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Comissão da Câmara ‘engaveta’ auditoria em cartão corporativo de Bolsonaro, que chega a R$ 14 milhões


    Aliado do Planalto, deputado Léo Motta se autonomeou relator do pedido de pente-fino


    Do Estadão – A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados mantém na gaveta há quase dois meses um pedido de auditoria nos gastos com cartão corporativo da Presidência da República. A comissão é presidida por Léo Motta (PSL-MG), deputado aliado do presidente Jair Bolsonaro. O parlamentar é acusado por opositores de “engavetar” o pedido após se autonomear relator do requerimento.

    Jair Bolsonaro
    Segundo dados do Portal da Transparência do Governo Federal, a Presidência desembolsou, na gestão de Jair Bolsonaro, R$ 14,5 milhões com cartões corporativos Foto: Adriano Machado / Reuters

    O pedido partiu do primeiro vice-líder do PSB na Câmara, deputado Elias Vaz (PSB-GO). Segundo ele, ao se nomear relator, Motta atendeu a um pedido do Palácio do Planalto para que a tentativa de se fazer um pente-fino nos gastos do presidente não avance. “Ele é fiel ao presidente, então se nomeou relator e não colocou sequer o requerimento para a comissão apreciar. A estratégia dele é engavetar”, afirmou Vaz. A última movimentação do pedido foi justamente a definição de Motta como relator, ocorrida em 6 de novembro.  

    Caso o pedido fosse aprovado, não caberia aos deputados, mas ao Tribunal de Contas da União (TCU) realizar a auditoria nos cartões corporativos. “Queremos saber por que o Planalto está querendo sigilo em gastos de R$ 14 milhões da Presidência? Pode até ter sigilo em algo que pode interferir na questão da segurança, mas o presidente está colocando sigilo em tudo. Esse valor que ele gastou até agora, a maior parte não podia estar em sigilo. Isso é contra tudo aquilo que o presidente pregou. Está sendo extremamente incoerente”, argumentou Vaz.

    Como revelou o Estado, o Palácio do Planalto decidiu ignorar decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) e manter sob sigilo os gastos com cartão corporativo da Presidência. Desde 1967, um decreto militar ampara a decisão de não divulgar as despesas. Há um mês, no entanto, o STF derrubou o artigo 86 do decreto-lei 200/67, segundo o qual a movimentação dos créditos destinados à realização de despesas reservadas ou confidenciais do presidente ou de ministro deveria ser feita sigilosamente.


    O governo foi notificado em novembro sobre a mudança, mas não alterou o seu procedimento. Um mês após a decisão do Supremo, provocada por uma ação do partido Cidadania (ex-PPS), a Secretaria-Geral da Presidência continua mantendo os gastos presidenciais em sigilo e disse que não pretende torná-los públicos.

    Segundo dados do Portal da Transparência do Governo Federal, a Presidência desembolsou, na gestão de Jair Bolsonaro, R$ 14,5 milhões com cartões corporativos. Para justificar a preservação do sigilo, o governo informou que lança mão de outra legislação, a Lei de Acesso à Informação (LAI), de 19 de novembro de 2011. Um dos trechos da LAI diz que, por questão de segurança, alguns gastos de ministros de Estado e de presidente e vice podem ser colocados em sigilo. A lei, no entanto, não é clara quanto a quais tipos de gastos podem ser colocados em segredo.

    Vaz lembra que o presidente da República chegou a prometer que iria disponibilizar os gastos do cartão à imprensa. “Mas não disponibilizou. Disse que ia abrir por conta própria, não abriu. O STF manda abrir e ele não abre. É aquele ditado: ‘Quem não deve, não teme’. Se ele prima pelo princípio da moralidade pública, se não tem nada de errado com o cartão corporativo dele, que deixe a gente investigar”.

    O Palácio do Planalto e o deputado Léo Motta foram procurados, mas não se manifestaram até a publicação desta notícia.

    Compras sigilosas

    A Comissão de Fiscalização da Câmara tem como função principal o acompanhamento e a fiscalização das contas públicas. Para isso, pode pedir informações, relatórios, balanços e inspeções sobre despesas de órgãos e entidades da administração federal.

    O deputado do PSB afirmou que pediu a devassa nos cartões corporativos da Presidência depois que os parlamentares constataram que, somente no primeiro semestre de 2019, foram gastos R$ 5,8 milhões. O valor, segundo Vaz, foi 15% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior, na gestão Michel Temer.

    No requerimento apresentado em outubro, é solicitado que a comissão “realize ato de fiscalização e controle, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, na Presidência da República, no que concerne às despesas efetuadas com o Cartão Corporativo”. Na avaliação do vice-líder do PSB, já há precedentes no Supremo para que o Planalto seja obrigado a revelar pelo menos parte dos gastos com cartões.

    Vaz explica que a Lei da Transparência permite que apenas notas fiscais e detalhes de gastos que ofereçam risco (como endereços de locais de compras frequentes) à vida do presidente podem ser colocados em sigilo.

    “O Planalto põe em segredo muitos gastos que não têm necessidade de ter. O que espanta é que o presidente Bolsonaro sempre foi um crítico a isso, sempre criticou esse tipo de conduta, e agora está tomando o mesmo comportamento. Não quer dar publicidade a uma questão que o povo tem direito de saber”, disse.

    5 comentários em “Comissão da Câmara ‘engaveta’ auditoria em cartão corporativo de Bolsonaro, que chega a R$ 14 milhões”

    1. “Foi Deus quem quis assim!” “Não toqueis no ungido do Senhor!” Agora, tudo pode, até o que não se deve.

    2. Pingback: Comissão da Câmara ‘engaveta’ auditoria em cartão corporativo de Bolsonaro, que chega a R$ 14 milhões — | Gustavo Horta

    3. Magda ferreira santos

      AGORA QUEM DESCONHECE OS GASTOS PAGOS POR NÓS DEVERIAM ASSUMIR PARTICULARMENTE SEU PAGAMENTO!!
      CAFAJESTES POR IGUAL!!

    4. Magda ferreira santos

      ENQUANTO ISSO CONTINUAMOS FINANCIANDO AS LOUCURAS, AS MALDADES, OS ASSASSINATOS E A MILICIANADA TODA, MAS SALÁRIO, SAÚDE ISSO NÃO PRECISA DESDE QUE CONTINUE SE TRATANDO NOS MELHORES HOSPITAIS E COM OS MELHORES MÉDICOS!!

    5. Socorro Araújo

      Quando é ele quem pratica ato ilícito, nesse momento passa a ser lícito, esse o presidente dos Bolsominions, que o defendem com unhas e dentes, ou melhor, com cascos e dentões.

    Os comentários estão fechados.

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