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Líder do Banco Central Chinês defende ordem cambial multipolar – ACESSE E SAIBA MAIS
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Pequim, 18 de junho de 2025
Em um discurso marcante no Fórum Lujiazui, em Shanghai, o governador do Banco Popular da China (PBOC), Pan Gongsheng (foto), sinalizou uma transformação no cenário financeiro global. Ele defendeu a criação de um sistema monetário multipolar, onde o renminbi (yuan) terá um papel central, desafiando a hegemonia do dólar americano.
A iniciativa reflete os esforços da China para ampliar a influência de sua moeda e reduzir a dependência de sistemas financeiros ocidentais. “O futuro pode trazer um equilíbrio onde várias moedas soberanas coexistam e se complementem”, afirmou Pan.
A proposta de Pan Gongsheng surge em um contexto de tensões comerciais com os Estados Unidos, agravadas por tarifas impostas pelo presidente Donald Trump. A China busca fortalecer o yuan digital (e-CNY), com planos de criar um centro internacional de operações em Shanghai.
Essa estratégia visa facilitar transações transfronteiriças e atrair bancos estrangeiros, como Standard Bank e First Abu Dhabi Bank, para o sistema de pagamentos CIPS, baseado no yuan. “A tecnologia digital expôs fragilidades nos sistemas tradicionais de pagamento”, destacou o governador.
Apesar das ambições, a China enfrenta desafios. Controles rígidos de capital limitam a conversibilidade do renminbi, dificultando sua adoção global. Mesmo assim, a moeda já ganha espaço em países como Rússia, Paquistão e nações da Ásia e África, especialmente via a Iniciativa Cinturão e Rota.
A inclusão do yuan na cesta de Direitos Especiais de Saque (SDR) do FMI, em 2016, reforça sua legitimidade. Contudo, analistas alertam que o dólar ainda domina o comércio internacional, com 30% dos títulos do Tesouro americano detidos por estrangeiros em 2023.
O discurso de Pan também reflete preocupações com a estabilidade econômica doméstica. Dados recentes mostram que as vendas no varejo em maio de 2025 cresceram 6,4%, impulsionadas por subsídios governamentais.
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No entanto, a incerteza gerada pela guerra comercial com os EUA pressiona o setor exportador. “A desvalorização brusca do yuan seria arriscada para a confiança do mercado”, alertou um conselheiro do PBOC.
A China aposta em medidas como redução de compras de dólares por bancos estatais para manter a estabilidade.
A visão de um sistema financeiro multipolar ganhou eco em outras regiões. Autoridades europeias, como o ex-presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, defendem maior uso do euro como moeda de reserva.
Enquanto isso, a China intensifica parcerias com países do Sul Global, promovendo o yuan em acordos bilaterais. “Não estamos globalizando o renminbi no sentido ocidental, mas regionalizando-o”, explicou Dan Wang, economista do Eurasia Group.
A China sabe que destronar o dólar é uma tarefa árdua. A moeda americana ainda é usada em 80% das transações globais, segundo dados do SWIFT.
Além disso, a liquidez de ativos em euro e iene é limitada, dificultando a diversificação de reservas. Mesmo assim, a China avança com o e-CNY, testado em quatro cidades desde 2020, e busca reduzir riscos geopolíticos, como sanções americanas vistas contra a Rússia.
O futuro do renminbi dependerá da habilidade da China em equilibrar abertura financeira e controle estatal. Por enquanto, a mensagem de Pan Gongsheng é clara: a era do domínio absoluto do dólar pode estar com os dias contados. Resta saber se o yuan conseguirá preencher esse espaço.












