Dirigentes avaliam que o presidente já era, caso o governo não consiga reduzir os preços dos combustíves
Núcleo do Centrão dá como certa a derrota de Bolsonaro, caso o governo não consiga baixar o preço dos combustíveis. Despencando nas pesquisas, presidente está desacreditado e seu plano de recuperação foi até batizado por dirigentes como “It’s now or never” (É agora ou nunca).
Líderes do grupo entendem que a recuperação de Bolsonaro somente pode se dar via mudanças que possam causar alguns sentimentos nos eleitores, como alívio com a redução do preço dos combustíveis, sensação de que já podem voltar a quitar suas dívidas e a de ter a normalização do consumo, mas tendo o presidente como o responsável por esta melhora.
Como o tempo é curto para o que precisa ser feito, o grupo já trata com ironia o resultado da eleição. Integrantes do Centrão dizem que terão de ser governo de qualquer jeito, “até mesmo com Lula”, informa o jornalista Felipe Frazão, do Estado de S. Paulo.
“Se não resolver o problema dos combustíveis, ele só cai. Bolsonaro está descendo a ladeira, como já desceu com os caminhoneiros e tantos outros setores da economia que não cumpriu o que prometeu”, disse o deputado Nereu Crispim (PSD-RS), segundo a transcrição no jornal. “Os caminhoneiros ele não tem mais, já era”.
Crispim diz que vale gás ou vale combustível “é um show dele para não se responsabilizar com o que se comprometeu na campanha. Está beneficiando somente os investidores na bolsa e os lobistas que importam combustível, comprometido com os ricos, com os bancos, com essa inflação de dois dígitos”.
“Se faltar óleo diesel, vai ser uma revolução. Imagine parar o campo, o transporte coletivo, se isso acontecer esquece a reeleição dele”, afirmou o deputado José Nelto (Progressistas-GO).
O deputado Wellington Roberto (PL-PB) disse que “se for fazer queda de braço quem perde é o mais pobre. Precisa de esforço conjunto e deixar o problema da eleição para depois“.
Diante do quadro negativo contra Bolsonaro, o Centrão cogita o novo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), virtual vitorioso no cenário traçado por aliados do presidente.
O texto diz que um dos elos do grupo para justificar o ato de reatar com LULAa, caso ele vença, tende a ser o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), que foi apoiado pelos caciques do bloco em 2018 e tem posições mais liberais.
