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Carta avisa a democratas para que estejam alertas nos próximos meses, escreve Míriam Leitão

    A aliança tem a função de “aumentar a força da persuasão” para a percepção de que Bolsonaro ampliará o “ataque ao nosso pacto político de 1988”

    Carta pela Democracia “remete a um símbolo forte do passado e une pessoas diferentes entre si sob uma bandeira comum“, escreve Míriam Leitão, no Globo. “Outros documentos estão sendo preparados. A sociedade civil fez muito pelo fim da ditadura militar com atos como esses. Só subestima o que está acontecendo quem não conhece a História ou não valoriza a força da democracia“, prossegue a colunista do jornal.

    É difícil para o presidente entender o que seja um movimento de defesa da democracia. Ele não entende disso. E não é exatamente medo o que move os subscritores, é a certeza de que Bolsonaro representa um risco para as instituições do país“. A carta diz que, lembra Míriam, “ao invés de uma festa cívica, estamos passando por um momento de extremo perigo para a normalidade democrática, riscos às instituições da República e insinuações de desacato das eleições”, diz o texto.

    O governo passou três anos e sete meses ameaçando a democracia, as eleições, e insinuando ter submetido as Forças Armadas e os policiais ao seu projeto. Quis amedrontar o país“, observa a jornalista. “A carta democrática responde“, à convocação de Bolsonaro, feita a embaixadores, “que “sob o manto da Constituição Federal de 1988 passamos por eleições livres e periódicas”. Bolsonaro divide o país convocando seus seguidores a ocuparem as ruas numa data de todos, sequestrando o bicentenário, como os militares fizeram com o sesquicentenário, em 1972“. E, novamente, “a Carta responde que “nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar de lado as divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática”“.

    A resposta do governo” à larga adesão à Carta pela Democracia, até com elite e empresários, escreve a jornalista, “foi dizer que fez o Pix e isso tirou dinheiro dos banqueiros. Nem uma coisa nem outra. O sistema de pagamento instantâneo começou a ser criado por técnicos do Banco Central antes do governo Bolsonaro e os bancos exploraram novas formas de negócio. Hoje ainda é muito fácil encontrar eleitores de Jair Bolsonaro no mercado financeiro. Os banqueiros que assinaram o manifesto são líderes no mundo das finanças e estão antenados com o que é relevante para os grandes investidores: estabilidade institucional e proteção ao meio ambiente“.

    Hoje os stakeholders dos grandes fundos de investimento não aceitam alocar seus recursos em países que atacam liberdade, direitos humanos e promovem a devastação“, explica Míriam.

    Movimentos que no passado ajudaram a enfraquecer a ditadura são capazes de definir eleições? Não. O professor Goffredo, em 1977, registrou a diferença entre o poder da força e o poder da persuasão. O que a atual aliança tenta é aumentar a força da persuasão e mandar o aviso aos democratas para que estejam alertas nos próximos meses, quando aumentará o ataque ao nosso pacto político de 1988“, pontua a colunista.

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