Mas o presidenciável mais derrotado de todos os tempos se diz “pronto“, apesar de “chocado” com o resultado da eleição de 2022, acrescentando que, de um lado, com Bolsonaro, “essa gente toda sucumbiu a uma onda fascista” e, do outro, com Lula, apenas quiseram “se livrar” do ex-presidente
Segundo o presidenciável mais derrotado de todos os tempos, em entrevista ao ‘Globo‘, publicada neste domingo (26/5), Ciro Gomes diz que a eleição de 2022 o “chocou profundamente e matou” nele “a crença no sistema democrático brasileiro” , no minuto que ele perdeu a eleição, sentiu “uma espécie de deslegitimação” de seu “direito de participar“.
Perguntado pela jornalista Renata Agostini se isso se deveu ao fato do pedetista ter recebido apenas 3% de votos de todo o eleitorado do Brasil, Ciro respondeu que “essa gente toda sucumbiu a uma onda fascista“, referindo-se ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e que o hoje novamente Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apenas teve mais de 48% dos votos no primeiro turno porque muitos queriam “se livrar” do hoje inelegível.
Após a verborragia de sempre em relação aos finalistas do pleito presidencial passado, e desmerecendo opiniões dos brasileiros que não votaram nele, Ciro Gomes diz que agora busca “outros modos prazerosos de exercitar” sua “vocação” e que não quer mais “depender da aprovação ou da crítica sebosa de eleitor“.
Na sequência, o pedetista diz, corretamente, que a polarização só acabará no Brasil “quando Lula sair do jogo“. Ou seja: Ciro Gomes, sem querer, diz que o estadista é o único Presidente que se diferencia de outros pretendentes ao Planalto por ter conseguido provar que suas gestões sempre trouxeram números relevantes para a Economia e para todas as classes de brasileiros.
Após o pedetista fazer mais críticas que não valem a leitura, ele amargou ter que ouvir a jornalista perguntar se ele “está ficando isolado“, haja vista que o presidente do PDT, Carlos Lupi, virou ministro da Previdência, enquanto seu irmão, Cid Gomes, foi para o PSB, partido aliado do PT. O ex-governador do Ceará concordou apenas para dizer que sua posição agora é “antimodelo“. E que não vê “problema em contribuir“, acrescentando que é “um amante não correspondido“, “apaixonado pelo Brasil“.
Mais adiante, Ciro Gomes deve ter sentido o fogo lhe comer por dentro quando a jornalista disse a ele: “O senhor não tem conseguido convencer os que estão ao seu lado. Virou uma batalha quixotesca?” O pedetista concordou, disse que essa é sua “grande frustração” e ainda tentou se comparar a Getúlio Vargas e a Leonel Brizola ao afirmar que ambos também sofreram “isolamentos“.
Aproveitando o tema, Renata Agostini lembrou a Ciro Gomes, de forma questionativa, que esse mesmo “isolamento se reflete também nas ofensas dirigidas à senadora Janaína Farias (PT), que resultaram numa denúncia do Ministério Público contra o senhor por violência política de gênero“. O pedetista tentou se livrar da pedrada da jornalista sugerindo alto grau de incapacidade e ignorância da política que era a segunda suplente de Camilo Santana e acabou nomeada pelo ministro da Educação após a primeira ter ido para alguma Secretaria. Antes, o pedetista chamou Santana de “patrimonialista e corrupto” e “monstro que ajudei a criar“.
Agostini insistiu com o tópico e ainda disse que, no caso, Ciro Gomes, foi “machista“, pela forma como se referiu a Janaína Farias, dizendo que “ela era assessora para “assuntos de cama” e a chamou de “cortes㔓. O pedetista confirmou e ainda acrescentou que “ela era incompetente e despreparada“, e que “a derivação para o sexismo” não pode tornar “imune” a mulher que “entra na política“. E, ainda, que “ela é, hoje, uma cortesã portando um mandato de senadora” por “capricho do Camilo Santana ou porque ele está sendo chantageado”.
Evoluindo neste tema, a jornalista questiona Ciro Gomes por suas declarações machistas relacionadas à ex-mulher, a atriz Patrícia Pillar, sobre quem disse que a função era apenas “dormir” com ele. O pedetista sentiu e disse que já se desculpou e que é “um cara sério, respeitador das mulheres“.
As investidas de Agostini prosseguem em questionamento ao pedetista sobre seu temperamento. “Brigou até com seu irmão…”, disse a jornalista a Ciro Gomes, que respondeu dizendo que lançou Cid Gomes como candidato e se tornou “inelegível no Ceará por força da lei, aos 50 anos. Eu era unanimidade no estado. De repente, comecei a ter aresta. Todas para defender o Cid. Na última eleição, fui abandonado por todo mundo e por ele também. Fui eu quem briguei? Nunca briguei com ele. Nunca trocamos uma palavra áspera na vida. Simplesmente eu fui lá e pedi a ele: “Não faça isso, você está me abandonando, e eu estou sozinho”. Pedi para ele coordenar minha campanha, e ele disse que não“. Ciro acrescentou que não quer mais falar com Cid: “Traição e ingratidão, sabe?“.
Finalmente, a jornalista ainda diz ao pedetista que ele se tornou “um cabo eleitoral frágil” porque, após rompimento com Cid, houve debandada no PDT e, agora, o prefeito de Fortaleza, que é aliado de Ciro, deve enfrentar dificuldades para a reeleição. Mas Ciro Gomes diz que “isso é tudo bobagem” e que “essa debandada não é para o Cid, que está hospedado no partido (PSB) que é presidido pelo pai do Camilo, que é do PT. O destino de todos os políticos é o ocaso“.
E para encerrar Ciro Gomes diz que ele é diferente e que está “pronto” porque ele é “desapegado“. Agostino o questiona sobre sua pretensão de “se candidatar” a algum cargo público. O pedetista afirma que não pretende “abandonar o fazer política” e que está “escrevendo um livro“, mas que tem se “reencontrado prazerosamente com o Tasso Jereissati. Houve essa conversa de uma federação com o PSDB. Lupi acha que é necessário aprofundar um debate programático. Eu também acho“.
