Obras superfaturadas e recursos desviados eram facilitados por interlocutores que manipulavam a liberação de verbas para projetos previamente selecionados
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A CGU (Controladoria-Geral da União), a PF (Polícia Federal), o MPF (Ministério Público Federal e a RFB (Receita Federal do Brasil), com o apoio da HSI (Homeland Security Investigations – Agência Americana de Investigações de Segurança Interna), deflagraram nesta terça-feira (10/12) a Operação Overclean e desmontaram um esquema que desviou R$ 1,4 bilhão de emendas.
O alvo foi uma orcrim (organização criminosa) envolvida em fraudes licitatórias, desvios de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. O esquema ilícito impactou diretamente o DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), na CESTBA (Coordenadoria Estadual da Bahia), além de outros órgãos públicos, informou a CGU.
As investigações apontam que a orcrim direcionava recursos públicos provenientes de emendas parlamentares e convênios para empresas e indivíduos ligados a administrações municipais.
O esquema envolvia superfaturamento em obras e desvios de recursos, facilitados por interlocutores que manipulavam a liberação de verbas para projetos previamente selecionados.
A atuação do grupo era estruturada em operadores centrais e regionais que cooptavam servidores públicos para obter vantagens ilícitas, tanto no direcionamento quanto na execução de contratos.
Após a celebração dos contratos fraudulentos, as empresas envolvidas superfaturavam valores e aplicavam sobrepreços, repassando propinas por meio de empresas de fachada ou métodos que ocultavam a origem dos recursos.
A lavagem de dinheiro era realizada de forma sofisticada, incluindo o uso de empresas de fachada controladas por “laranjas”, utilizadas para movimentar os valores ilícitos, além de empresas com grande fluxo de dinheiro em espécie, que mascaravam a origem dos recursos desviados.
Durante o período investigado, a organização movimentou aproximadamente R$ 1,4 bilhão. Apenas em 2024, celebrou contratos no valor de R$ 825 milhões com diversos órgãos públicos.
Até o momento, a CGU identificou um superfaturamento parcial de mais de 8 milhões nos processos analisados em contratação de obras com o DNOCS.
A Operação Overclean cumpriu 43 mandados de busca e apreensão, 17 mandados de prisão preventiva e ordens de sequestro de bens nos estados da Bahia, Tocantins, São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
A CGU, por meio da OGU (Ouvidoria-Geral da União), mantém a plataforma Fala.BR para o recebimento de denúncias e pede informações sobre esta operação ou sobre quaisquer outras irregularidades.
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