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Com medo da prisão, Bolsonaro diz que errou ao dizer ‘caguei pra prisão’, Carlos chora e Michelle ora ao ‘Supremo’

    Para o clã da antipolítica, ex-presidente voltará ao poder em 2026, apesar das acusações e denúncia encaminhada ao STF por tentativa de golpe de Estado, cujas penas somam 50 anos de prisão – SAIBA MAIS

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    O ex-presidente inelegível até 2030, três vezes indiciado pela PF (Polícia Federal) e recém denunciado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) por tentativa de golpe de Estado, Jair Bolsonaro (PL), afirmou, nesta sexta-feira (21/fev) que exagerou durante participação no 1º Seminário Nacional de Comunicação do PL, no dia anterior, onde afirmou “caguei para a prisão“, pena que pode decorrer após eventual julgamento pela Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal), ainda neste ano.

    “Ontem eu exagerei aqui um pouquinho. Falei que estava… assim… para uma possível prisão. Exagerei um pouco. Mas você, de vez em quando, dá uns coice por aí para mostrar que somos de carne e osso. E a verdade vem nesses momentos. Como eu disse ontem, podia muito bem estar do outro lado, mas o lado de vocês não tem preço“, disse, conforme transcreveu a Folha de S. Paulo, no encerramento do evento, que contou com a presença de parlamentares, prefeitos, vereadores e influenciadores de seu partido.

    O pior presidente que o Brasil já teve, segundo o Datafolha de dezembro de 2022, criticou o ministro Alexandre de Moraes, sem citá-lo nominalmente, atribuindo-lhe o objetivo de tirá-lo da eleição de 2026: “Não existe nada, sequer uma mensagem de zap, nada. Aquilo surpreendeu todos vocês, inclusive. Mas eles querem aqui… Vocês sabem quem é, ele. ‘Tirei o cara de combate, vamos acabar com a possibilidade de retornar’. Eleição sem oposição é negação da democracia. Não tenho medo nenhum de enfrentar esses caras nas urnas. Zero“, afirmou.

    Agora, além de inelegível até 2030 e acusado de ser o líder do golpe contra o Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que o tornou o primeiro chefe de Executivo federal a não conseguir se reeleger para o cargo, Bolsonaro pode pegar até 50 anos de prisão, mas segue dizendo que será candidato no próximo pleito presidencial, sendo ajudado pela estratégia da imprensa de manter o debate político equilibrado através de uma aparente “normalização”, a qual também pode ser vista como uma tentativa de garantir audiência, dada a polarização que o denunciado gera.

    A ideia de que os “jornalões“, como O Globo, Folha e, principalmente, o Estadão estariam normalizando Bolsonaro para ajudá-lo contra Lula em 2026 é uma interpretação que reflete a percepção de parte da sociedade sobre seu papel na política e ocorre especialmente porque tais canais de comunicação deram cobertura acima da média e até mesmo sensacionalista, desproporcional e tendenciosa, durante a prisão sem provas contra o petista.

    A “caçada” a Lula impactou seriamente na opinião pública influenciando a percepção de muitos brasileiros sobre o mais longevo Presidente a ocupar o Planalto, desde a redemocratização. Tudo isso levantou questões sobre o papel da mídia em garantir um julgamento justo e imparcial. A narrativa da imprensa criminalizava o torneiro mecânico que ascendeu ao poder antes que todas as evidências fossem devidamente avaliadas.

    E foi por conta da mídia brasileira que Bolsonaro se tornou um “presidente acidental“, conforme definiu o jornalista Ricardo Noblat. A conferir pelas campanhas do ex-presidente, sempre carentes de projetos para o Brasil, diferentemente dos governos do PT (Partido dos Trabalhadores), marcados pela redução da pobreza e desigualdade devido a programas sociais como o Bolsa Família, o aumento real do salário mínimo, acarretando no crescimento econômico e inclusão.

    Nas primeiras gestões de Lula, o Brasil experimentou um impulsionamento da Economia graças ao boom das commodities no mercado internacional, bem como a expansão do crédito e aumento do consumo interno, com maior inclusão de classes no mercado de consumo. Além disso, ocorreu amplo acesso à Educação, com programas como o ProUni e o FIES facilitando a ponte para o ensino superior a milhões de brasileiros. Também ocorreu grande expansão de universidades federais e institutos técnicos. Veio então a fama e reconhecimento internacional: o Brasil iniciou uma política externa ativa, participando de fóruns internacionais como o G20 e os BRICS. Lula foi responsável por esse reconhecimento, bem como foi visto como um líder global.

    Devido ao sucesso e à longa permanência do PT no poder, foi iniciado o golpe contra o maior partido de esquerda da América Latina, durante a gestão de Dilma Rousseff, quando muitos analistas políticos viram o enfrentamento de uma recessão econômica causada por um boicote do Congresso Nacional ao governo, afetando especialmente as contas públicas. Desde então, a direita e a extrema direita lançam suas críticas no intuito de gerar polarização, mesmo quando está tudo bem e apesar de escândalos como o Mensalão e a Lava Jato, que também foram interpretados por muitos juristas como ‘lawfare‘, parte de uma trama jurídica, midiática e política para a derrubada dos governos petistas.

    Michelle Bolsonaro

    Bolsonaro foi declarado inelegível pelo período de 8 anos, pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 2023. Mas o ex-presidente insiste que será candidato em 2026, e mais como forma de manter seu capital político em momento de fragilidade.

    Mais cedo, ao deixar o evento do partido, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro evitou responder diretamente se teme a prisão de seu marido, ao ser questionada por jornalistas, preferindo lançar uma ironia: “Só o supremo poderoso que poderá dizer“, afirmou, em referência a Deus, mas usando um trocadilho com o STF, conforme interpretou a Folha. Ela também, em seu discurso, se queixou de perseguições ao seu marido e chamou-o de “ex e futuro presidente“.

    O choro de Carlos Bolsonaro

    O vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente da República, afirmou que o Brasil “não vive mais uma democracia” e chamou de desumano o momento que vem sendo enfrentado por sua família. Carlos chorou, em mais de um momento, durante a sua fala. Logo no começo, ao falar que entrou na política por causa de seu pai, a quem chama de “velho“. Depois, ao falar do momento delicado que vive e que não deseja isso para ninguém.

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