Pessimista, legenda avalia usar imagens de membros do clã em materiais de campanha e busca “puxadores de voto” sem a participação direta do seu principal padrinho político
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Sem Bolsonaro, PL teme queda de desempenho em eleições
Brasília, 07 de novembro 2025Introdução:
O Dilema do PL para 2026
Nos bastidores do Partido Liberal (PL), a contagem regressiva para as eleições de 2026 já começou, mas o clima é de apreensão. A cúpula da legenda está ciente de que enfrentará seu maior desafio desde que se tornou a principal força da direita brasileira: uma campanha eleitoral sem seu principal cabo eleitoral, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na disputa. Essa ausência iminente acendeu um alerta máximo sobre a capacidade do partido de manter sua robusta representação no Poder Legislativo, conquistada em grande parte pela força do bolsonarismo nas urnas.
O desafio é estratégico e existencial. O sucesso avassalador do PL em 2022, que o levou a eleger a maior bancada da Câmara dos Deputados, esteve diretamente atrelado à imagem e ao engajamento direto de Bolsonaro. Replicar esse feito sem o ex-presidente pedindo votos ativamente é, ao mesmo tempo, a principal prioridade e a maior incerteza para a legenda. Diante desse cenário, a liderança do partido se debruça sobre a complexa aritmética eleitoral brasileira, onde a preocupação não se concentra nas disputas de maior visibilidade, mas sim naquelas que formam a base de seu poder político.
A Aritmética Eleitoral: O Risco nas Disputas Proporcionais
A raiz da preocupação do PL reside na distinção fundamental entre os tipos de disputa no sistema eleitoral brasileiro. Conforme apurado pela CNN Brasil, a avaliação interna é de que a transferência de votos para cargos majoritários, como governador e senador, tende a ser mais simples. Isso ocorre porque essas eleições são frequentemente marcadas por uma forte polarização entre direita e esquerda, facilitando a indicação de um sucessor ou aliado direto por uma figura como Bolsonaro.
O cenário muda drasticamente, no entanto, quando se trata das disputas proporcionais. A eleição de deputados estaduais e federais é um processo descrito pelos próprios dirigentes como pulverizado, no qual centenas de candidatos competem pela atenção do eleitor. Nesse ambiente fragmentado, a figura do "padrinho eleitoral" é crucial para que um candidato se destaque e seja associado a um projeto político maior.
Sem a presença física de Jair Bolsonaro na campanha, pedindo votos diretamente e associando sua imagem aos candidatos do partido, a identificação do eleitorado com os nomes do PL torna-se significativamente mais difícil. O risco, portanto, não é apenas perder votos, mas ver o capital político do ex-presidente se dissipar antes de chegar aos candidatos que mais precisam dele para se eleger, ameaçando diretamente a repetição do desempenho que consolidou o partido no cenário nacional.
O Fantasma de 2022: A Ameaça à Maior Bancada do Congresso

Em 2022, impulsionado pela candidatura presidencial de Bolsonaro, o PL alcançou um feito notável ao eleger a maior bancada da Câmara dos Deputados. Esse resultado conferiu ao partido um poder de negociação e uma influência política sem precedentes. Agora, o temor é que esse capital seja drasticamente reduzido.
Nos bastidores, o diagnóstico é pessimista. A avaliação interna, apurada pela CNN Brasil, é de que, sem Bolsonaro em campanha ativa, as chances de alcançar um resultado similar em 2026 são mínimas. Essa preocupação é personificada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que já se movimenta para mitigar os danos. Ele tem demonstrado inquietação e busca ativamente por "puxadores de voto", com foco especial em colégios eleitorais estratégicos como São Paulo e Rio de Janeiro, reconhecendo que o partido não pode mais depender de uma única figura nacional para impulsionar chapas inteiras nos estados.
