Vereador usa narrativa hiperbólica de abusos judiciais, compara caso do condenado ao de Clezão e alerta para tragédia iminente após negação de domiciliar

Brasília (DF) · 01 de janeiro de 2026
Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio de Janeiro, publicou, na noite desta quinta-feira (01/jan), dia de Ano Novo, um textão no X (antigo Twitter), cuja narrativa visa claramente impactar a opinião da base bolsonarista quanto à prisão de seu pai, condenado por liderar uma tentativa de golpe de Estado.
O filho Zero Dois do presidiário acusa o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, ainda que não tenha sido nominalmente citado, de abuso de poder que expõe o condenado a riscos letais.
A postagem compara a situação ao falecimento de Cleriston Pereira da Cunha, apelidado Clezão, réu nos atos de 08/jan de 2023, sugerindo que decisões judiciais arbitrárias poderiam resultar em tragédia similar.
Embora o alerta destaque preocupações reais sobre saúde e garantias constitucionais, exageros retóricos e omissões factuais amplificam o tom alarmista.
No conteúdo, Carlos Bolsonaro descreve as ações judiciais como “exercício reiterado de abuso de poder”, violando direitos e expondo Bolsonaro a “riscos reais, físicos e humanos”.
Ele afirma que a morte de Clezão não foi acidental, mas “consequência direta de um sistema que normalizou a arbitrariedade”, alertando para um colapso institucional iminente.
“A tensão institucional não está ‘alta’; ela está à beira do colapso”, escreveu, cobrando interrupção imediata daquilo que classifica como perseguição política.
Clezão morreu em 20/nov de 2023 por mal súbito na Papuda, em Brasília, conforme laudo do Instituto Médico Legal (IML), que apontou causas naturais como embolia pulmonar.
Alegações de negligência persistem, com a família questionando condições prisionais e a Organização dos Estados Americanos (OEA) demandando investigações, mas não há prova de causalidade direta com decisões judiciais.
O caso de Clezão é um dos poucos óbitos entre réus do 08/jan, usado por bolsonaristas como símbolo de injustiça, embora causas variem de saúde a acidentes sem vínculo comprovado a arbítrio.
A postagem de Carlos Bolsonaro gerou reações imediatas na plataforma social. Aliados como o deputado Mario Frias ecoaram o apoio, afirmando que o abuso é “inegável” e desejando proteção divina a Bolsonaro. Adolfo Sachsida, ex-ministro, aplaudiu o texto.
Críticos, porém, veem vitimização: a usuária Biazita Gomes sugeriu torcida pelo pior para fins eleitorais, enquanto White Bloc Brasil ironizou com frases de Bolsonaro sobre mortes durante a pandemia. Outras respostas, como de Gil Macedo, acusam hipocrisia, recordando supostos abusos no governo anterior.
Os exageros no discurso de Carlos Bolsonaro
A comparação direta com Clezão ignora diferenças: Bolsonaro enfrenta restrições como inelegibilidade até 2030, decidida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 30/jun de 2023, e retenção de passaporte, mas laudos médicos confirmam que instalações da Polícia Federal (PF) podem prover cuidados para sua hérnia e riscos cardiovasculares.
Frases como “já vimos o desfecho concreto” atribuem causalidade não comprovada à morte de Clezão, omitindo o consenso médico sobre causas naturais, apesar de inquéritos em andamento.
A retórica de “escalada autoritária” e colapso amplifica tensões sem evidências de instabilidade nacional generalizada, como protestos ou crises econômicas.
Quem é Carlos Bolsonaro
Carlos Bolsonaro está relacionado a investigações passadas sobre desinformação. Relatório da Polícia Federal (PF), tornado público pelo STF em 18/jun de 2025, indiciou-o por atuação em redes de fake news. A difusão ocorria via marcações em conversas, integrando inquéritos sobre milícias digitais.
Em 29/jan de 2024, foi noticiado pela Folha de S.Paulo detalhes de três inquéritos contra Carlos Bolsonaro: rachadinha, fake news e milícias, apontando-o como articulador.
A BBC News Brasil em 06/mai de 2025 reportou o STF tornando réu um núcleo de desinformação eleitoral, destacando propagação de falsidades sobre urnas – exclusivo ali, sete integrantes foram acusados de ataques sistemáticos. O episódio reflete polarização persistente.
Apesar das decisões do STF serem criticadas como excessivas pela base aliada do vereador, outros as defendem como proteção à democracia, o que deixa as narrativas hiperbólicas de Carlos Bolsonaro enfraquecidas o suficiente para minar a confiança pública.

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Falácias. Não venha com esse argumento furado, seu Carlos. O ministro não presta pra ti porque está se fazendo valer a lei que pune seu pai, que ainda está sendo punido pouco pelo grau de crimes que cometeu. O ministro Alexandre está de parabéns por não se curvar ou se intimidar, porque até autoridade de outro país vocês usaram para intimidá-lo, mas ele preferiu ficar firme no que é de fato justo. Nem foi culpado das mortes das centenas de vidas brasileiras, por omissão de socorro e negligência… e o deboche? Esse até hoje está pagando é pouco, mas Deus é justo. Vai pagar sim.
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