Resposta de Pequim ao Comando Sul dos EUA destaca independência da América Latina e Caribe, criticando acusações de imposição de um modelo autoritário
Brasília, 25 de agosto de 2025
A China emitiu uma resposta contundente às recentes declarações do Comando Sul dos Estados Unidos, que acusou Pequim de promover um “modelo autoritário” na América Latina e Caribe.
Em comunicado, o governo chinês afirmou que “a América Latina e o Caribe não são quintal de ninguém”, rejeitando a ideia de que a região está sob influência exclusiva de qualquer potência global.
A declaração reforça a visão de Pequim de que os países latino-americanos têm o direito à autodeterminação e devem ser livres para estabelecer parcerias sem interferências externas.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da China, a cooperação com a América Latina é baseada em “igualdade e benefício mútuo”, com foco em desenvolvimento econômico e infraestrutura.
“Não buscamos esferas de influência ou visamos qualquer país”, afirmou um porta-voz da embaixada chinesa em Washington, em resposta às alegações americanas.
A China destacou que suas parcerias na região, como as promovidas pelo Fórum China-CELAC, visam fortalecer laços comerciais e de investimento, sem imposição de modelos políticos.
Declarações Chinesas Reforçam Narrativa de Cooperação Sul-SulFontes oficiais chinesas, como a agência de notícias Xinhua, relataram que, durante o Fórum China-CELAC realizado em Pequim em maio, o presidente Xi Jinping anunciou uma linha de crédito de 66 bilhões de yuans (cerca de US$ 9,2 bilhões) para projetos de infraestrutura na América Latina e Caribe.
O líder chinês enfatizou a importância de “promover a independência e a revitalização” da região, posicionando a China como um parceiro estratégico do Sul Global.
A CGTN, emissora estatal chinesa, destacou que a China busca “oposição ao unilateralismo e ao bullying econômico” em suas relações com a região.
Durante o evento, líderes como Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, e Gustavo Petro, presidente da Colômbia, participaram, sinalizando alinhamento com Pequim em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos.
A CGTN também informou que Xi Jinping prometeu aumentar as importações de produtos latino-americanos, incentivando investimentos de empresas chinesas na região.
A estratégia da China na América Latina é parte de uma visão de “cooperação ganha-ganha”, com ênfase em projetos como a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI).
O jornal destacou que a Colômbia aderiu à BRI em 2025, enquanto países como Haiti e Santa Lúcia, que ainda reconhecem Taiwan, enviaram representantes ao fórum, indicando interesse em estreitar laços com Pequim.
As acusações do Comando Sul dos EUA, liderado pelo General Laura Richardson, sugerem que a China estaria exportando um modelo de governança autoritária, apoiando regimes como os de Venezuela, Nicarágua e Cuba.
Em resposta, a China nega qualquer intenção de interferir em assuntos internos dos países latino-americanos, acusando os EUA de tentarem manter a região como seu “quintal” sob a lógica da Doutrina Monroe.
A Xinhua relatou que a China vê a América Latina como uma região estratégica para a construção de um “mundo multipolar”, onde países do Sul Global podem resistir a pressões de potências ocidentais.
A narrativa chinesa enfatiza que, ao contrário dos EUA, Pequim não impõe sanções ou condições políticas em suas parcerias comerciais, o que atrai governos regionais em busca de alternativas econômicas.
A resposta da China às críticas dos EUA reflete o crescente embate geopolítico na América Latina e Caribe, uma região que historicamente esteve sob forte influência americana.
A China tem investido bilhões em infraestrutura, como o megaprojeto do porto de Chancay, no Peru, financiado pela estatal chinesa COSCO.
Esses investimentos, segundo a CGTN, geraram milhares de empregos e aumentaram as exportações regionais, especialmente de commodities como soja e cobre.
No entanto, a China enfrenta críticas por supostamente priorizar regimes autoritários, como o de Nicolás Maduro na Venezuela, onde tecnologias de vigilância da ZTE têm sido usadas para monitorar cidadãos.
Apesar disso, Pequim insiste que suas ações são puramente econômicas e que a América Latina deve decidir seu próprio futuro, sem ser tratada como “quintal” de qualquer potência.








Os EUA tem regime autoritário no governo Trump tanto quanto a Venezuela com Maduro . Quem a diferença? Trump também não cumpre a constituição
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