“O estoque de indecisos, brancos e nulos (5%) não é suficiente para cacifar a virada. Quem vota em Lula, não vota em Bolsonaro. E vice-versa, diz Dawisson Belém Lopes
O professor de Política Internacional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Dawisson Belém Lopes, afirma que as chances do ex-presidente LULA vencer a eleição presidencial “seguem consideravelmente mais altas” do que as do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo ele, “quem vota em LULA, não vota em Bolsonaro e vice-versa“. E além disso, o “estoque de indecisos/brancos/nulos (5%) não é suficiente para cacifar a virada“. Assim, “na atual velocidade e escala, não haverá ultrapassagem. Bolsonaro teria de acelerar“, disse.
Leia abaixo sua análise feita no Twitter: “Um conjunto de ponderações sobre o atual estado da disputa eleitoral no Brasil“ .
“Entre as empresas que fizeram pesquisas no primeiro turno, as seguintes mantiveram-se mais ou menos consistentes na direção/sentido: Atlas, Datafolha, FSB, MDA, Ideia, Ipec, Ipespe, PoderData, Quaest. As demais, ou não fizeram levantamentos sistemáticos, ou mudaram de direção no meio do caminho. Opto por não considerá-las em meus exercícios de análise. Entre as consistentes, a diferença entre LULA e Bolsonaro, em votos totais, varia, hoje, entre 4 e 6 pontos percentuais.
A 10 dias da batalha final, ainda existe uma barreira de 5 milhões de votos, numa projeção conservadora, interpondo LULA e Bolsonaro. As últimas pesquisas dão tendência, muito lenta e incremental, de redução da margem. Na atual velocidade e escala, não haverá ultrapassagem. Bolsonaro teria de acelerar. Aqui começa o problema: os votos que serviram para reduzir levemente a margem vieram, segundo as pesquisas, menos de LULA e mais de indecisos, brancos e nulos.
O estoque de indecisos, brancos e nulos (5%) não é suficiente para cacifar a virada. Quem vota em LULA não vota em Bolsonaro. E vice-versa. Há raríssimos casos de conversão. No geral, é isto aqui que o Jairo Nicolau apresenta, com números do primeiro turno: (veja abaixo e leia mais a seguir)
Se não há estoque de votos de indecisos, brancos e nulos, e se não há muita chance de viragem de voto, qual pode ser a carta na manga do bolsonarismo? As abstenções, claro. Mas notem, também, que aqui o jogo é menos simples para Bolsonaro do que parece. Segundo simulação feita pela Quaest, a distorção, no primeiro turno, foi da ordem 6:4. Em números aproximados, cada ponto adicional de abstenção, a partir do patamar já alto de 21% (primeiro turno), tiraria 0,2 pontos percentuais da vantagem de LULA. Se bater em absurdos 25%, reduz 1 ponto na margem.
Há também atenuantes: não houve mobilização no primeiro turno, do lado de LULA, contra a abstenção. Parece já ter havido do lado bolsonarista. Além disso, há a dificuldade imposta pelo feriado de 2 de novembro. Não creio em impacto significativo, mas, se houver, é contra Bolsonaro. Ou seja: ainda que seja incrível que estejamos, a esta altura do campeonato, ainda considerando a real hipótese de vitória de Bolsonaro (e é incrível mesmo), as chances de LULA seguem altas. Consideravelmente mais altas.
A 10 dias do fim de um longo ciclo, há que seguir fazendo campanha. Mas é FUNDAMENTAL cuidar da logística antiabstenção. De aspectos institucionais (prefeituras) a caronas solidárias a parentes/amigos (sociedade civil), esta será a última fronteira da disputa”.
