Em Copacabana, contra as PECs da “Bandidagem” e da “Anistia“, idosos ícones da MPB unem gerações em uma resistência cultural contra os retrocessos legislativos que ameaçam a democracia brasileira, desde o surgimento de Bolsonaro – ASSISTA E SAIBA MAIS
Brasília, 21 de setembro de 2025
Em um domingo de sol radiante na icônica praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, dois gigantes da música brasileira, Chico Buarque, de 81 anos, e Gilberto Gil, de 82 anos, subiram ao trio elétrico para entoar hinos de resistência contra a “imoralidade legislativa” que assombra o Brasil.
O ato deste domingo (21/set) reuniu milhares de manifestantes – estimados em mais de um milhão pelos organizadores – em um “festival pela democracia” que ecoou por mais de 30 cidades brasileiras e até no exterior, como Londres e Berlim.
Ao lado de Caetano Veloso, Djavan, Maria Gadú, Marina Sena e o grupo Os Garotin, os artistas transformaram a orla em palco de denúncia às Propostas de Emenda à Constituição (PECs) da “Bandidagem” e da “Anistia”, vistas como tentativas de blindar parlamentares corruptos e perdoar os responsáveis pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Conscientes do delicado momento político vivido no Brasil, Chico e Gil – sobreviventes da ditadura militar e vozes eternas da luta por liberdades – assumiram o fardo de se expor publicamente.
Com idades avançadas, eles carregaram nas costas não só o peso de décadas de ativismo, mas também a responsabilidade de inspirar as novas gerações a defender a decência necessária ao país.
“Antes de qualquer pacificação, entre quem? Entre os golpistas, apoiadores da tortura?”, questionou Chico Buarque em declaração recente, reforçando que a anistia aos golpistas não pode ser negociada sem justiça plena.
Gilberto Gil, com sua guitarra em punho, cantou trechos de “Aquele Abraço”, simbolizando a recusa à impunidade.
A história em um só vídeo. Djavan, Chico, Caetano e Gil, o Brasil sempre será grato a vocês. pic.twitter.com/K2qhD1eUlj
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) September 21, 2025
Essa postura, em meio aos abusos da extrema-direita bolsonarista infiltrada no Congresso Nacional, como o PL (Partido Liberal) e aliados, destaca como os artistas veem na arte uma ferramenta vital para combater o retrocesso.
Chico Buarque e Gilberto Gil interpretaram Cálice, música lançada pelo primeiro em 1973, a qual faz alusão à oração de Jesus Cristo dirigida a Deus no Jardim do Getsêmane: “Pai, afasta de mim este cálice”.
Para quem lutava pela democracia, o silêncio também era uma forma de morte. Para os ditadores, a morte era uma forma de silêncio. Daí nasceu a ideia de Chico Buarque: explorar a sonoridade e o duplo sentido das palavras “cálice” e “cale-se” para criticar o regime instaurado.
ATENÇÃO, ISSO NÃO É UM TESTE:
— acervy chico buarque (@acervybuarque) September 21, 2025
Chico Buarque e Gilberto Gil cantando "Cálice"pic.twitter.com/1cFsPk6oet
O evento, organizado por coletivos como 342 Artes e Mídia Ninja, com apoio de centrais sindicais e movimentos como UNE e UBES, superou em público atos bolsonaristas recentes na mesma praia, segundo relatos de participantes.
Chico, Caetano, Gil, Paulinho da Viola, Lenine, Djavan, Iván Lins, Geraldo Azevedo, Maria Gadú, dentre outros, cantaram Apesar de Você, canção censurada por lidar implicitamente com a falta de liberdades durante a ditadura militar, tendo sida proibida de ser executada pelas rádios brasileiras pelo governo do general Emílio Garrastazu Médici.
Chico, Caetano, Gil, Paulinho da Viola, Lenine, Djavan, Iván Lins, Geraldo Azevedo, Maria Gadú contra la amnistía a los golpistas.
