O Assessor Especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República reitera que ataque a civis sempre tem que ser condenado, “mas não pode ser visto como um fato isolado. Vem depois de anos e anos de tratamento discriminatório, de violências, não só na própria Faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia“
Celso Amorim, o Assessor Especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, da terceira gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirma que o ataque que está em curso, do Hamas contra Israel, iniciado neste sábado (7/10), precisa ser condenado e não se justifica, mas não pode ser visto como fato isolado e reflete a decisão de governos israelenses de deixarem de lado o processo de paz nos últimos anos.
Amorim, que também foi ministro da Defesa durante o mandato de Dilma Rousseff, além de ministro das Relações Exteriores durante os governos Itamar Franco e Lula, “reitera diversas vezes que o ataque a civis sempre tem que ser condenado, lastimado e não se justifica“, diz texto da matéria no jornal ‘Folha de S. Paulo‘, deste domingo (8/10).
O experiente Assessor insiste que o movimento “não pode ser visto como um fato isolado” e que a ação do grupo “vem depois de anos e anos de tratamento discriminatório, de violências, não só na própria Faixa de Gaza, mas também na Cisjordânia“.
A este exemplo, Amorim cita a ofensiva de Israel em julho no campo de refugiados de Jenin, em ação que deixou ao menos oito palestinos mortos e 50 feridos na maior incursão do país contra o território da Cisjordânia ocupada em quase duas décadas.
Novamente, Amorim insiste que, nem por isso, a ação do Hamas no sábado “se justifica, volto a dizer, mas o que eu vejo é que o resultado dessa atitude, do aumento dos assentamentos israelenses, é a dificuldade de avançar no plano de paz“, disse, segundo o jornal.
O ex-chanceler avalia que a falta de compreensão de Israel de que era necessário fazer concessões e reconhecer o legítimo direito do povo palestino acabou criando a atual situação.
“Porque depois de uma importante conferência, que foi a de Anápolis, havia perspectiva de paz. Não seria fácil, nós todos sabíamos, mas havia perspectiva de paz“, afirma.
“Infelizmente, os governos que vieram depois, em Israel, deixaram de lado o processo de paz, fizeram vários ataques a Gaza, aumentaram os assentamentos, e tudo isso acabou gerando essa situação“, disse.
Ainda, o Assessor diz que o conflito atual acaba deixando cada vez mais distante a linha defendida pelo governo, de dois Estados vivendo pacificamente lado a lado.
“O que acabou de acontecer é apenas uma demonstração, grave, com consequências, do que acontece pela perda da esperança na paz“, diz.
Ele também argumenta que a mera repressão não resolve.
“Compreendo a dor das famílias no momento que há um ataque como esse, mas, se a gente quer resolver, não adianta querer ver isso como um fato isolado“, afirma.
E diz acreditar que os brasileiros que estão no local conseguirão ser retirados pelo governo.
“Quando eu era ministro, na época do governo Lula, nós tiramos 3.000 brasileiros do Líbano. Claro que cada caso é um caso, terá dificuldades específicas, mas eu acho que os brasileiros serão atendidos“.
