Falta de alimentos, aumento da desnutrição e de doenças podem levar a um aumento devastador nas mortes de crianças na Faixa de Gaza, aleta a UNICEF
No campo de refugiados de Jabalia, no norte de Gaza, um homem chamado Abu Gibril disse à AFP que, sem escolha diante da fome, se viu obrigado a matar dois de seus cavalos para dar de comer à sua família.
Jabalia já foi o maior campo dos territórios palestinos, mas agora, a fome se tornou um desafio devido aos constantes bombardeamentos de Israel ao enclave, a pretexto de acabar com o Hamas, o que causou a contaminação da água, cortes de energia, superlotação e altas taxas de pobreza.
Fundado em 1948 em área de 1,4 km², o local abrigava mais de 100 mil pessoas e a guerra atual piorou a situação. Gibril e família se refugiaram em Jabalia, vindos de Beit Hanun e residem em uma tenda.
A falta de comida ocorre devido aos bombardeamentos constantes e aos bloqueios de caminhões com ajuda humanitária. O WFP
(World Food Programme [Programa Alimentar Mundial]) descreveu o desespero no campo como sem precedentes, enquanto a UN
(United Nations [Nações Unidas] alertaram que 2,2 milhões de pessoas estão à beira da fome.
O número total de mortos em Gaza desde o início da guerra é de 29.606 palestinos, conforme relatou no sábado (24/2) o Ministério da Saúde. Em Jabalia, crianças disputam a comida escassa portando recipientes de plástico e panelas sujas.
O preço de um quilo de arroz disparou de 7 siclos (Novo Shekel Israelense – R$ 9,66) para 55 siclos (R$ 75,88). crianças sofrem de desnutrição aguda.
A UNICEF
(United Nations International Children’s Emergency Fund [Fundo Internacional de Emergência das Nações Unidas para a Infância]) alertou que a falta de alimentos, o aumento da desnutrição e as doenças podem levar a um aumento devastador nas mortes de crianças em Gaza.
A população chega a comer restos de milho podre, forragem animal, que é imprópria para consumo humano, folhas e até grama, para tentar aliviar a fome mendigam com quem ainda tem comida.
Em um protesto ocorrido em Jabalia, crianças erguiam cartazes em que se liam: ‘Não morremos no bombardeio, mas estamos morrendo de fome‘.
Ainda em Beit Hanun, Gibril usava os cavalos que a família comeu para cultivar a terra, mas secretamente decidiu matá-los e cozinhou sua carne com arroz. Seus parentes e vizinhos os comeram sem saber que eram aqueles animais. Agora, o palestino teme dizer a verdade, pois não sabe qual será a reação deles.
Rafah, o próximo alvo de Israel
Negociações de trégua estão em andamento em Paris, para um acordo entre Israel e o grupo terrorista Hamas, visando a troca de reféns por prisioneiros.
Os palestinianos tentam desesperadamente sobreviver na cidade de Rafah, no sul de Gaza. Contudo, especialistas avaliam que a cidade será o próximo alvo Israel.
Na sexta-feira (23/2), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, revelou sua mais recente proposta para o futuro da Faixa de Gaza: Israel manteria o controle militar sobre o enclave e permitiria que palestinianos administrassem os assuntos civis.
O plano de Netanyahu surge depois de quase 20 semanas de guerra em Gaza e após a fala do Presidente da república Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por ocasião de sua visita à Etiópia, onde condenou as ações do governo do premiê contra a população, a pretexto de combater o Hamas.
Mas os EUA não gostaram do plano de Netanyahu. A Autoridade Palestina e o Hamas também rejeitaram.
O NSC (National Security Council [Conselho de Segurança Nacional] do país governado por Joe Biden enfatizou a importância da representação palestina e afirmou que não apoia a redução do tamanho de Gaza ou o deslocamento de palestinos. Além disso, não querem ver o enclave sob o domínio do Hamas.
