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    “Deixe-me dizer-lhe, correndo o risco de parecer ridículo: um revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor”

    — calculando —
    Che Guevara com sua filha Hildita após a Revolução Cubana

    📷 Ernesto “Che” Guevara após o triunfo da Revolução Cubana, com sua filha primogênita Hilda Guevara (Hildita), fruto de seu primeiro casamento com a economista peruana Hilda Gadea |1959| Foto: autor não identificado / Arquivo Histórico

    RESUMO
    URBS MAGNA

    | Havana (CU)
    14 de junho de 2026

    Em 14 de junho de 2026, Ernesto “Che” Guevara completaria 98 anos.

    Quase seis décadas após sua morte nas montanhas da Bolívia, o médico argentino transformado em guerrilheiro continua sendo uma das figuras mais reconhecidas e debatidas da história contemporânea.

    Seu rosto estampado em camisetas, bandeiras, murais e cartazes tornou-se um dos símbolos políticos mais reproduzidos do planeta, transcendendo fronteiras ideológicas e gerando debates que permanecem vivos até hoje.

    Nascido em 14 de junho de 1928, na cidade de Rosário, na Argentina, Ernesto Guevara de la Serna cresceu em uma família de classe média e enfrentou desde a infância crises severas de asma.

    A doença marcou sua juventude, mas não o impediu de desenvolver intensa atividade intelectual, interesse por literatura, filosofia e política.

    Formou-se em Medicina pela Universidade de Buenos Aires em 1953.

    A FRASE

    “Deixe-me dizer-lhe, correndo o risco de parecer ridículo: um verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor”

    Esta é uma das citações mais famosas de Ernesto Che Guevara e ajuda a compreender uma dimensão menos conhecida de sua personalidade.

    A frase foi escrita em março de 1965, na carta conhecida como “O Socialismo e o Homem em Cuba”, enviada ao jornalista uruguaio Carlos Quijano, editor da revista Marcha.

    O texto foi publicado naquele mesmo ano e tinha como objetivo explicar como Che enxergava a construção de uma nova sociedade socialista após a Revolução Cubana.

    A passagem completa diz:

    Deixe-me dizer-lhe, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar em um revolucionário autêntico sem essa qualidade.

    Quando falava em “amor”, Che não se referia ao amor romântico. Ele falava de Amor pelos pobres; Solidariedade entre os povos; Compromisso com os explorados; Desejo de eliminar injustiças sociais; Disposição para sacrificar interesses pessoais em benefício coletivo.

    Na visão de Che, ninguém suportaria os sacrifícios da luta revolucionária apenas por ambição ou ódio.

    Segundo ele, um revolucionário enfrentava perseguições, prisão, fome, exílio e até a morte porque acreditava profundamente que estava lutando por pessoas que sofriam. Por isso, dizia que a motivação central deveria ser o amor à humanidade.

    Em 1965, Che já era uma figura mundial. Havia participado da Revolução Cubana ao lado de Fidel Castro, ocupado cargos importantes no governo cubano e representado Cuba em viagens internacionais.

    Porém, ele estava cada vez mais insatisfeito com a burocratização do socialismo e defendia uma postura revolucionária mais radical.

    No texto, Che argumentava que o socialismo não deveria ser construído apenas por incentivos materiais ou por interesses econômicos.

    Para ele, era necessário criar o chamado “homem novo”, alguém movido por consciência social, solidariedade e espírito coletivo. É nesse contexto que surge a famosa frase sobre o amor.

    Muitas pessoas o associam apenas ao guerrilheiro armado, às batalhas e à luta revolucionária. Mas essa frase revela uma faceta diferente: o intelectual; o idealista; o homem que acreditava em uma transformação moral da sociedade.

    Ela passou a ser reproduzida em livros, discursos, documentários, murais e movimentos sociais em todo o mundo.

    A frase também é alvo de críticas. Admiradores afirmam que ela demonstra que Che era movido por ideais humanistas e pela defesa dos pobres.

    Já críticos argumentam que existe uma contradição entre falar de amor e participar de uma revolução armada que envolveu prisões, julgamentos e execuções após a tomada do poder em Cuba.

    Por isso, a frase continua sendo debatida até hoje. Para uns, ela representa o idealismo revolucionário. Para outros, simboliza o contraste entre os ideais proclamados e os métodos utilizados por movimentos revolucionários do século XX.

    Mais de 60 anos depois, continua sendo uma das frases políticas mais reproduzidas do mundo e uma das mais associadas ao nome de Ernesto Che Guevara.

    ERNESTO CHE GUEVARA

    Durante viagens realizadas pela América Latina ainda como estudante, Guevara teve contato direto com a pobreza, a desigualdade social e as dificuldades enfrentadas por trabalhadores rurais e populações indígenas.

    Essas experiências contribuíram para moldar sua visão política e sua aproximação com ideias marxistas e revolucionárias.

    Posteriormente, passou pela Guatemala durante o governo de Jacobo Árbenz, episódio considerado decisivo para sua radicalização política após a queda do governo guatemalteco.

