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Com Economia mais forte, inflação em queda e corte nos juros vindo, bancos projetam valores mais altos para ações

    O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), antes das eleições do ano passado – Imagem de Ricardo Stuckert | Ao fundo, o Edifício da Bolsa De Valores De São Paulo | Foto de João Marcos

    Perspectiva de bonança causa efeito positivo nas recomendações e preços-alvos de companhias. Movimento pode se intensificar nas próximas semanas

    A perspectiva de uma atividade econômica no Brasil mais forte do que o esperado, a inflação em trajetória de queda e a expectativa pelo início do ciclo de corte nos juros a partir do segundo semestre já começam a se refletir na avaliação de bancos e analistas sobre as companhias do país.

    Os bancos começaram a incorporar esse cenário mais benigno em suas avaliações, com efeito positivo principalmente nas recomendações e preços-alvos de companhias mais expostas ao mercado doméstico, num movimento que pode se intensificar nas próximas semanas, na opinião de analistas.

    Tivemos essa mudança um pouco mais estrutural com o PIB mais forte e o governo passando o arcabouço fiscal, que impôs limites de gastos. Juntas, elas ancoram o médio e longo prazo, dando horizonte de planejamento, investimentos e confiança”, diz Pedro Martins, diretor de pesquisa para América Latina do J.P. Morgan, conforme mostra transcrição de Felipe Laurence, ‘Valor‘.

    As condições do cenário atual para que a Selic caia a partir do segundo semestre estão se consolidando, diz Martins, com desaceleração da inflação e valorização do real, o que vai se traduzir em alívio para vários setores e companhias que atuam no mercado doméstico.

    A mudança de expectativas macroeconômicas mexe na avaliação das companhias de maneira direta, quando as novas premissas são inseridas nos modelos que os analistas usam para acompanhar cada setor.

    Existe um primeiro fator que é a curva longa de juros ter diminuído consideravelmente, o que reduz o custo de capital na hora de trazer as nossas estimativas futuras das companhias a valor presente”, diz Aline Cardoso, diretora de pesquisa em ações do Santander Brasil.

    Mudanças na Selic têm impacto mais direto na hora de avaliar o desempenho operacional das empresas. Na avaliação do Santander, a cada corte de 100 pontos-base na taxa, o lucro das companhias brasileiras cresce, na média, entre 10% e 15%.

    Há que se considerar também que o meio do ano é o período em que os bancos costumam fazer a rolagem dos preços-alvos de 2023 para 2024, ao atualizar os modelos para incorporar estimativas para 12 meses, o que neste momento aponta para uma melhoria no desempenho operacional das companhias.

    Outro fator de peso é a questão do prêmio de risco, que no ano passado estava bem elevado depois das eleições e melhorou com a melhor visibilidade dos rumos econômicos. “Só isso já melhora a avaliação das companhias”, diz Gabriela Joubert, estrategista-chefe do Inter.

    E é preciso considerar ainda que os valores das ações brasileiras continuam descontados mesmo com a valorização geral de quase 9% do Ibovespa no ano. “Hoje estamos negociando em torno de 7,5 a 8 vezes o preço-lucro, contra um padrão histórico que se aproxima de 11 vezes”, lembra Martins, do J.P. Morgan.

    A expansão dos múltiplos ocorre antes que a recuperação dos lucros, mais demorada, uma vez que os resultados acontecem na economia real, não nas planilhas, e dependem da efetividade das medidas monetárias e econômicas. “A maneira quantitativa de se buscar isso é ver empresas que tenham correlação negativa com juros”, afirma Martins.

    As empresas do setor doméstico são as que vinham sofrendo com essa escalada de juros e a inflação alta, que reduzem o consumo”, diz Joubert. “Quando acontece uma inflexão dessa tendência, vemos um movimento em bloco de subida dos setores como construção, varejo e shoppings”.

    Depois desse primeiro movimento, o investidor passa a ter uma análise mais criteriosa das ações, sob um olhar de fundamentos. “Quando recuperamos o valor de tela, aí sim o micro das empresas passa a ser importante”, diz.

    Empresas exportadoras são menos impactadas, afirma Cardoso, do Santander, por causa do dependência maior do mercado externo. “Os efeitos do câmbio influenciam mais o movimento das ações e as estimativas do que juros ou desempenho doméstico da economia”.

    As incertezas em torno da China, cuja recuperação econômica pós-pandemia ainda não emplacou, são um ponto de pressão para companhias como Vale e Suzano, exportadoras de minério e celulose, respectivamente. Já a Petrobras se recupera pela redução nos riscos políticos e também passa por um momento de reavaliação.

    Os analistas acreditam que as indicações da temporada de resultados do segundo trimestre serão importantes para dar o tom da recuperação das ações. Mais do que os números em si, a expectativa das companhias para o segundo semestre é algo ao qual eles vão prestar atenção.

    Nós já estamos vendo revisão para cima nos lucros para 2024, é uma tendência que o ‘buy side’ está antecipando e nós, do ‘sell side’, demoramos um pouco mais para alcançar, porque há toda uma questão regulatória na mudança de nossas recomendações e estimativas”, diz Cardoso.

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