“Pagamos viagens para aprender crimes”, reage comunicadora ao relatório da CIDH apontando torturas em massa e mortes sob custódia no regime de exceção; 14 políticos brasileiros gastaram R$ 407 mil em missões ao país centro-americano
Brasília (DF) · 11 de março de 2026
O Grupo Internacional de Especialistas para a Investigação de Violações de Direitos no Marco do Estado de Exceção em El Salvador (Gipes) apresentou relatório conclusivo em audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), na Cidade da Guatemala, conforme o g1.
O documento reúne evidências de violações sistemáticas durante o regime de exceção iniciado em março de 2022: quase 90 mil detenções, 8 mil liberações por falta de provas, 403 mortes sob custódia estatal (incluindo quatro crianças) e 540 casos de desaparecimento forçado.
As acusações abrangem detenções arbitrárias (inclusive de menores), torturas, assassinatos, desaparecimentos forçados, violência sexual e perseguição.
Ignacio Jovtis, diretor para a América Latina da ONG InterJust, afirmou: “Existem bases razoáveis para acreditar que, no marco do regime de exceção, foram cometidos crimes contra a humanidade”. O vice-chanceler de El Salvador rejeitou as denúncias.
A advogada e comunicadora Gracieli Grecco repercutiu no X a matéria do g1 e comentou: “E teve deputados, senadores e governadores indo pra El Salvador pra copiar o modelo. Ah, pagamos por todas as viagens. Em suma, pagamos uma viagem para aprender como cometer crimes contra a humanidade”.
Levantamento da Folha de S.Paulo, publicado em 19 de janeiro de 2026, revela que, desde a inauguração do Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot) em janeiro de 2023, 14 políticos brasileiros visitaram El Salvador para conhecer o modelo de segurança pública do presidente Nayib Bukele.
A mídia expôs o custo total aos cofres públicos, que alcançou, segundo a matéria, pelo menos R$ 407,2 mil.
O jornalão relata os contextos das visitas, com a primeira comitiva ocorrendo em dezembro de 2023, tendo à frente o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seguido por Ubiratan Sanderson (PL-RS), Capitão Alden (PL-BA), Coronel Assis (União Brasil-MT), Delegada Ione (Avante-MG), Osmar Terra (PL-RS) e Alexandre Ramagem (PL-RJ).
A mídia diz que eles visitaram o Cecot, elogiaram higiene e alimentação, posaram com detentos e gastaram aproximadamente, cada parlamentar, em torno de R$ 9,3 mil em estadia e R$ 9,86 mil em passagem.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a segunda comitiva foi em 2025, levando Paulo Bilynskyj (PL-SP), Padovani (União Brasil-PR), Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG), Delegado Fabio Costa (PP-AL), Nikolas Ferreira (PL-MG) e Coronel Assis – este em sua segunda viagem. A matéria diz que todos também conheceram o Cecot e os custos médios foram R$ 10,6 mil em estadia e R$ 6,87 mil em passagem por pessoa.
O Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo a Folha de S.Paulo, esteve lá em novembro de 2025, para uma reunião com o ministro da Segurança Gustavo Villatoro. Seus gastos com seguro e passagens, segundo o texto, foram R$ 9,585 mil.
O Governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), esteve por lá antes, em 27 de maio de 2025, relata a Folha de S.Paulo, com sua comitiva estadual para intercâmbio em segurança pública. Segundo a matéria, ele não visitou o Cecot, conforme gabinete, e o custo total foi de R$ 197 mil aos cofres mineiros.
Tudo isso foi apurado e publicado em uma única matéria na Folha de S.Paulo, via Lei de Acesso à Informação, conforme citado no texto.
Relatórios internacionais corroboram as violações. A Human Rights Watch, em seu World Report 2026, registra detenções arbitrárias em massa, desaparecimentos forçados, torturas, maus-tratos e violações ao devido processo legal sob o regime de exceção prorrogado.
A Anistia Internacional, em documento de dezembro de 2024 sobre os mil dias do estado de exceção, denuncia repressão generalizada, mortes em custódia e realocação de recursos de saúde e educação para segurança e defesa.
As duas organizações classificam os abusos como sistemáticos e em larga escala, configurando graves violações de direitos humanos.

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Que tal mandar um tal condenado da papuda pra lá já que os parlamentares elogiaram o lugar e aqui só querem tumultuar