Diante de um cenário tão desafiador, no qual a principal engrenagem de sua máquina eleitoral pode não estar disponível, o partido já começa a esboçar um plano B, uma estratégia alternativa para tentar manter a chama do bolsonarismo acesa nas urnas.
A Estratégia Alternativa: A Família Bolsonaro como Vitrine Eleitoral
Com a provável ausência do patriarca, a principal alternativa em estudo pelo PL é recorrer à própria família Bolsonaro como um substituto de sua imagem. A legenda avalia explorar intensivamente figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro como vitrines eleitorais, numa tentativa de garantir a transferência do capital político do ex-presidente.
O plano consiste em usar as imagens de Michelle e Flávio em propagandas de TV, rádio e, principalmente, nos "santinhos" distribuídos pelos candidatos a deputado. A ideia é criar uma associação visual e simbólica imediata, sinalizando ao eleitor bolsonarista quem são os nomes endossados pela família e, por extensão, pelo próprio Jair Bolsonaro.
Essa busca por alternativas se tornou ainda mais vital após a proibição do uso de Inteligência Artificial para criar ou manipular conteúdo em campanhas eleitorais. Sem essa ferramenta, que poderia hipoteticamente "recriar" a presença de Bolsonaro em peças publicitárias, o partido se vê ainda mais dependente de soluções orgânicas e da força de nomes de carne e osso. Contudo, toda essa articulação é motivada por um fator que transcende a política: a incerteza jurídica que paira sobre o ex-presidente.
Contexto Ampliado: O Fator Jurídico e o Futuro Incerto
Toda a movimentação estratégica do PL está intrinsecamente ligada ao futuro judicial de Jair Bolsonaro. A preocupação da cúpula do partido não é apenas com a inelegibilidade já confirmada, mas com uma possibilidade ainda mais grave que circula nos corredores do poder em Brasília. A fonte da angústia é a avaliação de que “o ex-presidente pode ser preso ainda neste ano”.
Essa possibilidade real de prisão é o principal gatilho para o planejamento de emergência do partido. O que antes era uma hipótese de ausência eleitoral se transforma em uma probabilidade com a qual a liderança do PL precisa trabalhar. A ausência de Bolsonaro na campanha deixaria de ser uma escolha para se tornar uma imposição, forçando o partido a acelerar a busca por soluções.
A situação jurídica do ex-presidente é complexa e envolve múltiplas frentes de investigação. Além do inquérito sobre a trama golpista, no qual a Polícia Federal já indiciou Bolsonaro e aliados por tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, conforme noticiado pelo g1, o ex-presidente é alvo em outros casos sensíveis. Entre eles estão as investigações sobre a venda ilegal de joias recebidas como presentes oficiais, a suposta fraude em seus cartões de vacinação e o uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar adversários políticos.
Este labirinto jurídico, com múltiplos pontos de falha em potencial, transforma o planejamento estratégico do partido de um exercício de contingência em uma necessidade urgente, já que um resultado negativo em qualquer um desses casos poderia acionar o temido cenário de encarceramento.
Conclusão: Entre a Sobrevivência e a Reinvenção
O Partido Liberal se encontra em uma encruzilhada histórica. Para as eleições de 2026, a sigla enfrenta o desafio monumental de desvincular sua sobrevivência legislativa da presença física e ativa de Jair Bolsonaro. A estratégia de posicionar Michelle e Flávio Bolsonaro como herdeiros eleitorais imediatos é uma tentativa pragmática de conter a sangria de votos e preservar o poder acumulado.
O que está em jogo é mais do que apenas um número de cadeiras no Congresso. É a manutenção do status do PL como a maior força partidária do país e, consequentemente, sua capacidade de liderar a oposição e influenciar a agenda política nacional. Resta saber se o carisma de Michelle e a articulação de Flávio podem, de fato, replicar o apelo populista e a onipresença digital do patriarca, ou se a ausência do "padrinho eleitoral" original deixará um vácuo que nem mesmo seu sobrenome pode preencher.
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