Segundo o presidente do STF, os relatos do ex-Intercept no jornal, de que o ministro pediu informações em investigações fora dos ritos, estão em desconformidade com a “conjuntura tensa e de gravíssimas ameaças à democracia, às instituições e às pessoas” durante o governo do inelegível – LEIA E ASSISTA
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Luis Roberto Barroso, chamou de “tempestades fictícias” os relatos do jornalista Glenn Greenwald publicados no jornal Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (13/8), de que o ministro da Corte, Alexandre de Moraes, teria pedido informações em investigações fora dos ritos oficiais da Justiça para perseguir bolsonaristas.
O atual presidente do Supremo defendeu o relator dos casos de vários processos contra o hoje declarado inelegível, Jair Bolsonaro (PL), dizendo que “todos os atos praticados pelo ministro Alexandre de Moraes se deram no cumprimento do dever”.
O ministro se referiu à gestão presidencial anterior como “ciclo de atraso” e acrescentou que a “coragem moral e física” do colega foi necessária para o enfrentamento contra os efeitos da ‘ideologia’ aplicada por quem ele certamente considera ter sido o pior presidente da história do Brasil.
Com palavras bem colocadas, no contexto da recapitulação do governo anterior, Barroso escorraçou o bolsonarismo e, claro, seu precursor, Bolsonaro, ao afirmar que em sua gestão “surgiram ameaças de morte” contra o grupo de ministros, o que antes nunca antes existiu. O magistrado diz que todos tiveram que passar a andar com seguranças, por conta dos gestos dos seguidores do ex-presidente.
Leia o principais trechos da fala do ministro, ocorrida na tarde desta quarta-feira (14/8), durante início da sessão, e assista ao vídeo no final:
“Nós tivemos inúmeras ameaças de morte, a cada um de nós. Todos nós passamos a andar com seguranças. Ninguém aqui andava com segurança, no Supremo. Ninguém! E, mais recentemente, precisamos fazê-lo pelos sucessivos riscos que passamos a correr no evento em que estivemos em Nova Iorque. Uma turba, que depois se descobriu que estava recebendo diária para nos atacar, tentou virar em plena Quinta Avenida, a van em que nós estávamos. E, e basta imaginar o que teria acontecido, se eles tivessem conseguido, efetivamente, esse intento.
Nós vivíamos a conjuntura em que, no dia da diplomação do atual Presidente da República [Luiz Inácio Lula da Silva (PT)], a Polícia Federal foi depredada. Nós tivemos, nesse mesmo período, uma bomba que foi descoberta e desarmada antes de explodir no aeroporto de Brasília.
Portanto, nós vivíamos uma conjuntura tensa e de gravíssimas ameaças à democracia, às instituições e às pessoas. E, portanto, é preciso ter uma linha de conta que as decisões eram tomadas numa conjuntura extremamente adversa, em que se fazia uma campanha falsa, fraudulenta, contra as urnas eletrônicas, contra a legitimidade do processo eleitoral e, depois, contra a posse do Presidente da República eleito.
Portanto, todos os atos praticados pelo ministro Alexandre de Moraes se deram no cumprimento do dever. E nós, que o acompanhamos de perto, sabemos o custo pessoal e a coragem moral e física que exigiu enfrentar esse tipo de movimentação antidemocrática.
E o risco pessoal, quando nós aceitamos estar aqui, ainda é tolerável. Mas pior é o risco para a família, para a esposa, para os filhos, as ameaças, de modo que ninguém imagina a tensão, o desconforto e o tipo de coragem que é preciso ter para se opor ao extremismo de uma maneira geral, venha de onde vier com a sua intolerância, com as suas ameaças, com a tentativa de intimidar e, portanto, parte da reação que nós enfrentamos é porque não nos deixamos intimidar.
E, portanto, nós não podemos rever a história, esquecendo do que passou e do que tivemos que enfrentar nesse país, infelizmente, em ciclos de atraso, que nós achávamos que já havíamos superado.
E respeitando o papel da comunicação social, porque nós não temos nada a esconder, tudo aqui é transparente e, portanto, a preocupação não é o tipo de notícia que vem à luz do dia, porque ninguém aqui tem nada a esconder e o papel da imprensa é divulgar a notícia que parece interessante para o público.
Mas as interpretações equivocadas e as narrativas liberadas são questões que precisamos enfrentar. Portanto, a nossa dificuldade não é com a divulgação de nenhuma informação; isso não nos preocupa. Mas as interpretações erradas, essas sim, precisamos desfazer. E essa é a única razão pela qual estou tratando desse assunto. Todos nós precisamos refletir seriamente a quem se beneficia da construção de uma narrativa que procura descredibilizar aqueles que impediram que forças indesejáveis prevalecessem no Brasil naquele momento histórico trágico e muito difícil.
E respeitando o papel da comunicação social, porque nós não temos nada a esconder, tudo aqui é transparente e, portanto, a preocupação não é o tipo de notícia que vem à luz do dia porque ninguém aqui tem nada a esconder, e o papel da imprensa é divulgar a notícia que parece interessante para o público.
Mas as interpretações equivocadas e as narrativas de inverdades essas nós precisamos enfrentar. Portanto, a nossa dificuldade não é com a divulgação de nenhuma informação. Isso não nos preocupa, mas as interpretações erradas; essas nós precisamos desfazer. E essa é a única razão pela qual estou tratando desse assunto.
E todos nós precisamos refletir seriamente a quem aproveita a construção de uma narrativa que procura descredibilizar quem impediu que aquelas forças prevalecessem no Brasil naquele momento histórico, trágico e muito difícil“
Assista à fala na íntegra:
