“Com minoria radicalizada e armada” Bolsonaro tentará golpe em 2022, diz jornalista

19/07/2021 0 Por Redação Urbs Magna
“Com minoria radicalizada e armada” Bolsonaro tentará golpe em 2022, diz jornalista

O presidente “continuará a repetir que só perde se as urnas forem fraudadas”, escreve Bernardo Mello Franco. “O capitão sabe que não precisa de maioria para promover uma baderna”

O bolsonarismo serviu um aperitivo do plano para tumultuar a eleição de 2022. A tropa do governo tentou mudar a Constituição e torrar R$ 2 bilhões para ressuscitar o voto impresso. Ao constatar que seria derrotada, rasgou o regimento da Câmara e melou a votação.

A emenda do voto impresso é examinada por uma comissão especial. O presidente e o relator da proposta são bolsonaristas de carteirinha. Os dois se elegeram com apoio de movimentos de ultradireita do Paraná. São investigados por ataques à democracia e disseminação de fake news.

Até meados de junho, o governo controlava 23 das 34 cadeiras da comissão. O cenário começou a mudar quando Jair Bolsonaro radicalizou as ameaças de golpe e a cúpula das Forças Armadas atacou a CPI da Covid.

Assustados com a escalada autoritária, dirigentes de 11 partidos montaram um cordão sanitário em defesa do sistema eleitoral. O movimento acabou com o domínio bolsonarista na comissão. A emenda do voto impresso seria derrotada na sexta, mas os governistas viraram a mesa.

O presidente da comissão, Paulo Eduardo Martins, inventou um novo prazo para o relator alterar a proposta. A oposição protestou, mas ele desligou os microfones do plenário e declarou que a sessão estava encerrada.

A transmissão da TV Câmara terminou com um grito de “picareta”. A manobra também foi chamada de “banditismo” e “molecagem”. Antes do fim abrupto, o sinal da sessão foi interrompido ao menos três vezes. Martins culpou uma invasão de hackers, mas não convenceu ninguém.

Com o adiamento, a votação ficou para agosto. O governo tentará usar o tempo extra para pressionar deputados e estimular novas manifestações golpistas.

A cruzada contra o sistema eleitoral não deve se esgotar com a provável rejeição da emenda. Bolsonaro continuará a repetir que só perde se as urnas forem fraudadas. O capitão sabe que não precisa de maioria para promover uma baderna em 2022. Basta contar com uma minoria radicalizada e armada. Se possível, com a cumplicidade de generais.

O Globo

Pai e mãe

Em maio passado, o Brasil ouviu de Bolsonaro que o voto impresso tinha a paternidade e maternidade de Arthur Lira e Bia Kicis respectivamente.

O voto impresso tem nome, né? Mãe é a deputada Bia Kicis, lá de Brasília; pai é o Arthur Lira, que instalou a comissão no dia de ontem. Parabéns, Arthur”, elogiou Bolsonaro.


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