Cientista que “traduz” a notícia política mostra que o dono da Jovem Pan, ao demitir sua equipe, foi “bolsonarista para ganhar dinheiro”
“Fui bolsonarista para ganhar dinheiro. Era um nicho de mercado, pegar a grana dos fascistas. Como o governo fascista perdeu, tenho de mandar a equipe fascista embora. Meu bolso é o mesmo, mas a fila andou. Pra continuar a faturar, tenho de mudar a linha editorial“.
De acordo com o historiador e cientista político Christian Lynch, as declarações acima, que não ocorreram, seriam a essência do pensamento do dono do grupo Jovem Pan, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha, ao demitir sua equipe jornalística que apoiava Bolsonaro.
Em sua bio no Twitter, Lynch, que é também editor da Revista Insight Inteligência, além de colunista do Canal Meio, se descreve como “apertador da tecla SAP que “traduz” as notícias políticas“.
A notícia seria a do jornal Folha de S. Paulo ao mostrar que, segundo o texto da matéria, Tutinha teria dito, em reuniões internas da emissora de rádio e TV, referindo-se aos bloqueios nas estradas por bolsonaristas insatisfeitos com a eleição de LULA, que “a desobediência civil não sairá” de seu “bolso“.
A Jovem Pan corria o risco de sofrer penalidades, caso seus comentaristas, como Augusto Nunes, Guilherme Fiúza, e Caio Coppolla, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), e contrários ao presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), continuassem fazendo acusações ao petista, em descumprimento de decisões judiciais.
O Tribunal Superior Eleitoral determinou que a empresa se abstenha de promover inserções e manifestações que digam que LULA mente a respeito de ter sido inocentado pela Justiça, com multa fixa de R$ 25 mil a cada infração. Além disso, concedeu três direitos de resposta ao agora Presidente Eleito.
Em editorial, a Jovem Pan disse ter sido censurada.
Dias depois, o jornalista Augusto Nunes dirigiu ofensas a Lula relacionadas à decisão judicial, como “ladrão“, “ex-presidiário” e “descondenado“, que poderiam implicar punições mais pesadas à empresa. Ele foi então afastado e dispensado da Jovem Pan. Os outros deixaram a emissora nos dias seguintes.
Antes do resultado das eleições, Tutinha já dizia a pessoas próximas que o cenário já seria ruim para a Jovem Pan com eventual vitória de Bolsonaro, pois o rigor do STF com o grupo poderia aumentar. Em caso de triunfo de Lula, que foi o que ocorreu, a situação seria ainda pior.

A JOVEM PAN deixou de ser uma rádio, se transformou num quartel-general divulgador de ódio , mentiras e ofensas. Espero que volte a ser um veículo de mídia, e não mais o porta-voz dos boçaisnazistas.
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