Depoimento à Polícia Federal aponta suposta entrega de sacola com dinheiro; senador nega envolvimento e pede investigação urgente
Brasília, 31 de agosto de 2025
Uma denúncia publicada pelo portal ICL Notícias na noite de domingo (31/ago) diz que uma testemunha anônima afirmou à Polícia Federal (PF) que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Partido Progressista (PP), teria recebido uma “sacola de papelão grampeada, com largura compatível com o tamanho de uma cédula” contendo dinheiro vivo.
A suposta propina teria sido enviada por Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado “Beto Louco”, apontados como líderes de um esquema ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O encontro teria ocorrido em agosto de 2024, no gabinete do senador em Brasília. Segundo a testemunha, o dinheiro estaria relacionado à defesa de interesses dos suspeitos junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a projetos de lei em tramitação no Senado.
Especificamente, os acusados buscariam reverter a revogação das licenças das empresas Copape e Aster, principais alvos da Operação Carbono Oculta, deflagrada na última quinta-feira (28/aago).
A operação revelou um esquema bilionário de fraude fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo essas empresas, o fundo de investimentos Reag e a fintech BK Bank, utilizados para ocultar patrimônio e movimentar recursos ilícitos.
Ciro Nogueira reagiu veementemente às acusações. Em ofício enviado ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o senador classificou o ICL Notícias como “site de pistoleiros da esquerda” e negou qualquer relação com os suspeitos.
“Essas pessoas jamais estiveram em meu gabinete”, afirmou, solicitando que a Polícia Federal investigue os registros de entrada em seu gabinete e nos escritórios dos acusados, além de disponibilizar seus sigilos bancário e telefônico à Justiça.
Ele também acusou a denúncia de ser uma tentativa de “perseguição política” contra sua atuação como um dos principais articuladores do Centrão e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Operação Carbono Oculta expôs a sofisticação do esquema do PCC, que utilizava empresas legítimas para misturar atividades lícitas e ilícitas.
Além de Copape e Aster, a investigação identificou o uso do fundo Reag, um dos maiores do país, e da fintech BK Bank, que operava “contas bolsão” não rastreáveis para movimentar recursos.
A denúncia amplia as investigações da Polícia Federal, que agora apura possíveis conexões do crime organizado com a alta política em Brasília.
Outras fontes corroboraram as informações do ICL Notícias, detalhando que a suposta entrega de propina estaria vinculada a emendas apresentadas por Ciro Nogueira em projetos de lei relacionados ao “devedor contumaz” no setor de combustíveis.
Em 18 de junho de 2024, o senador propôs alterações ao PL 125/2022, que poderiam beneficiar empresas como Copape e Aster, mas as emendas foram rejeitadas pelo relator, senador Efraim Filho (União Brasil-PB).
A colunista Raquel Landim, do UOL, destacou que as propostas de Nogueira visavam excluir setores com influência estatal, como combustíveis, da classificação de “devedor contumaz”.
O Congresso em Foco revelou que Ciro Nogueira já foi alvo de investigações anteriores. Em 2019, a Polícia Federal realizou buscas em seus endereços por suspeitas de corrupção passiva e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato.
Em 2022, um relatório da PF apontou indícios de que o senador recebeu propina de R$ 5 milhões da J&F para apoiar a reeleição de Dilma Rousseff em 2014, conforme publicado pela ISTOÉ.
Apesar das acusações, Nogueira nega envolvimento e segue como uma figura influente no Congresso Nacional.
A denúncia também gerou polêmica pela reação do senador ao divulgar o número de celular do jornalista Flávio VM Costa, do ICL Notícias, em retaliação à matéria.
O portal repudiou a atitude, classificando-a como “desrespeitosa” e destacando a importância da liberdade de imprensa.
A Polícia Federal abriu uma nova linha de investigação para apurar possíveis vazamentos que permitiram a fuga de Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, que permanecem foragidos.







