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CNJ afasta ex-juiz do TSE, Sandro Nunes Vieira, citado em inquérito sobre golpe de Estado que envolve Bolsonaro


    Sandro Nunes Vieira, investigado pela PF por tentativa de golpe de Estado
    Foto de Abdias Pinheiro / ASCOM / TSE

    Alexandre de Moraes determinou que Vieira seja investigado e deu dez dias para que o juiz federal ligado ao TRF4 preste depoimento

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    O CNJ (Conselho Nacional de Justiça). órgão controlador do Poder Judiciário, afastou, na noite de quinta-feira (28/11), o ex-juiz do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Sandro Nunes Vieira, que foi citado no inquérito da PF (Polícia Federal), o mesmo que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.

    A determinação do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, ocorre após Vieira receber um ofício do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

    A PF (Polícia Federal) afirma que o juiz atuou “de forma ilegal e clandestina” ao assessorar o PL (Partido Liberal), no qual Bolsonaro é filiado, na elaboração de um documento com acusações infundadas contra as urnas eletrônicas.

    O documento foi usado em uma representação feita pelo presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto, ao TSE para contestar os resultados do segundo turno das eleições de 2022, no qual o hoje inelegível até 2030, Jair Bolsonaro, foi derrotado, tendo se tornado o primeiro chefe de Executivo federal a não conseguir se reeleger para o cargo.

    A investigação revelou que no dia 16 de novembro de 2022 o então assessor de Bolsonaro, o coronel do Exército Marcelo Câmara encaminhou uma mensagem ao tenente-coronel Mauro Cid, na época ajudante de ordens da presidência, pedindo que o nome do juiz não fosse mencionado por Valdemar.

    “Preciso que você reforce com o Valdemar para não citar em nenhum momento meu nome“, diz a mensagem de Câmara, conforme transcrição do portal do JN. Na sequência, o militar cita o magistrado: “Dr. Sandro“, o nome do juiz. De acordo com a PF, os elementos probatórios demonstram que o próprio juiz escreveu a mensagem sobre a recomendação.

    Mas três dias depois, Valdemar mencionou o nome do juiz durante uma entrevista: “Porque eu conversei com um ex-diretor do TSE, que é um juiz de Direito, o Sandro, e ele me falou, ele estava lá até o… até seis meses atrás… e ele me disse, é um homem honesto, tá ajudando a gente...”

    No mesmo dia, Sandro Nunes Vieira afirmou em nota que nunca teve contato pessoal com o presidente do Partido Liberal e que, como juiz, não emite opiniões públicas ou juízos de valor sobre processos de conotação política.

    Sandro Nunes Vieira é juiz federal ligado ao TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Ele atuou no TSE de 2019 a agosto de 2022, inclusive como auxiliar da presidência do ministro Luís Roberto Barroso. Em 2020, foi indicado pela então presidente do TSE, ministra Rosa Weber, para o programa de enfrentamento à desinformação nas eleições municipais daquele ano.

    O TRF4 já confirmou o afastamento do juiz e disse que não irá se manifestar. O nome de Sandro Vieira não está entre os trinta e sete indiciados pela PF. O ministro Alexandre de Moraes determinou que ele seja investigado e deu dez dias para que o juiz preste depoimento.

    A defesa de Valdemar Costa Neto afirmou que é uma ilação absurda do relatório de que o cliente teria usado um documento com acusações infundadas contra as urnas, que o pedido de não citar o nome do juiz é uma presunção equivocada da PF e que os dois assuntos serão esclarecidos nos autos.

    A defesa de Marcelo Câmara afirmou que vai se manifestar nos autos.

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