O presidente Jair Bolsonaro em foto de Isac Nóbrega/PR
Bolsonaro é o “maior inimigo de si mesmo. O capitão rebelde nunca teve um plano bem acabado para qualquer coisa”, diz o jornalista
“Jair Bolsonaro consolidou a posição de maior inimigo de si mesmo e suas chances de derrotar Lula estão diminuindo. As de promover um golpe também. O capitão rebelde nunca teve um plano bem acabado para qualquer coisa, limitando-se às improvisações táticas. Só deu certo em 2018, quando surfou uma onda que até hoje não entendeu“, escreve o jornalista e apresentador do Jornal da CNN em seu espaço no Estadão, nesta quinta-feira (19/5).
O jornalista não concorda com a tática usada nas redes sociais, que supõe “que o “engajamento” de seguidores em temas barulhentos como ataques ao Judiciário significa apoio político decisivo para “emparedar” os juízes“.
“A conjuntura se estabilizou contra Bolsonaro, e ela é menos volátil do que o barulho do noticiário sugere. Não há apoio político do Centrão para esse tipo de aventura“, escreve Waack.
“Caciques partidários não estão interessados em bagunça, e servem-se de Bolsonaro para consolidar seu inédito poder sobre o orçamento público“, diz o colunista no jornal. “Tampouco nas Forças Armadas, especialmente comandantes de tropas“, completa.
“O “grande capital”, como se dizia antigamente, despediu-se há tempos de Bolsonaro, e segmentos relevantes da indústria, finanças e varejo colocaram Lula no centro dos seus cenários (que já são de curto prazo)“, observa o jornalista.
“Os agentes econômicos relevantes não sabem com certeza o que esperar de Lula, mas têm certeza de que não há muito a esperar de Bolsonaro“, diz Waack.
Pra piorar, Bolsonaro é incapaz “de apresentar qualquer “plano” de combate à inflação e, em curtíssimo prazo, da subida dos preços de combustíveis, fatores que provocam imensa corrosão no cacife eleitoral de qualquer governo em qualquer lugar“, diz Waack.
