Sessões viram PGR tentar retirar possíveis dúvidas que existem nas investigações e defesas tentando explorar informações que não foram corroboradas, mostra site
O processo de apuração dos assassinatos da vereadora pelo PSOL-RJ, Marielle Franco, e seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018, que tiveram início no dia 12 de agosto de 2024 no STF (Supremo Tribunal Federal), completou 15 dias de audiência, com 75 horas de depoimentos de 10 testemunhas arroladas pela PGR (Procuradoria Geral da República).
O condutor do Cobalt, Élcio de Queiroz, participante do atentado, deve encerrar seu depoimento por videoconferência, seguido pelos depoimentos das testemunhas convocadas pelas defesas dos réus, informa o g1, que neste domingo (1/9) produziu uma extensa matéria sobre o tema.
Até agora, depoimentos reforçaram a investigação, mas algumas dúvidas levantadas não foram consideradas pelo ministro relator do caso no STF, Alexandre de Moraes, ao homologar as delações premiadas de Ronnie Lessa – autor dos disparos – e Élcio de Queiroz e ao aceitar a denúncia da PGR.
O portal mostra que são cinco os réus do processo na Corte: Domingos Brazão – Conselheiro do TCE–RJ (Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro) apontado como mandante da morte de Marielle; Chiquinho Brazão – Deputado federal que também responde como mandante.
Rivaldo Barbosa – Delegado da Polícia Civil do RJ, acusado de conhecer o plano do crime, quando ocupava a direção da Divisão de Homicídios; Ronald Paulo Pereira – Major da PM, acusado de monitorar os passos da vereadora, mas que está preso devido a um processo que apura seu envolvimento com a milícia de Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio; e Robson Calixto Fonseca, o Peixe – Policial militar acusado de integrar a organização criminosa que, de acordo com a denúncia da PGR, seria chefiada pelos irmãos Brazão e teria ajudado a desaparecer com a submetralhadora MP5 usada no crime.
A assessora da vereadora, que estava no carro no momento do crime, Fernanda Chaves, relatou que não foi “atingida porque Marielle foi” seu “escudo” e estava “muito próxima”. Chaves também disse que as duas estavam olhando seus celulares e, por Marielle ser “uma mulher grande, alta, larga”, ela não foi atingida pelos tiros: “…no primeiro momento, eu me enrolei, me enrolei em um caracol e me afundei entre meu banco e o banco do Anderson“.
Chaves, afirmou, segundo relatou a matéria, que havia uma rusga entre Marielle e Chiquinho Brazão, pois a defesa da moradia sempre foi uma pauta da vereadora. O delegado federal Guilhermo Catramby e os agentes federais Marcelo Pasqualetti e Felipe Alves, reforçaram os relatos da assessora, nos três dias seguintes.
Na tarde de sexta-feira (30/8), as defesas comemoraram quando Élcio entrou em contradição com relatos feitos por Lessa entre a terça (27/8) e a quinta (29/8), de que ele compartimentava as informações com o motorista do Cobalt. Segundo a matéria, a contradição foi para as defesas mais um ponto para tentar derrubar duas delações premiadas homologadas pela Justiça.
Élcio contou que a MP5 era de Lessa, que contou que a recebeu de Macalé e depois a descartou com milicianos de Rio das Pedras. O motorista do Cobalt também disse que “não participava dessa rede de crimes” e que nunca ouviu o “nome da senhora Marielle“. Além disso, contou que recebeu uma foto com várias mulheres, além da vereadora, enquanto o autor dos disparos disse que a imagem era apenas da vítima fatal.
O texto do g1 mostra que os depoimentos levaram para o STF um tema fora dos casos em julgamento, que seria a corrupção na unidade comandada pelo delegado que foi preso por suspeita de envolvimento no caso Marielle. Os depoentes apontaram uma baixa taxa de elucidação de homicídios durante essa administração, sugerindo a existência de um “balcão de negócios” e a morte da vereadora era resultado dessa inércia.
A Polícia Federal listou crimes do chamado Escritório do Crime não solucionados pela DH e apurações sobre assassinatos que desapareceram. Inquéritos teriam desaparecido, com este sumiço sendo atribuído a um desencontro de informações entre o cartório e a equipe de investigação.
Parte dos personagens mencionados na audiência faleceram ao longo dos anos.
O caso Marielle também levou para a Corte superior a constituição das milícias, grupos de extermínio e narcomilícias.
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