República Popular exige cessar-fogo imediato dos EUA e Israel contra o Irã; diplomacia de Pequim intensifica esforços para contenção de conflito regional enquanto evacuações e retaliações prosseguem
Brasília (DF) · 02 de março de 2026
A China emergiu como voz proeminente pela pacificação no cenário de escalada abrupta no Oriente Médio, condenando veementemente os ataques conjuntos realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã.
Os bombardeios, iniciados em sábado (28/fev), resultaram na morte do Líder Supremo iraniano, Ayatollah Ali Khamenei, e de dezenas de altos oficiais, incluindo o secretário do Conselho de Defesa, Ali Shamkhani, o comandante das Forças Terrestres da Guarda Revolucionária Islâmica, Major General Mohammad Pakpour, e o ministro da Defesa, Brigadier General Aziz Nasir Zadeh.
Relatos de fontes como Al Jazeera confirmam que os alvos incluíram complexos governamentais em Teerã, Qom, Isfahan, Kermanshah e Karaj, com explosões relatadas em múltiplas cidades, provocando retaliações iranianas contra bases americanas no Golfo Pérsico e territórios israelenses.
A operação, batizada por Israel como Operação Leão Rugidor, foi descrita por autoridades israelenses como uma ação coordenada planejada há meses, visando decapitar a liderança iraniana e destruir instalações militares.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a ofensiva como uma “grande operação de combate” destinada a “eliminar ameaças do regime iraniano“, prometendo a aniquilação da indústria de mísseis e da marinha do Irã, conforme registrado pelo The New York Times.
Em resposta, o Irã lançou centenas de mísseis e drones, atingindo Israel e aliados no Golfo, com relatos de baixas americanas – três militares dos EUA mortos em Kuwait.
Diante dessa conflagração, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, conduziu uma série de conversas telefônicas urgentes nesta segunda-feira (02/mar).
Em diálogo com o chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, Wang reafirmou o apoio de Pequim à soberania, segurança e integridade territorial do Irã, valorizando a “amizade tradicional” entre as nações. “China apoia o Irã em salvaguardar sua soberania, segurança, integridade territorial e dignidade nacional”, destacou Wang, conforme publicado pela Global Times.
Araghchi, por sua vez, criticou os ataques como uma violação do direito internacional, afirmando que “os EUA lançaram guerra contra o Irã pela segunda vez durante negociações Irã-EUA”.
Em paralelo, Wang conversou com o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noel Barrot, enfatizando que potências com superioridade militar não devem atacar arbitrariamente outras nações, advertindo contra um retorno à “lei da selva“.
“Países importantes não devem usar sua vantagem militar para lançar ataques arbitrários contra outras nações”, declarou, segundo a Global Times.
Barrot observou que os ataques ocorreram sem autorização do Conselho de Segurança da ONU, sublinhando a responsabilidade compartilhada de França e China como membros permanentes.
Ainda, Wang dialogou com o chanceler omanense, Sayyid Badr bin Hamad Al Busaidi, elogiando o papel mediador de Omã em negociações prévias Irã-EUA, que haviam progredido até serem abandonadas.
“Com a mediação de Omã, as conversas Irã-EUA fizeram progressos sem precedentes, mas é lamentável que os EUA e Israel abandonassem os avanços e lançassem uma guerra”, disse o omanense, conforme Global Times.
Wang reiterou a necessidade de um cessar-fogo imediato para evitar a propagação do conflito, violando a Carta das Nações Unidas.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, refutou relatos de um suposto acordo para venda de mísseis supersônicos anti-navio CM-302 ao Irã, qualificando-os como “não verdadeiros” e opondo-se a “associações maliciosas“.
“Como um grande país responsável, a China sempre cumpre suas obrigações internacionais”, afirmou em coletiva nesta segunda-feira (02/mar), conforme Global Times.
Em meio à instabilidade, a Embaixada Chinesa em Israel abriu registro para evacuação e realocação de nacionais chineses no domingo (01/mar), recomendando afastamento de áreas como Tel Aviv central, Haifa, Jerusalém e infraestruturas sensíveis, ou saída via fronteira Taba para o Egito.
A embaixada alertou que “Israel continua sujeito a ataques de mísseis e drones, e a situação de segurança permanece grave”, com possibilidade de deterioração.
Similarmente, embaixadas chinesas no Irã, Iraque, Turquia e Azerbaijão auxiliaram saídas via fronteiras terrestres, sem registro de vítimas chinesas até o momento, conforme Global Times.
A posição inicial da China foi articulada no sábado (28/fev) por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, expressando “alta preocupação” e pedindo o fim imediato das operações militares para evitar escalada, retomando diálogo e preservando a estabilidade regional, segundo Global Times.
Essa postura reflete o compromisso de Pequim com o multilateralismo, contrastando com a unilateralidade dos ataques, e busca mitigar impactos globais, incluindo interrupções em voos e fronteiras no Oriente Médio.
Relatos recentes da Reuters indicam que os bombardeios prosseguem, com novas ondas em Teerã e baixas americanas confirmadas.

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