Bloco político descarta candidatura do deputado que caminha para se tornar inelegível tal qual o pai, podendo também ser até preso
Brasília, 28 de agosto de 2025
O bloco político conhecido como Centrão parece ter virado as costas para o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que enfrenta um cenário político cada vez mais delicado.
Com a possibilidade de se tornar inelegível, assim como seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e até mesmo de ser preso devido a investigações em curso, Eduardo é visto pelo grupo como uma aposta arriscada, ou em “uma canoa furada”.
Em vez disso, o Centrão está direcionando seu apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que emerge como uma alternativa viável para disputar a Presidência em 2026 contra o “imbatível” Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A movimentação do Centrão reflete uma estratégia pragmática. Segundo o Estadão, a percepção entre aliados de Bolsonaro é que, enquanto o ex-presidente enfrenta restrições judiciais, como prisão domiciliar e uso de tornozeleira eletrônica, Tarcísio ganha terreno com discursos de alcance nacional.
Durante evento em Brasília no dia 25 de agosto, organizado pelo Republicanos, o presidente do partido, Marcos Pereira, destacou o governador como potencial candidato ao Planalto, sinalizando a preferência do bloco por um nome menos polarizado e com menor risco jurídico.
Eduardo Bolsonaro, por sua vez, enfrenta críticas até mesmo dentro do círculo bolsonarista.
Sua articulação nos Estados Unidos para pressionar por sanções contra o Judiciário brasileiro gerou atritos com aliados como Tarcísio e Ratinho Júnior, governador do Paraná.
Em uma troca de mensagens exposta pela Polícia Federal, Eduardo chegou a atacar o governador de São Paulo, chamando-o de “ingrato” por não apoiar abertamente a anistia aos investigados pelo 8 de janeiro, uma pauta cara ao clã Bolsonaro.
Essa postura tem isolado o deputado, que vê seu espaço político encolher diante da ascensão de Tarcísio.
Pesquisas recentes reforçam a força de Lula na corrida presidencial. Um levantamento do Datafolha, publicado em 2 de agosto, indica que o presidente lidera todos os cenários de primeiro turno, com 39% contra 33% de Bolsonaro – que, apesar de inelegível até 2030, ainda é testado em sondagens.
Contra Tarcísio, Lula mantém vantagem, mas o governador aparece como o nome mais competitivo da direita, com apenas 17% de rejeição, em contraste com os 44% de Bolsonaro e 36-38% de seus filhos.
Bolsonaro mantém capital político, mas a inelegibilidade e os processos judiciais abrem espaço para nomes como Tarcísio.
Além disso, a crise envolvendo Bolsonaro se intensificou com seu indiciamento pela Polícia Federal em um inquérito que investiga um suposto plano de golpe, incluindo um complô para assassinar Lula, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.
Eduardo Bolsonaro é investigado por coação e tentativa de interferir no STF, o que pode levar à sua inelegibilidade ou até prisão.
Enquanto o Centrão se distancia do clã Bolsonaro, Tarcísio adota uma postura cautelosa. O governador negou planos de candidatura presidencial, enfatizando sua gestão em São Paulo.
Contudo, sua presença em eventos com líderes do Centrão e sua crítica ao governo Lula sinalizam ambições maiores, ainda que veladas.
A rejeição ao “bolsonarismo raiz” representado por Eduardo e a aposta em Tarcísio refletem a busca do Centrão por um nome que una a direita sem o peso dos escândalos judiciais.







