📷 Abelardo de la Espriella, novo presidente de direita da Colômbia, antes da posse, ao oficializar sua campanha para as eleições presidenciais com seu companheiro de chapa, José Manuel Restrepo, em Cali 13.3.2026 |•| Foto: Sebastian Marmolejo / Long Visual Press / Universal Images Group via Getty Images |•| URBS MAGNA
| Bogotá (CO)
12 de agosto de 2026
O recém-empossado presidente de extrema direita da Colômbia, Abelardo de la Espriella, rejeitou o envio de equipes de resgate do México, da China e de El Salvador nos primeiros dias após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o oeste do país, deixando mais de 200 mortos.
A oferta do Brasil seguiu sem resposta formal por dias, em meio a um caos administrativo na transição de governo.
O que aconteceu
O tremor atingiu a região de San José del Palmar, no departamento do Chocó, na segunda-feira (10/ago), no primeiro dia útil do governo de De la Espriella, empossado apenas na sexta-feira anterior.
O saldo, segundo o jornal colombiano El Tiempo, já passa de 200 mortos e milhares de feridos, com prédios desabados em várias cidades.
Nos primeiros dois dias de emergência, o governo colombiano não fez um chamado formal a equipes internacionais de resgate.
Segundo apurou o jornal mexicano La Jornada, Bogotá ignorou as ofertas ou recusou diretamente o apoio de pessoal de resgate — com a notável exceção dos Estados Unidos, cuja ajuda foi prontamente aceita.
As três frentes rejeitadas ou ignoradas: Brasil, México e China
O presidente salvadorenho Nayib Bukele, aliado ideológico de De la Espriella, confirmou publicamente que a Colômbia recusou o envio de socorristas estrangeiros, dizendo que o governo colombiano “solicitou ajuda humanitária unicamente em forma de insumos”, conforme reproduziu o portal colombiano El Norte.
Como resposta, El Salvador decidiu enviar apenas suprimentos: dois aviões de carga com cem toneladas de ajuda humanitária.
Do lado mexicano, a presidente Claudia Sheinbaum — ideologicamente distante de De la Espriella — declarou publicamente ter uma equipe especializada em resgates sísmicos pronta para embarcar, aguardando apenas o pedido formal de Bogotá, segundo noticiou a agência mexicana Proceso.
O pedido nunca veio.
Já em relação ao Brasil, a situação foi de silêncio, não de recusa explícita.
Segundo apurou a CNN Brasil, o governo brasileiro formalizou a oferta de ajuda por canais diplomáticos ainda na segunda-feira (10/ago), horas após o primeiro tremor, com a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil em prontidão para agir.
Até a divulgação da reportagem, porém, a Colômbia não havia dado nenhuma resposta formal.
A China, por sua vez, expressou publicamente frustração com a falta de coordenação.
O embaixador chinês em Bogotá, Zhu Jingyang, cobrou nas redes sociais que o governo colombiano indicasse “o funcionário e seu enlace oficial” para receber a cooperação internacional, segundo relatou o jornal El Colombiano.
Em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, afirmou que a China ajudaria “em formas adequadas” conforme solicitado pela Colômbia, e o presidente Xi Jinping enviou mensagem de condolências a De la Espriella, segundo divulgou a agência estatal Xinhua.
O contexto geopolítico
O jornal de Hong Kong South China Morning Post apontou um pano de fundo político para o impasse: De la Espriella vem construindo sua política externa em torno de uma aproximação com o governo de Donald Trump, o que deixaria Pequim em segundo plano na resposta à emergência — leitura que a reportagem resume como um “giro” da nova diplomacia colombiana em direção aos Estados Unidos.
Internamente, a explicação oficial para a demora recai sobre o caos da transição: o El Colombiano apurou que órgãos-chave como a Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres ainda operavam com diretores interinos deixados pelo governo anterior, de Gustavo Petro, sem qualquer transmissão formal de cargo entre as gestões.
A rerratificação e as críticas
Sob pressão crescente, o governo colombiano recuou parcialmente. Segundo o jornal espanhol El País, citado pela agência Euronews em sua edição em espanhol, o vice-presidente colombiano José Manuel Restrepo anunciou nesta quarta-feira (12/ago) ter recebido propostas de cooperação internacional de US$ 1,3 bilhão, citando Suécia, Turquia, Estados Unidos, México, Equador e o próprio Brasil entre os países dispostos a ajudar — ainda que sem confirmar, até então, quais ofertas de pessoal seriam de fato aceitas.
De la Espriella também enfrentou críticas por sua postura pública durante a crise: o El Norte registrou questionamentos por ele ter sorrido e distribuído beijos durante um pronunciamento sobre o terremoto, em contraste com a gravidade do momento.
Assim, há um padrão observado em outros governos de extrema direita recém-chegados ao poder: a prioridade dada ao alinhamento ideológico com Washington por vezes atropela a lógica pragmática da cooperação humanitária, que tradicionalmente independe de afinidade política — como demonstra a própria disposição do México de Sheinbaum, ideologicamente oposto a De la Espriella, em ajudar sem condicionantes.
O governo de Abelardo de la Espriella sinalizou nesta quarta-feira (12/ago) disposição de aceitar mais cooperação internacional, mas ainda não há confirmação sobre o envio de equipes de resgate do Brasil, do México ou da China.
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