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Celso Rocha de Barros e Míriam Leitão pedem a Lula que esqueça Moro: “Perdeu” e “jogou fora o que havia de dignidade”

    Para o sociólogo, o então juiz em 2018 fez contra Lula um julgamento “mutretado” e confessou isso ao apoiar no segundo turno o então presidente Jair Bolsonaro, que deixou a presidência e, “depois de encerrado o projeto país pária“, segundo a jornalista, “é impressionante como mudou o nível das relações internacionais

    Esquece o Moro, Lula“, pede o sociólogo Celso Rocha Barros na Folha de S. Paulo. “Ex-juiz jogou reputação fora quando apoiou Bolsonaro“, escreveu o apoiador do Presidente, enquanto a jornalista Míriam Leitão diz, no Globo, referindo-se ao senador pelo União Brasil, que “Lula o venceu. Nos tribunais e nas urnas. Moro foi considerado parcial pelo STF e viveu a contradição humilhante de apoiar, na última eleição, o presidente que o demitira e que ele acusara de usar a Polícia Federal para defender interesses particulares“.

    “Você já ganhou dele”, escreve Barros. “Moro jogou fora o que lhe havia sobrado de dignidade, reputação, respeitabilidade profissional e direito de não ser tratado como militante de extrema-direita quando apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno. O apoio foi uma confissão de que seu julgamento em 2018 foi mutretado“.

    Paralelamente, o texto de Leitão se concatena ao de Barros: “O Presidente Lula é um estadista e tem que permanecer nesse lugar. O país precisa disso, depois de tudo o que viveu em quatro anos terríveis“, escreve a jornalista. “O Presidente Lula tem o que mostrar em temas importantes“, opina e, logo em seguida, resgata uma notícia que ficou ofuscada quando, “naquele mesmo dia em que disse que a investigação era “armação de Moro”, Lula fez um belo evento no Theatro Municipal para retomar a política cultural“.

    “Bolsonaro vivia das frases polêmicas por falta de capacidade de governar, Lula só tem a perder com declarações que atrapalhem a visibilidade das ações de governo. Deveria evitar o modelo de capturar a atenção do país com falas imprudentes e agressivas. Elas animam auditório mas azedam o clima e o apequenam”, escreve Míriam Leitão, enquanto Celso Rocha Barros diz que o ex-juiz da Lava Jato perdeu para Lula:

    Moro já havia denunciado Bolsonaro como corrupto, já havia declarado que havia mais aparelhamento no governo do Jair do que no seu, e mesmo assim topou fazer papel de Padre Kelmon no debate do segundo turno. Ali, ele já não precisava do apoio do Jair para se eleger senador. Ali, ele já sabia do horror que foi o governo Bolsonaro. Já tinha tentado ser candidato da terceira via denunciando esses horrores”, escreve o sociólogo.

    Sergio Moro topou se humilhar daquele jeito por ódio a você, Lula. Perdeu”, diz Barros. “Valeu a pena dar palco pra esses caras voltarem ao horário nobre às suas custas, Lula? Você sabe que não“, diz após recordar dos “”ataques que Deltan Dallagnol fez a Lula semana passada com a defesa apaixonada da presunção de inocência em um artigo que publicou poucos dias antes no jornal Gazeta do Povo sobre a muamba das joias“. O sociólogo diz que “o artigo é uma espécie de PowerPoint com “Jair Bolsonaro” no meio e em volta vários balões com os textos “Será?”, “E se não for?”, “Vai que foi, sei lá, o Lula?”, em volta“, argumenta antes de um desfecho emocionante, em que aconselha o Presidente, conforme a seguir:

    Lula, ninguém aqui na mídia, na política, no empresariado, passou o que você passou nos últimos anos. Sua história vai ficar ótima escrita pelo Fernando Morais [jornalista e autor da biografia ‘LULA‘]. Mesmo assim, há um motivo muito bom para você abandonar a guerra passada: você venceu, mas o Brasil ainda não.

    Você ganhou a presidência de maneira espetacular. Tomou posse em uma festa linda. Derrotou o golpe de 8 de janeiro. Parou o genocídio yanomami. Começou a recuperar o prestígio internacional do Brasil. E as condições estão maduras para você passar reformas que inaugurarão uma nova fase de crescimento brasileiro: as duas tributárias, a regra fiscal, a provável mudança no ensino médio.

    Mas acredite em mim: por incrível que pareça, por pior que tenha sido, a sua vida na cadeia depois de 2018 não foi tão ruim quanto a das brasileiras pobres ou dos brasileiros doentes de Covid sob o governo Bolsonaro. Você foi eleito para que a história dessa gente também tenha uma redenção, Lula, como a sua teve.

    Por isso, esqueça a guerra que você já ganhou e concentre-se na guerra que o povo brasileiro ainda está perdendo: a briga para reconstruir o Brasil depois desse desastre. Acostume-se com o fato de que muita gente que foi sua inimiga na guerra passada —na guerra que te colocou na cadeia— está do seu lado agora. Não é seu primeiro dia de serviço na política, certo? Junte essa base política que se formou contra o golpe, aprove o programa do Haddad e corra para o abraço“, pontuou o sociólogo, enquanto Míriam Leitão diz:

    “Neste momento, há muitos problemas reais assombrando o país. A eles, Lula deve dedicar sua atenção quando estiver prontamente recuperado. Bons conselheiros poderiam dizer a Lula que ele foi eleito, não para fazer um acerto de contas com o passado, mas para governar. Até porque ele venceu o passado”.

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