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Centenas de milhares protestam contra López Obrador, no México – Por quê?

    Andrés Manuel López Obrador, AMLO, presidente do México desde 2018

    Andrés Manuel López Obrador garantiu que não perderá os 70% do apoio da população que tem até agora e pediu a seus adversários para não ficarem ansiosos e que esperem as eleições de 2022 para resolver diferenças. Segundo AMLO, “conservadores estão chateados porque não há mais corrupção“.

    Esquerdista, López Obrador foi eleito por uma vitória esmagadora em 2018, contabilizando ao menos o dobro de votos em relação a seu rival. Suas promessas de campanha miravam uma “transformação” radical para livrar o país da corrupção, reduzir o alto índice de homicídios e substituir políticas do mercado por ações que colocassem os “pobres e esquecidos” em primeiro lugar. O apelo eleitoral era forte, pois a violência das drogas marcara profundamente um vasto território do México em gestões anteriores. Após dois anos, o discurso ainda é o mesmo:

    Não haverá corrupção, acabou, a corrupção será completamente banida“, afirmou neste domingo (4), acrescentando que disse estar preparado para se retirar do poder “de forma pacífica e democrática, se o povo assim decidir“.

    Populista, AMLO está exigindo “lealdade cega” das autoridades mexicanas. O presidente do México quer também o apoio popular para processar seus antecessores. A Suprema Corte se tornou a última instituição mexicana a se curvar à vontade do presidente Andrés Manuel López Obrador.

    Na cidade de Hermosillo, capital do Estado de Sonora, no noroeste do país, a cerca de 270 km da fronteira com os EUA, o presidente dos Estados Unidos do México disse que tem o apoio do povo porque trabalha para ele:

    “Estou muito claro que o fundamental é servir, servir ao povo, e é por isso que vamos poder seguir em frente, liderar realizar a transformação pública do México”, afirmou.

    AMLO decidiu na quinta (1) que seu plano de convocar um referendo para colocar cinco ex-presidentes em julgamento era constitucional, ignorando um princípio de que tais decisões deveriam ser tomadas pelos promotores com base em evidências. Então ele reformulou as cédulas – meio pelo qual os cidadãos se procunciam por sufrágio direto e secreto, tornando-a mais vaga e retirando os nomes dos ex-líderes.

    Antes, uma pequena elite dominava o país, enquanto o crescimento econômico impulsionado pelo Nafta (North American Free Trade Agreement – Acordo de Livre Comércio da América do Norte) beneficiava o norte, mas deixava o sul para trás. A democracia mexicana já era frágil e seus órgãos públicos fracos devido às décadas de predominância de um único partido político.

    “Aos nossos adversários: sempre os respeitaremos, não haverá repressão. Só queremos que esperem as eleições para podermos resolver nossas divergências” disse AMLO acusando oponentes de desejarem a preservação de um regime corrupto de injustiças e privilégios.

    Analistas políticos dizem que uma reforma progressivamente genuína teria concedido maior autonomia aos estados e municípios, reduzido o poder presidencial e reforçado o estado de direito. Mas AMLO, o autoproclamado líder da “Quarta Transformação” do México, concentrou um poder ainda maior em suas próprias mãos, dizem.

    “Minha gestão será a quarta revolução mexicana, depois da Independência [processo que durou de 1810 a 1821], das Reformas Liberais [também no século 19] e da Revolução Mexicana [1910], disse AMLO quando eleito.

    Na chamada “Quarta Transformação”, AMLO buscou implementar programas sociais e a promoção de “obras” como o Trem Maia entre outras, prometendo altos lucros para o capital privado, ou à Guarda Nacional, uma nova corporação que preserva, sob outro nome, a militarização exigida por Washington nas últimas décadas. López Obrador colocou sua retórica anti neoliberal impactando profundamente em um contexto marcado pelo rechaço aos velhos partidos.

    A “Quarta Transformação” procura ressignificar os principais momentos da história mexicana, para fortalecer ideologicamente o projeto lopezobradorista em torno da interpretação histórica combinado com um posicionamento internacional que rompe com a tendência hegemônica reacionária na região porém estando longe de significar um projeto antiimperialista, o que é visto nas constantes tentativas de evitar atritos com a Casa Branca.

    Com aparência “progressista” e apelos para “governar para ricos e pobres”, a essência do projeto lopezobradorista é preservar e administrar o capitalismo, garantindo estrategicamente os interesses da classe dominante, razão pela qual ele fala de anti-neoliberalismo argumentando que o objetivo é transformar o México em um paraíso para investimentos … dos capitalistas.

    A demissão de milhares de trabalhadores a serviço do Estado, sendo a maioria precarizada e com salários muito baixos, é um testemunho grosseiro de quem será afetado pela “Quarta Transformação”, muito além do mencionado combate “contra a alta burocracia”.

    A maioria das grandes decisões são apenas dele. As instituições que se recusam a ceder à sua vontade são o alvo. A autoridade eleitoral independente foi atacada pelo presidente por “nunca ter garantido eleições livres”, embora tenha atestado sua vitória esmagadora. Os jornalistas que desacreditam o presidente podem esperar ser nomeados, acusados ​​de estar “a serviço dos regimes autoritários e corruptos” que o precederam, e pedir desculpas.

    Ambientalistas que criticam seus projetos de infraestrutura de estimação, incluindo uma nova linha ferroviária cara que será conduzida parcialmente através da floresta maia virgem, são descritos como lacaios estrangeiros de aluguel. Por que López Obrador é tão intolerante? Depois de dois anos no poder, os resultados positivos são escassos , exceto por uma modesta reforma da previdência. Crescimento econômico interrompido em seu primeiro ano e a recessão do México este ano está prevista para ser a pior de qualquer grande país latino-americano com exceção da Argentina.

    A corrupção e o crime permanecem intoleravelmente altos e uma resposta errática ao coronavírus levou a um dos maiores índices de mortalidade per capita do mundo. O hábito do presidente de retirar a aprovação de grandes projetos já acertados prejudicou o investimento empresarial. Suas intervenções na indústria de energia favoreceram os combustíveis fósseis em vez dos renováveis ​​e a gigante estatal do petróleo Pemex em detrimento do setor privado.

    A oportunidade de ouro oferecida pelo recém-acordado acordo de livre comércio EUA-México-Canadá para atrair empresas americanas que retornam da China para o México está sendo desperdiçada. O México está de fato se transformando, mas não da maneira que López Obrador prometeu. A menos que o presidente mude de curso rapidamente, a segunda maior economia da América Latina corre o risco de voltar a um passado mais pobre, sombrio e repressivo, habitado pelos caudilhos autoritários que a região esperava ter deixado para trás.

    (Com informações do Financial Times, La Razón de Mexico, Esquerda Diário e Carta Capital)

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