Reflexão emocional revela frustrações familiares e ingratidão de aliados no cenário bolsonarista
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Desabafo de Carlos Bolsonaro das redes
Brasília, 23 de outubro de 2025
Em um desabafo que ecoa como um adeus definitivo à vida pública, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente condenado por tentativa de golpe de estado, Jair Bolsonaro, revelou na terça-feira (21/out) sua decisão de abrir mão de uma trajetória que moldou o bolsonarismo nas redes e nas urnas do Rio de Janeiro.
Aos 42 anos, o político, conhecido como "02" na numerada família presidencial, publicou um texto reflexivo em sua conta no X, sobre o que chamou de "trajetória histórica", destacando sacrifícios pessoais e a decepção com aliados que ajudou a eleger.
"Abri mão de toda uma carreira política - afinal, são sete mandatos de vereador e hoje, quase 25 anos dedicados ao Legislativo, em uma trajetória que acredito ter sido histórica, batendo recordes de votos e superando minhas próprias votações, obviamente tendo um líder me guiando", escreveu.
O "líder" é uma clara referência ao pai, hoje inelegível até 2062, que guiou os passos iniciais do filho desde sua eleição precoce em 2000, quando Carlos, aos 17 anos, tornou-se o vereador mais jovem da história do Brasil, com 16.053 votos pelo então PPB.
Essa estreia precoce, em uma família marcada por laços militares e conservadores, pavimentou o caminho para uma ascensão meteórica, impulsionada pela influência do patriarca, que na época era deputado federal e já flertava com polêmicas que definiram o bolsonarismo.
Mas o tom da postagem logo se volta para o amargor da ingratidão política, um tema recorrente na dinâmica familiar dos Bolsonaro.
"Tenho plena convicção de que minhas decisões foram fundamentais para ajudar na eleição de inúmeros parlamentares e políticos, os quais, em sua esmagadora maioria, jamais conheci, crendo apenas que, por seus posicionamentos, poderiam ser bons para o futuro do país e para o fortalecimento de nossos ideais ao longo de mais de duas décadas, mesmo que, para isso, eu tenha renunciado a um futuro certo e estável, sem jamais agir por capricho ou interesse pessoal", prosseguiu.
Essa observação paralela ganha peso ao revisitar notícias antigas de sua carreira: desde 2008, quando obteve 28.209 votos, até o pico em 2016 com 106.657 – recorde na época que o coroou como o mais votado da capital –, Carlos atuou como arquiteto digital das campanhas paternas, gerenciando perfis que transformaram Jair Bolsonaro em fenômeno online.
Relatos da época, como os da eleição de 2018, creditam a ele o mérito de viralizar discursos conservadores, ajudando a eleger não só o pai à Presidência, mas uma onda de aliados no Congresso e assembleias, muitos dos quais hoje são criticados por ele como "descartáveis". A decepção culmina em uma denúncia velada de oportunismo no campo da direita:
"Hoje, infelizmente, vemos que muitos daqueles a quem ajudamos nos tratam como se fôssemos descartáveis. Ainda assim, não me arrependo de absolutamente nada do que fiz. Agir esperando algo em troca não é digno" , escreve.
Essa franqueza ressoa com episódios históricos da família, como as investigações de "rachadinha" em 2019, que abalaram o gabinete de Carlos no Rio de Janeiro e expuseram fissuras em alianças forjadas na era de ouro bolsonarista.
Naquele ano, o Ministério Público do Rio (MPRJ) apontou supostos desvios de salários de assessores, um escândalo que se entrelaçou com o do irmão Flávio Bolsonaro no Senado, testando a lealdade de apoiadores que Carlos ajudara a emplacar.
Apesar das controvérsias, ele se reelegeu em 2020 com 71.000 votos – uma queda em relação a 2016, mas ainda robusta –, e em 2024, recuperou o fôlego com 130.480 votos, batendo seu próprio recorde e garantindo o sétimo mandato.
Essa resiliência eleitoral, no entanto, não blindou a família de desgastes, como o assalto à casa da ex-mulher de Jair, Rogéria Bolsonaro, em Resende (RJ) em agosto de 2025, onde joias e um carro foram levados, reacendendo debates sobre vulnerabilidades pessoais no clã.
O fechamento da postagem traz uma nota de melancolia familiar, humanizando o político often visto como o "barulhento" dos irmãos:
"Deixo aqui apenas uma reflexão sincera sobre o cenário político atual - uma verdadeira alvenaria de interesses - e sobre o sofrimento que essa realidade tem causado, não só a mim, mas também à minha família. - Um forte abraço a todos!"
Essa menção ao "sofrimento" ecoa o contexto mais amplo dos Bolsonaro em 2025: com Jair inelegível e sob investigações, Eduardo exilado nos EUA por licença parlamentar e temores de extradição, e Flávio navegando tormentas no Senado, a família busca reposicionar peças.
A postagem, que viralizou entre apoiadores e críticos, sinaliza o fim de seu ciclo na Câmara Municipal do Rio.
Apesar de seu texto dar entender que ele deixa a vida pública, seu texto pode ser interpretado como uma transição estratégica para novas frentes políticas, em Santa Catarina.
Notícias recentes mostraram que Carlos planejajava renunciar ao mandato em dezembro, mudando-se para o Sul, para o estado onde seu irmão mais novo, Jair Renan, foi eleito vereador em Balneário Camboriú em 2024.
Carlos deve disputar o Senado em 2026, em chapa com figuras como a deputada Carol de Toni (PL).
Essa manobra, confirmada em agendas em Chapecó (SC), reflete uma estratégia de diversificação geográfica para o bolsonarismo, fugindo do epicentro carioca onde escândalos como o "gabinete do ódio" – estrutura informal no Planalto para ataques a opositores durante o governo Jair – ainda pairam como sombras.
O desabafo de Carlos pode passar de um simples lamento pessoal, servindo como um alerta para a fragmentação da direita: enquanto governadores como Romeu Zema (MG) e Tarcísio de Freitas (SP) disputam o vácuo deixado pelo ex-presidente, a família prioriza lealdades internas.
Para o eleitorado bolsonarista no Rio de Janeiro, a saída de Carlos Bolsonaro deixa um vazio na Câmara Municipal, onde ele defendeu pautas da extrema-direita, como "Escola sem Partido", e oposição a agendas de gênero, moldando debates conservadores há duas décadas.
No entanto, sua influência digital – forjada desde os anos 2000, quando ajudou o pai a dominar as redes – sugere que o "02" continuará ativo, talvez de Florianópolis, redefinindo o futuro do movimento que ajudou a criar.
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Quando o eleitor brasileiro tomar vergonha na cara, esses inoperantes serão extintos da política brasileira
Vixe!!que triste!achei q ele abandonaria mesmo!era bom demais pra ser verdadeiro!!que nojo🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮🤮
Esse foi um vereador do RJ atuando em Brasília por 4 anos…nada fez pelos eleitores do Rio, só bostejava pautas radicais e conservadoras.
No DF institui o gabinete do ódio, destilando ódio e fake news que ajudaram a destruir adversários e eleger o papai, agora inelegível e condenado.
Ir para SC é estratégia para sair dos holofotes, sem deixar de continuar a mamata de atuar na política. CLT ali passou longe.
Tem que acabar com todas as “carreiras”…
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