— Nacho Lemus (@LemusteleSUR) September 21, 2025
Apesar de você en el camión que cargó más peso en toda la historia de Brasil. pic.twitter.com/0YBCpLVukp
A antipolítica bolsonarista, que ganhou força com a chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2019, representa um dos capítulos mais sombrios da recente história brasileira.
Sob o lema de “nova política”, o ex-presidente e seus aliados promoveram um discurso de desmonte institucional, atacando o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e a imprensa como “inimigos”.
Essa retórica, alimentada por fake news e polarização, culminou nos eventos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores invadiram as sedes dos Três Poderes em Brasília, resultando em condenações como os 27 anos de prisão para Bolsonaro por tentativa de golpe.
Desde então, o que mudou no Brasil? Um país marcado por avanços sociais sob governos progressistas – como a redução da pobreza via Bolsa Família e políticas de inclusão racial e de gênero – regrediu em pautas essenciais.
Cortes drásticos em Educação e Saúde pública, com o Ministério da Educação enfraquecido e verbas para o SUS (Sistema Único de Saúde) reduzidas, atrasaram o desenvolvimento de gerações inteiras.
Ambientalmente, o desmatamento na Amazônia explodiu, contrariando compromissos globais, enquanto direitos LGBTQIA+ e indígenas foram sistematicamente ameaçados por projetos de lei discriminatórios.
Entre os motivos que saltam aos olhos, destaca-se o enfraquecimento da agenda de equidade social: programas de cotas raciais e para mulheres em universidades foram questionados, e a violência contra minorias cresceu 20% durante o mandato bolsonarista, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
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Economicamente, a inflação galopante e o desemprego recorde entre jovens negros expuseram a fragilidade de uma “economia liberal” que beneficiou elites.
Esses retrocessos, somados à infiltração de radicais no Congresso, pavimentaram o caminho para propostas como a PEC da Blindagem, aprovada em primeira votação na Câmara dos Deputados em 16 de setembro, que exige aval majoritário do Legislativo para processar parlamentares no STF – um escudo para investigados por corrupção.
Já o Projeto de Lei da Anistia, em regime de urgência, visa reduzir penas de golpistas, incluindo Bolsonaro, gerando alertas do Ministério da Justiça sobre infiltração do crime organizado nos parlamentos.
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu veto ao PL, chamando a PEC de “não uma coisa séria”.
Fontes, como a Folha de S. Paulo, capturaram o pulsar do evento, destacando o ensaio dos artistas e o coro de “sem anistia”, com cobertura em tempo real via X (antigo Twitter).
O Metrópoles transmitiu o show ao vivo, enfatizando a união de parlamentares como Glauber Braga (PSOL-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ).
A Agência Brasil reportou atos simultâneos em São Paulo (no MASP) e Belo Horizonte, com Fernanda Takai abrindo o palco mineiro.
Outras fontes alertaram para o “efeito cascata” da PEC, citando o ministro Ricardo Lewandowski.
Em suma, o protesto foi uma resposta à indignação nacional, herança da luta contra a ditadura. Vídeos virais nas redes sociais mostram Chico e Gil abraçados no palco.
Esse levante cultural não é mero espetáculo: é um grito por accountability em um Brasil que, pós-Bolsonaro, busca reconquistar sua alma democrática.
As manifestações convocadas pela esquerda neste domingo (21/set) colocam milhares nas ruas em todas as 27 capitais do país.
Nesse vídeo abaixo, na cidade do Rio de Janeiro, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Djavan cantam juntos “Alegria, Alegria“, de Caetano, música que simboliza a falta de amarras e um posicionamento fixo, sugerindo liberdade, mas também uma certa invisibilidade ou falta de identidade oficial perante a sociedade, especialmente no contexto de repressão política da época.
Manifestações convocadas pela esquerda colocam milhares nas ruas em todas as 27 capitais do país. Nesse vídeo a cidade do Rio de Janeiro, quando Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Djavam cantavam juntos em meio a manifestação. pic.twitter.com/0T2J2q5dwB
— Geopolítica Hoje (@GeopoliticaHoj) September 21, 2025







