Dado o pontapé inicial, projeto liderado pela Aeromot promete gerar até 1,5 mil empregos diretos e indiretos, além de fomentar pesquisa em aviação sustentável, incluindo o desenvolvimento de aeronaves movidas a etanol
Porto Alegre, 25 de outubro 2025
Em um evento que reuniu autoridades estaduais, municipais e executivos do setor aeronáutico, Guaíba, na Região Metropolitana de Porto Alegre, deu o pontapé inicial para se tornar um polo de inovação e produção de aviões no Brasil.
Na quinta-feira (23/out) – Dia do Aviador –, foi lançada a pedra fundamental do AeroCITI (Aerocentro Integrado de Tecnologia e Inovação), um ambicioso complexo industrial com investimentos previstos de R$ 3 bilhões ao longo de 10 anos.
O projeto, liderado pela Aeromot, promete gerar até 1,5 mil empregos diretos e indiretos, além de fomentar pesquisa em aviação sustentável, incluindo o desenvolvimento de aeronaves movidas a etanol.
O anúncio, embora impulsionado por parcerias público-privadas e incentivos fiscais estaduais e municipais, não foi formalmente divulgado pelo governo federal em canais oficiais como comunicados do Ministério da Infraestrutura ou da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
A prefeitura de Guaíba negocia com o governo Lula aporte de R$ 300 milhões para expandir a pista de pouso do complexo, visando transformá-la em alternativa ao Aeroporto Salgado Filho em emergências.
Os sites da Presidência da República e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) ainda revelam menções diretas ao projeto até o momento, pois essa articulação federal ainda está em fase inicial, sem anúncio oficial.
De Terreno Fantasma a “Aerotrópole” Sustentável
O terreno de 540 hectares no Distrito Industrial de Guaíba carrega uma história de promessas não cumpridas: na década de 1990, era o local pretendido para uma fábrica da Ford, que nunca se materializou.
Anos depois, o espaço flertou com projetos de presídios e outras indústrias, mas acabou “enterrando o sapo” – gíria local para oportunidades perdidas.
Agora, o AeroCITI surge como redenção: um conceito de “aerotrópole”, integrando perímetro urbano e aéreo, com ênfase em descarbonização e mobilidade.
A primeira fase, orçada em R$ 1 bilhão e prevista para os próximos cinco a seis anos, inclui a construção da Fábrica Diamond do Brasil, em parceria com a austro-canadense Diamond Aircraft. Lá, serão produzidos até 50 aeronaves por ano do modelo DA-62, um bimotor de sete lugares equipado com tecnologias de aviação comercial, voltado para voos curtos.
A produção deve iniciar em 2027, reduzindo o prazo de entrega de 27 meses para nove, e abranger exportações para a América Latina e componentes para fábricas globais da Diamond.
A Aeromot, que já importa mais de 100 unidades do modelo, atuará como representante exclusiva no Brasil desde 2016.
Além da fábrica, o complexo contemplará:
🚩Pista de pouso de 1.800 metros, com potencial para expansão a 2,3 km, funcionando como hub regional e backup para o Salgado Filho;
🚩Hub de inovação e centros de pesquisa, focados em desenvolvimento de aeronaves como o AMT-X, primeira do mundo movida a etanol;
🚩Centros de logística e manutenção, para helicópteros da Leonardo e serviços multimarcas;
🚩Infraestrutura complementar, como heliporto, museu a céu aberto, praça e programas de formação profissional em parceria com universidades.
O investimento total de R$ 3 bilhões será dividido: R$ 1 bilhão da AeroCITI e o restante de parceiras, com apoio de leis estaduais para doação de terreno e incentivos fiscais municipais.
As obras civis começam em 6 de novembro, após a liberação da licença de instalação pela Fepam em março deste ano – um processo acelerado, apesar das enchentes de 2024 que demandaram readequações hidráulicas.
Vozes do Projeto: “Não é Só Fábrica, É Inovação”
O governador Eduardo Leite (PSDB), presente na cerimônia, exaltou o potencial transformador: “Não é apenas um lugar para fabricação de aviões. Vamos ter pesquisa e desenvolvimento, movimentando a economia com empregos de ponta em tecnologia, salários altos e consolidando o RS como destaque em inovação.”
O prefeito Marcelo Maranata (PTB) destacou a logística privilegiada da região, acessível via catamarã ao centro de Porto Alegre, e o empenho local para evitar que a oportunidade escapasse: “Investimos R$ 12 milhões em infraestrutura viária e R$ 70 milhões na revitalização da orla, atraindo mais investidores.”
Guilherme Cunha, CEO da Aeromot, enfatizou a escala: “O AeroCITI representa uma mudança na aviação brasileira. Já temos demanda para quatro anos de produção, e o foco em sustentabilidade nos posiciona globalmente.”
Cristiane Cunha, COO da empresa, acrescentou o impacto pós-enchentes: “Reestruturamos o projeto para mitigar riscos, com estudos idênticos aos do IPH-UFRGS.”
Impactos Econômicos e Desafios pela Frente
Analistas preveem que o complexo injete vitalidade na economia gaúcha, um dos principais investimentos privados no RS para a década.
Com 700 empregos diretos na fase inicial, o projeto alinha-se à agenda nacional de inovação, mas depende de aprovações federais para voos comerciais.
Críticos apontam riscos ambientais – o terreno alagou nas cheias recentes – e a necessidade de qualificação local para mão de obra especializada.
Enquanto o governo federal observa de longe, o RS avança. Guaíba, outrora conhecida pela celulose da CMPC, pode se tornar a “cidade dos aviões”.
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