Equipe do Presidente eleito tem feito elogios aos aliados de Bolsonaro, que participam da transferência de goveno
De forma reservada, lideranças do Centrão já admitem que a chamada “PEC da “transição” com a manutenção de R$ 600 do Auxílio Brasil para 2023 será aprovada. Há o reconhecimento de que ficará muito difícil o Congresso explicar para o eleitorado caso o benefício seja reduzido para R$ 405, valor previsto para o Orçamento do próximo ano.
“Se aprovamos a PEC eleitoral para aumentar o benefício para esse ano, não há condições políticas para tirar esse valor em 2023. Ficaria muito ruim até mesmo para o presidente Bolsonaro, que prometeu a manutenção de R$ 600 para o Auxílio”, disse ao Blog de Gerson Camarotti um influente líder do Centrão.
Esse mesmo raciocínio é feito pela atual oposição que está conduzindo a transição no Legislativo. “Politicamente, não há como o Congresso derrubar o valor de R$ 600”, disse o deputado José Guimarães (PT-CE).
Nesta quinta-feira (03/11), a equipe de transição do presidente eleito, LULA, acertou com o relator do Orçamento, senador Marcelo Castro (MDB-PI) a apresentação da “PEC da transição”. O argumento é que a PEC é necessária para evitar um apagão social. Mas a equipe de transição reconhece que durante a tramitação mudanças podem ser feitas.
Apesar do consenso que começa a ser criado em torno da PEC da transição, o PT já admite que o maior desafio será derrubar o teto de gastos no próximo ano, já com um novo Congresso.
Essa foi uma bandeira de campanha de Lula durante a eleição. Mas haverá forte resistência da futura base bolsonarista no Legislativo.
Segundo Valdo Cruz, em seu blog, a equipe de Lula tem elogiado a atuação de integrantes do Centrão sobre a PEC. Segundo o texto do jornalista, um interlocutor de Lula lembrou que, se a Casa Civil ainda estivesse sob o comando de um militar, como foi na época de Braga Netto, o clima, com certeza, seria outro. Os principais elogios vão para o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e também para o presidente da Câmara, Arthur Lira.
Os dois procuraram, logo após a eleição, dar sinais de que não havia nenhum espaço para qualquer tentativa para questionar o resultado das urnas. O Centrão também está fazendo elogios a Lula nos bastidores.
A decisão do presidente eleito de que o PT ficará fora da disputa pela presidência da Câmara dos Deputados foi bem recebida por aliados de Lira, que viram um gesto aos deputados de que o futuro governo não vai interferir na escolha do próximo presidente da Câmara.
O grupo de Arthur Lira leu a decisão de Lula como um recado de que o candidato que tiver maioria para se eleger presidente vai ser respeitado pelo novo governo. Ou seja: o recado foi que Lula aceitará caso Arthur Lira seja reeleito.
