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Com Glauber debilitado ou morto, ele vira herói e a Câmara vai pro beleléu, diz jornalista sobre a greve de fome

    Hildegard Angel prevê possibilidade de “cassação geral e convocação de nova eleição” – SAIBA MAIS

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    Brasília, 10 de abril de 2025

    Após o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) anunciar no X, nesta quinta-feira (10/abr), que está há mais de 30 horas ingerindo apenas líquidos, em uma greve de fome no plenário da Câmara dos Deputados, a jornalista Hildegard Angel reagiu em um comentário que foi além de simplesmente um apoio ao parlamentar.

    Segundo Angel, o protesto do psolista pode desestabilizar a casa legislativa da câmara baixa do Congresso Nacional, e tudo ir para o “beleléu“.

    A decisão de Glauber é classificada por ele como uma “tática radical”, em resposta direta à aprovação, no Conselho de Ética, de um parecer que recomenda a cassação de seu mandato.

    Em postagem no X, Braga afirmou: “Não serei derrotado por Arthur Lira e pelo orçamento secreto. Vou às últimas consequências.”

    A ação intensifica a crise política, levantando debates sobre perseguição política e os limites do decoro parlamentar.

    O processo contra Braga teve início em abril de 2024, após um incidente em que ele expulsou, com empurrões e chutes, o militante do Movimento Brasil Livre (MBL) Gabriel Costenaro das dependências da Câmara.

    A representação, movida pelo Partido Novo, alega quebra de decoro parlamentar. O parecer do relator Paulo Magalhães (PSD-BA), aprovado por 13 votos a 5 no dia 9 de abril, recomenda a perda do mandato, mas ainda depende de recurso na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e votação em plenário.

    Braga e seus aliados, incluindo a bancada do PSOL, denunciam o processo como uma retaliação orquestrada pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

    O deputado é conhecido por suas críticas contundentes ao chamado “orçamento secreto”, um esquema de emendas parlamentares que, segundo ele, desviou bilhões de reais. Em depoimento à Polícia Federal em fevereiro de 2025, Braga acusou Lira de liderar essas irregularidades.

    Greve de Fome e Solidariedade

    A greve de fome de Braga ganhou um peso simbólico ainda maior com a adesão da deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), de 90 anos, que anunciou acompanhar o colega em solidariedade.

    O ato, inédito no Congresso brasileiro, foi descrito como histórico, com foco na responsabilidade política e moral imposta a Lira e à presidência da Câmara.

    A líder do PSOL, Talíria Petrone, classificou a decisão do Conselho de Ética como “injusta” e um “ataque à esquerda brasileira”, prometendo recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso a cassação avance.

    Militantes do PSOL e movimentos sindicais marcaram presença na sessão do Conselho, protestando contra o que chamam de perseguição política. Sob gritos de “Glauber Fica” e “vergonha”, a votação foi marcada por tumulto, com deputados de PT e PSOL anunciando obstrução às pautas do plenário em resposta.

    Glauber Braga faz greve de fome dormindo no chão da Câmara dos Deputados | Imagem reprodução redes sociais

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    Acusações Contra Lira

    Braga sustenta que a cassação é uma vingança de Lira pelas denúncias contra o orçamento secreto, que levaram o ministro do STF Flávio Dino a suspender R$ 4,2 bilhões em emendas em 2024.

    Ele acusou o relator Paulo Magalhães de ser influenciado por Lira, alegando que cidades ligadas ao deputado baiano receberam recursos do esquema.

    Lira, por sua vez, negou qualquer interferência, afirmando que o processo foi iniciado pelo Novo e que Magalhães teve “total liberdade” na relatoria.

    Reação Pública e Riscos

    A jornalista Hildegard Angel alertou para o impacto de sua estratégia: caso a greve resulte em consequências graves, ele pode se tornar um “herói”, mas a crise pode desestabilizar a Câmara, com risco de questionamentos à legitimidade do processo legislativo.

    Ela disse que, ao decidir pela greve de fome, Glauber “vai pro tudo ou nada. Se o “nada” vencer, com Glauber extremamente debilitado ou morto, ele vira herói e a Câmara vai pro beleléu, talvez até com cassação geral e convocação de nova eleição“.

    A greve de fome é um alerta sobre os limites éticos do Conselho de Ética. Na sessão realizada na quarta-feira (9/abr), ocorreu tumulto, com forte apoio de deputados de esquerda e até de setores da direita à busca por uma solução negociada.

    Histórico de Confrontos

    Glauber Braga, empossado pela primeira vez em 2009, é conhecido por sua postura combativa. Ele já chamou Eduardo Cunha de “gângster”, Sérgio Moro de “juiz ladrão” e Lira de “bandido”, episódios que geraram outras representações no Conselho de Ética, todas arquivadas.

    Sua trajetória inclui denúncias consistentes contra o orçamento secreto, com 21 menções ao tema em tribuna, segundo o SINDSPREV/RJ.

    O processo agora segue para a CCJ, onde Braga prometeu recorrer, apostando na mobilização popular para reverter a decisão.

    Caso avance ao plenário, a cassação precisará de 257 votos para ser efetivada, o que pode levar até 90 dias úteis.

    A pressão social e a saúde de Braga e Erundina tornam o desfecho imprevisível, com potencial para aprofundar a crise institucional no Congresso.

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