Deputada enfrenta audiência de custódia em Roma e aguarda decisão sobre extradição
Brasília, 31 de julho de 2025
A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) foi transferida para o presídio feminino Germana Stefanini, parte do complexo penitenciário Rebibbia, em Roma, Itália, após ser detida na terça-feira (29).
Foragida há dois meses, ela foi localizada em um apartamento nos arredores do Vaticano, graças a uma denúncia do deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, que forneceu seu endereço à polícia.
Zambelli era procurada pela Interpol devido a uma condenação de 10 anos de prisão no Brasil, imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por envolvimento na invasão hacker do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), onde documentos falsos foram inseridos.
Na sexta-feira (1º/8), Zambelli passará por uma audiência de custódia na Justiça italiana, onde será decidido se ela permanecerá presa, será colocada em prisão domiciliar ou usará tornozeleira eletrônica enquanto o pedido de extradição do Brasil é analisado.
A parlamentar, que possui dupla cidadania (brasileira e italiana), já declarou, em vídeo nas redes sociais, que não pretende retornar ao Brasil e buscará provar sua inocência na Itália.
Caso não consiga reverter a condenação, ela planeja pedir para cumprir a pena em solo italiano, alegando perseguição política.
O advogado Fábio Pagnozzi, que representa Zambelli, reforça que ela se entregou voluntariamente, embora a Polícia Federal negue essa versão, afirmando que a prisão resultou de cooperação internacional.
O presídio Germana Stefanini, onde Zambelli está detida, enfrenta superlotação, com 369 presas, quase 100 acima de sua capacidade, sendo um terço delas estrangeiras, segundo o Departamento de Administração Penitenciária italiano.
Construído nos anos 1950, o local é um dos maiores complexos prisionais femininos da Europa, com 171 celas divididas em alas.
A situação carcerária na Itália é crítica, com a terceira pior taxa de superlotação da União Europeia, o que pode impactar as condições de detenção de Zambelli enquanto ela aguarda o desenrolar do processo.
O caso ganhou repercussão política, com aliados de Zambelli no Partido Liberal (PL) alegando perseguição, enquanto parlamentares de esquerda no Brasil celebraram a prisão.
O processo de extradição, que pode durar de um a dois anos, será avaliado pela Corte de Apelação de Roma com base no tratado bilateral entre Brasil e Itália, em vigor desde 1993.
A decisão final caberá ao Ministério da Justiça italiano, sob o governo de Giorgia Meloni, que considerará aspectos jurídicos e políticos.
A cidadania italiana de Zambelli não garante imunidade, como demonstra o precedente do ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, extraditado em 2015.
Enquanto isso, a Câmara dos Deputados, liderada por Hugo Motta, avalia a perda do mandato da deputada, mas não votará sobre sua prisão, seguindo o regimento interno.
O desfecho do caso dependerá de negociações diplomáticas e da estratégia da defesa, que insiste na narrativa de perseguição política.








