 de fevereiro | Imagens reprodução AML

    Autora que recebeu o prêmio Jabuti, Conceição merece todo nosso aplauso e orgulho. Viva a representatividade! Viva a cultura brasileira!“, diz Gleisi Hoffmann

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    Conceição Evaristo se tornou a primeira mulher negra a ingressar na Academia Mineira de Letras. A escritora passa a ocupar a cadeira 40, deixada pela ensaísta, romancista e poeta Maria José de Queiroz, que morreu em novembro de 2023. A cerimônia aconteceu na sexta-feira (8/3), em pleno ‘Dia Internacional da Mulher‘.

    Nas redes sociais, a deputada federal e Presidente do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, saudou a chegada de Evaristo à Casa fundada na cidade de Juiz de Fora, em 1909, por um grupo de pioneiros ligados à literatura e a cultura, onde pontificavam jornalistas, escritores, profissionais liberais, homens públicos e conceituados militantes da cátedra e dos tribunais:

    Muito bom ver a escritora e professora Conceição Evaristo como a primeira mulher negra a assumir uma cadeira na Academia Mineira de Letras. Autora que recebeu o prêmio Jabuti, Conceição merece todo nosso aplauso e orgulho. Viva a representatividade! Viva a cultura brasileira!“, escreveu Gleisi em suas redes sociais, na manhã deste domingo (10/3).

    De acordo com o portal da AML, Conceição Evaristo foi eleita no mês passado, em uma quinta-feira (15/2) e ocupará a “cadeira de nº 40“. Leia a matéria sobre a escritora transcrita da ‘Academia Mineira de Letras‘:

    Conceição Evaristo – ficcionista,  poeta mineira e um dos nomes mais importantes da literatura brasileira contemporânea, com traduções para o inglês, francês, espanhol, árabe, italiano e eslovaco.

    Segundo a comissão de apuração, formada pelos acadêmicos Antonieta Cunha, J. D. Vital e Luis Giffoni, a escritora disputou a cadeira de Nº 40 com outros 5 candidatos e foi eleita com 30 votos, entre 34 votantes. A cadeira de nº 40 foi fundada por Pinto de Moura e tem como patrono Visconde de Caeté. Já foi ocupada por Affonso Penna Júnior e, depois, pela professora doutora, ensaísta, romancista, poeta e crítica literária Maria José de Queiroz, falecida em novembro do ano passado.

    “A chegada de Conceição Evaristo à Academia Mineira de Letras, a par do reconhecimento de sua trajetória como professora, romancista e poeta, com justiça celebrada no Brasil e no exterior, tem também o sentido de impregnar esta casa com suas qualidades e história de vida, essa prática da literatura por ela denominada escrevivência. Uma vivência, aliás, profundamente marcada por Minas e por Belo Horizonte”, dá as boas-vindas o presidente da Academia Mineira de Letras, Jacyntho Lins Brandão.

    Ainda sobre Conceição, a acadêmica Maria Esther Maciel, acrescenta: “Uma das escritoras mais notáveis da literatura brasileira contemporânea e poderosa representante das mulheres negras em nosso país, Conceição Evaristo vem trazer para a Academia Mineira de Letras a força da negritude, da diversidade e dos saberes afro-brasileiros. Sua eleição é um grande acontecimento literário e político-cultural para Minas e o Brasil”.

    Sobre a nova acadêmica Conceição Evaristo

    Nascida na favela do Pindura Saia, na Região Centro-sul da capital mineira, a escritora belo-horizontina Maria da Conceição Evaristo de Brito ocupará a cadeira de número 40, vaga desde a morte da professora Maria José de Queiroz.

    Ficcionista e ensaísta, a escritora teve sua primeira publicação lançada em 1990 na série Cadernos Negros, antologia coordenada pelo grupo Quilombhoje, coletivo de escritores afro-brasileiros de São Paulo.

    Suas primeiras obras individuais, Ponciá Vicêncio (2003) e Becos da Memória (2006) foram publicadas pela Mazza Edições; sendo seguidas por Poemas da Recordação e outros movimentos (2008) e Insubmissas lágrimas de mulheres (2011), ambos pela Editora Nandyala; as duas, editoras mineiras sediadas em BH.

    As obras anteriores foram reeditadas, e até o momento, Conceição Evaristo, além da participação em várias antologias nacionais e estrangeiras tem as seguintes obras publicadas: Ponciá Vicêncio (Pallas); Becos da Memória (Pallas); Poemas da Recordação e Outros movimentos (Malê); Insubmissas Lágrimas de Mulheres: contos (Malê); Olhos d’água (Pallas); História de Leves Enganos e Parecenças (Malê).

    As obras mais recentes são Canção para Ninar Menino Grande (Pallas) e Macabéa: flor de Mulungu (Oficina Raquel).

    A escritora participa das antologias Cadernos Negros (Quilombhoje, 1990); Schwarze prosa e Schwarze poesie, (Alemanha, 1993); Moving beyond boundaries: international dimension of black women’s writing (1995); Women righting – Afro-brazilian Women’s Short Fiction, (Inglaterra, 2005); Finally Us: contemporary black brazilian women writers (1995); Fourteen female voices from Brazil, (Estados Unidos, 2002); Chimurenga People (África do Sul, 2007), Callaloo, vols 18 e 30 (1995, 2008), entre outras.

    Sua produção é constituída de poemas, contos, romances e ensaios, em grande parte está traduzida para o inglês, francês, árabe, espanhol, eslovaco e italiano.

    Em 2015, recebeu o Prêmio Jabuti na categoria contos e crônicas pelo livro Olhos D’água. Em 2017 recebeu o Prêmio Cláudia na categoria Cultura; já em 2018, o Prêmio Revista Bravo na categoria Destaque, o Prêmio do Governo de Minas Gerais pelo conjunto de sua obra, o Prêmio Nicolás Guillén de Literatura pela Caribbean Philosophical Association e o Prêmio Mestre das Periferias pelo Instituto Maria e João Aleixo.

    Em 2019, foi a grande homenageada do 61° Prêmio Jabuti como personalidade literária. Em 2023, foi agraciada com o Prêmio Juca Pato como Intelectual do Ano e laureada com o prêmio Elo no Festival Internacional das Artes de Língua Portuguesa.

    Com a palavra, Conceição Evaristo:

    Estar aqui faz com que eu traga a história de outras mulheres que foram impedidas de estar aqui. Mas, ao mesmo tempo, eu não me iludo e eu quero chamar a atenção sobre isso. Eu sou exceção e uma exceção confirma a regra. Então, alguma coisa há pra se arrumar na sociedade brasileira, para que não seja mais uma exceção uma mulher negra chegar na Academia Mineira de Letras, ou em outras academias, ou em outros espaços de poder“, afirmou, de acordo com transcrição no ‘g1‘.

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