    O encontro que mudaria sua vida ocorreu no México, em 1955, quando conheceu os irmãos Fidel e Raúl Castro.

    Guevara aderiu ao Movimento 26 de Julho, que pretendia derrubar a ditadura de Fulgencio Batista em Cuba.

    Em novembro de 1956, embarcou no iate Granma ao lado dos revolucionários cubanos rumo à ilha.

    Após anos de combates na Sierra Maestra, destacou-se como estrategista militar e comandante guerrilheiro.

    A vitória da Revolução Cubana em janeiro de 1959 transformou Che em uma das principais lideranças do novo governo.

    Recebeu cidadania cubana e ocupou diversos cargos importantes, incluindo a presidência do Banco Nacional de Cuba e o Ministério das Indústrias.

    Nesse período, tornou-se um dos principais formuladores das políticas econômicas e da projeção internacional da revolução.

    Sua vida pessoal também ganhou notoriedade. Após o fim de seu primeiro casamento com a economista peruana Hilda Gadea, Che casou-se com a revolucionária cubana Aleida March, que havia participado da luta contra Batista.

    O casal teve quatro filhos e permaneceu junto até a morte do guerrilheiro em 1967.

    Ao longo dos anos 1960, Guevara tornou-se um dos principais defensores da expansão dos movimentos revolucionários pelo chamado Terceiro Mundo.

    Autor de livros e ensaios sobre guerrilha e socialismo, defendia a criação de focos revolucionários capazes de desafiar governos considerados aliados do imperialismo.

    Sua obra influenciou movimentos armados em diversos países da América Latina, África e Ásia.

    Entretanto, sua trajetória permanece cercada por controvérsias. Admiradores o descrevem como um idealista disposto a sacrificar a própria vida em defesa de seus princípios e da luta contra desigualdades sociais.

    Críticos apontam sua participação em julgamentos e execuções realizadas após a Revolução Cubana, além de seu apoio a regimes de orientação comunista.

    Essas divergências explicam por que Che continua sendo uma figura capaz de despertar paixões e rejeições em igual intensidade.

    Em meados da década de 1960, afastou-se gradualmente das funções de governo em Cuba.

    Convencido de que a revolução deveria se expandir internacionalmente, participou de missões na África, incluindo uma fracassada tentativa de apoiar guerrilheiros no Congo.

    Depois, voltou sua atenção para a América do Sul.

    Em 1966, entrou secretamente na Bolívia utilizando identidade falsa. Seu objetivo era criar um movimento guerrilheiro capaz de irradiar uma revolução continental.

    Porém, encontrou dificuldades para obter apoio local, enfrentou problemas logísticos e viu sua força ser gradualmente cercada pelo Exército boliviano, que contava com apoio e treinamento dos Estados Unidos.

    No dia 8 de outubro de 1967, após meses de perseguição, foi capturado ferido na região de Quebrada del Yuro.

    Levado para a pequena escola de La Higuera, foi executado no dia seguinte por militares bolivianos.

    Tinha apenas 39 anos. Sua morte rapidamente repercutiu em todo o mundo e contribuiu para consolidar a imagem de mártir revolucionário que o acompanha até hoje.

    Trinta anos depois, em 1997, restos mortais identificados como pertencentes a Che Guevara foram transferidos da Bolívia para Cuba e enterrados em um mausoléu na cidade de Santa Clara, palco de uma das batalhas decisivas da Revolução Cubana.

    Mesmo após quase 60 anos de sua morte, o legado de Che permanece objeto de disputa histórica e política.

    Enquanto setores da esquerda o apresentam como símbolo da luta anti-imperialista e da justiça social, críticos o associam ao autoritarismo e às experiências revolucionárias fracassadas do século XX.

    Na própria Bolívia, debates recentes demonstram que sua memória continua influenciando discussões sobre identidade nacional, história e política latino-americana.

    Aos 98 anos de seu nascimento, Ernesto Che Guevara continua sendo mais que um personagem histórico.

    Para admiradores, representa coragem revolucionária e compromisso ideológico. Para opositores, simboliza os excessos das revoluções armadas.

    Entre o homem real e o mito construído ao longo das décadas, permanece uma das figuras mais influentes, estudadas e controversas da história política mundial.

    Essa versão já está em formato de reportagem especial, com mais profundidade histórica e factual do que o artigo original.

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    FAQ Rápido

    Quem foi Ernesto Che Guevara?
    Médico argentino nascido em 1928 que se tornou comandante da Revolução Cubana e defensor do internacionalismo revolucionário.

    Por que Che Guevara deixou Cuba em 1965?
    Buscava expandir a revolução para outros países da América Latina e África, priorizando a luta contra o imperialismo além das fronteiras cubanas.

    Qual o principal legado de Che Guevara?
    Sua imagem e pensamento continuam inspirando movimentos por justiça social e soberania popular, embora sua atuação em tribunais e políticas econômicas gere debates históricos até hoje.

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