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China abre portas para café brasileiro após tarifas dos EUA: 183 empresas liberadas

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    O presidente
    O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping / Foto: AP | Entre os dois líderes, o estadista Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) / Foto: Ricardo Stuckert | Sobreposição de imagens


    Decisão de Pequim impulsiona o agronegócio ao mesmo tempo em que fortalece laços comerciais com a Ásia



    Brasília, 04 de agosto de 2025

    Em um movimento estratégico para o agronegócio brasileiro, a China anunciou a habilitação de 183 empresas brasileiras para exportar café ao seu mercado, uma decisão que entrou em vigor em 30 de julho de 2025, conforme divulgado pela Embaixada da China no Brasil em suas redes sociais.

    A medida, válida por cinco anos, foi compartilhada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e ocorre em resposta à tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, incluindo o café, a partir de 6 de agosto de 2025.

    A ação chinesa é vista como uma oportunidade para ampliar a presença do café brasileiro na Ásia, onde o consumo per capita de café é baixo, apenas 16 xícaras por ano, contra a média global de 240 xícaras.

    A tarifa americana, oficializada por Donald Trump, atinge diretamente o café brasileiro, que representa 30% do mercado norte-americano, com exportações de 3,3 milhões de sacas nos primeiros seis meses de 2025, conforme dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    A China, por outro lado, importou apenas 538 mil sacas no mesmo período, mas acordos com redes como a Luckin Coffee sinalizam crescimento.

    A Administração Aduaneira Geral da China também liberou 30 empresas para exportar gergelim e 46 para farinhas de aves e suínos, ampliando as oportunidades para o Brasil, que enfrenta incertezas com a taxação americana, conforme mostrou a agência de notícias Reuters.

    O setor cafeeiro brasileiro, liderado pelo Cecafé, vê na decisão chinesa uma chance de diversificar mercados, especialmente porque o café pode ser estocado por até oito meses sem perder qualidade, permitindo negociações futuras.

    A China criticou as tarifas americanas, com a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, chamando-as de “coerção” em 11 de julho.

    A medida chinesa fortalece laços comerciais com o Brasil, que já é o maior fornecedor de café arábica para os EUA, mas agora busca na Ásia uma alternativa para mitigar perdas estimadas em até US$ 2 bilhões com o “tarifaço“.

    A abertura do mercado chinês é um alívio para o agronegócio brasileiro, que enfrenta desafios com a dependência dos Estados Unidos, segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.

    Produtores agora planejam estratégias logísticas para atender às exigências asiáticas, enquanto o governo brasileiro, liderado por Lula, promete retaliar as tarifas americanas com base na Lei da Reciprocidade Econômica.

    A habilitação das 183 empresas é um passo para reposicionar o Brasil no mercado global de café, aproveitando o crescente interesse chinês pela bebida e reduzindo os impactos das tensões comerciais com os EUA.



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