Texto proposto visava substituir a atual Carta Magna que remonta à ditadura – “Então, amigos do Chile, descubram alguns desses bons vinhos para vocês comemorarem”, sugeriu cientista político argentino, após afirmar que seu país sobre com Milei – ASSISTA
O Chile rejeitou a proposta de uma nova Constituição em plebiscito realizado neste domingo (17/12), cujo texto proposto visava substituir a atual Carta Magna chilena, que remonta à ditadura do general Augusto Pinochet, que governou o país de 1973 a 1990.
Com 99,78% das urnas apuradas até às 22h, a opção contrária à mudança somava 55,76%, enquanto 44,24% queriam alterar o texto constitucional, mas, pela segunda vez, os chilenos o recusam.
Nas redes sociais, o sociólogo, politólogo, catedrático e escritor argentino, Atilio Alberto Borón, comemorou:
“Olá, quero mandar um grande abraço aos meus amigos do Chile por este grande triunfo da rejeição que tornou impossível e frustrante a possibilidade de que uma Constituição ultraconservadora, pior que a de Pinochet, deveria ser ratificada pelo povo chileno”, disse.
“Quero dizer que é um momento de muita alegria e quero espalhar essa alegria com todos vocês, porque se essa extrema direita tivesse vencido com aquela Constituição isso teria sido um desastre para o Chile. E não apenas para o Chile! Para nós aqui na Argentina. Com esse “tremendo” Governo [Milei] que caiu sobre nós, a situação na região teria realmente piorado consideravelmente”, completou.
“Então amigos do Chile, descubram alguns desses bons vinhos para vocês comemorarem”, sugeriu.
“Devemos travar uma grande batalha ideológica, uma educação política, mas o resultado foi extraordinariamente favorável. Estou feliz e espero espalhar essa felicidade para todos vocês”, afirmou.
“E para todos vocês um grande abraço e viva o Chile! “
Borón é doutor em Ciência Política pela Universidade de Harvard e Professor consultor da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires, além de pesquisador adscrito ao IEALC [Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe].
Assista à fala do sociólogo e leia mais depois:
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ASSISTA:
Gran derrota de la ultraderecha en Chile en el referendo constitucional. Gran noticia también para toda Latinoamérica. Te lo cuento en un minuto. Miralo y difundilo. pic.twitter.com/9vxZ8Sf9HW
— Atilio Boron (@atilioboron) December 18, 2023
Uma primeira tentativa de substituir a Constituição, dominada por forças de esquerda e independentes, também havia fracassado em setembro do ano passado.
Conforme divulgou a ‘CNN‘, este novo plebiscito fez parte do processo constituinte iniciado em 2020 após uma onda de protestos contra o alto custo de vida e a desigualdade que um ano antes abalou o país sul-americano.
O Conselho Constitucional, dominado por forças de direita, foi encarregado de redigir o texto. A proposta de Constituição foi considerada por alguns analistas como mais conservadora do que a da ditadura, e coloca em centro os direitos de propriedade privada e regras rígidas sobre imigração e aborto.
Os proponentes no início do processo esperavam que uma nova Constituição ajudasse a inaugurar uma era de unidade no Chile, após uma onda de insatisfação pública que gerou grandes manifestações em 2019 sobre o aumento da desigualdade e o estado precário dos serviços públicos.
Mas as prioridades mudaram para muitos chilenos em meio a uma forte desaceleração econômica, cansaço com o processo constitucional e descontentamento com o aumento da criminalidade.
Antes do plebiscito, o presidente Gabriel Boric disse que não pressionaria por uma terceira reformulação, mas poderia tentar emendar o texto atual.
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