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    China quer produzir mais soja, milho e carne em casa: o que muda para o Brasil até 2030

    — calculando —
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    China e Brasil - Soja e Milho

    📷 O presidente chinês Xi Jinping e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante visita do estadista à Pequim, em maio de 2025 / Foto: Xinhua/Yan Yan, Huang Jingwen, Yue Yuewei, Rao Aimin |•| Recorte URBS MAGNA

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Pequim (CN) / Brasília (DF)
    15 de agosto de 2026

    A China formalizou, em seu 15º Plano Quinquenal (2026-2030), a meta de produzir internamente mais soja, milho, carne e leite, reduzindo o peso das importações agrícolas.

    Como maior fornecedor desses produtos ao mercado chinês, o Brasil precisará se adaptar e diversificar destinos — mas deve seguir relevante para o abastecimento da China por, pelo menos, os próximos anos.

    O que Pequim definiu, segundo fontes chinesas

    O plano, aprovado ao final das chamadas Duas Sessões em março, elevou a segurança alimentar ao mesmo patamar estratégico da segurança energética e financeira.

    Segundo o Conselho de Estado, o governo chinês fixou como meta vinculante elevar a capacidade nacional de produção de grãos a cerca de 725 milhões de toneladas até 2030, conforme divulgou a agência oficial Xinhua.

    O documento também prevê estabilizar a produção de arroz e trigo e ampliar a capacidade de produção de milho e soja, além de fortalecer produtos da chamada “cesta de vegetais”, categoria que inclui carne e ovos.

    Entre as metas específicas, o plano busca elevar a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas para 85%, com investimento em biotecnologia e culturas geneticamente modificadas, segundo reportagem do People’s Daily Online, que citou um funcionário do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais.

    O órgão também estabeleceu 13 metas complementares relacionadas à produção de carne, tecnologia agrícola e desenvolvimento rural sustentável, de acordo com a mesma cobertura, replicada pela CCTV.

    A estratégia inclui ainda o que Pequim chama de “sistema alimentar diversificado”, que amplia fontes de proteína para além da agropecuária tradicional — usando micro-organismos, oceanos e florestas como frentes alternativas de produção, segundo consta do texto oficial do plano.

    A visão de um analista chinês sobre o papel do Brasil

    Apesar da meta de reduzir a dependência externa, analistas chineses ouvidos pelo jornal estatal Global Times reconhecem que a diversificação de fornecedores, e não o rompimento com eles, é o caminho mais provável no curto prazo.

    Zhou Zhiwei, especialista em estudos latino-americanos da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que “o Brasil poderia desempenhar um papel importante” na estratégia chinesa de diversificação de importações agrícolas.

    Reportagem mais recente do mesmo veículo, de agosto, mostrou que as importações chinesas de soja brasileira seguiam em alta: 12,08 milhões de toneladas em junho, avanço de 13,7% na comparação anual, conforme dados da mídia junto à Administração Geral de Alfândegas da China.

    O que dizem as fontes brasileiras: o tamanho do risco

    O professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da USP Ricardo Abramovay, ouvido pela reportagem do Correio Braziliense, pondera que a China não deve abandonar as importações brasileiras em prazo visível, mas passará a depender delas em grau decrescente à medida que investir em tecnologias substitutas de proteína vegetal.

    Levantamento da consultoria Systemiq, citado pelo Brasilagro, projeta queda de 25% nas importações chinesas de soja até 2030 — corte de 23,5 milhões de toneladas, quase um terço de tudo que o Brasil exportou ao país em 2024.

    A sócia e CEO no Brasil da consultoria, Patricia Ellen, avaliou que “não vemos um sentido de urgência no Brasil” para lidar com as novas diretrizes chinesas.

    Já o consultor Theo Paul Santana, fundador da consultoria Destino China, defendeu que o desafio brasileiro passa por agregação de valor, e não apenas volume: o setor precisa evoluir do “corte premium” e do produto processado, em vez de seguir vendendo commodity pura.

    O dado mais relevante não é a meta chinesa em si — ambiciosa, mas de execução lenta, como costuma ocorrer com planos quinquenais — e sim o contraste entre o discurso de urgência dos analistas independentes e a ausência de uma resposta estruturada por parte de setores do agronegócio brasileiro.

    Depender de um único comprador para mais de 70% da soja exportada é uma vulnerabilidade estratégica que antecede o plano chinês; a novidade de 2026 é que Pequim decidiu, de forma explícita e documentada, que pretende reduzir essa mesma dependência do lado de lá.

    FAQ Rápido

    O que exatamente a China quer reduzir?
    A dependência de importações de soja, milho, carne bovina e leite, ampliando a produção interna, segundo o 15º Plano Quinquenal (2026-2030).

    O Brasil vai parar de vender para a China?
    Não no curto prazo. Analistas de ambos os países avaliam que a China deve diversificar fornecedores gradualmente, sem abandonar o Brasil, que segue como principal parceiro comercial do setor.

    Qual o tamanho do risco para o agro brasileiro?
    Projeções apontam queda de até 25% nas importações chinesas de soja até 2030, o equivalente a cerca de 23,5 milhões de toneladas a menos por ano.

    Atualização:

    O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil ainda não se manifestou oficialmente sobre as metas do 15º Plano Quinquenal chinês.



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