Deputada condenada pelo STF busca refúgio na Europa, alega perseguição e destaca suporte de senador em vídeo. Sanções internacionais ajudam a explicar sua situação, diz ela
Brasília, 27 de julho de 2025
A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) publicou um vídeo em um perfil alternativo no Instagram, no sábado (26/jul), afirmando ser uma “exilada política” na Itália.
Ela agradeceu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por interceder junto às autoridades italianas, como a primeira-ministra Giorgia Meloni e o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, pedindo que a acolhessem.
Zambelli deixou o Brasil após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, crimes cometidos com o hacker Walter Delgatti Neto.
A parlamentar alega ser vítima de perseguição política e busca abrigo político no exterior.
Zambelli destacou que sanções internacionais, sem citar diretamente as tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump ou a revogação de vistos de ministros do STF, ajudam a esclarecer sua situação no exterior.
“Tudo isso que vem acontecendo só facilita o entendimento aqui. Sem essas sanções, seria difícil explicar o que estou passando”, afirmou no vídeo.
A deputada, que está proibida de usar suas redes sociais oficiais por ordem do ministro Alexandre de Moraes, utiliza perfis alternativos para se comunicar.
Seu advogado, Fábio Pagnozzi, nega que ela seja foragida, afirmando que está à disposição das autoridades italianas.
A condenação de Zambelli ocorreu em maio de 2025, por unanimidade na Primeira Turma do STF, que também determinou a perda de seu mandato e o pagamento de R$ 2 milhões por danos morais coletivos, além de uma multa individual de R$ 2,1 milhões.
A acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que ela planejou um ataque cibernético para inserir documentos falsos no sistema do CNJ, incluindo um mandado de prisão falso contra Moraes.
Após anunciar sua saída do Brasil em junho, Moraes determinou sua prisão preventiva e a inclusão de seu nome na lista de difusão vermelha da Interpol, o que pode levar à sua prisão e extradição.
Atualmente, Zambelli também enfrenta outra ação penal no STF por porte ilegal de arma e constrangimento armado, decorrente de um incidente em 2022, quando perseguiu um homem com uma pistola em São Paulo.
Além disso, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cassou seu mandato por desinformação eleitoral, decisão que está em recurso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Enquanto tenta evitar a extradição, a deputada mantém sua narrativa de perseguição e busca apoio internacional para permanecer na Itália, onde possui cidadania.








