País esqueceu diferenças políticas polarizadas e se uniu em nome da soberania e da dignidade, com consumidores rejeitando marcas americanas e o comércio priorizando produtos nacionais em resposta ao tarifaço de Trump
Brasília, 08 de agosto de 2025
A decisão do presidente Donald Trump de impor tarifas de 13% sobre produtos canadenses exportados para os Estados Unidos — inicialmente previstas em 25% — gerou revolta no Canadá.
O primeiro-ministro Mark Carney classificou a medida como “decepcionante“, e 71% dos consumidores do país já planejam reduzir compras de itens americanos em 2025, segundo reportagem da CNBC.
O boicote pode custar até 0,3% do PIB canadense, equivalente a US$ 90 bilhões, com impacto no turismo e no varejo.
Varejistas Canadenses Priorizam Produtos Locais
Na linha de frente da reação, supermercados como o Vince Market, de Giancarlo Trimarte, substituíram produtos dos EUA por alternativas nacionais.
Itens como frutas vermelhas e cítricas, difíceis de substituir, ainda mantêm espaço nas prateleiras, mas com identificação clara de origem.
A rede, que atende 30 mil clientes por semana em Toronto, reduziu de 70% para 30% a presença de produtos americanos, usando até aplicativos para rastrear procedência.
Marcas como Coca-Cola e Lysol reforçaram rótulos com “Made in Canada” para evitar rejeição.
Bebidas Americanas São as Mais Afetadas
Setores como o de vinhos e destilados sofreram o golpe mais duro: províncias canadenses retiraram bebidas dos EUA das prateleiras, e tarifas de 25% foram aplicadas a importações.
Giancarlo destacou que até batatas de marcas como Frito-Lay passaram a ser 100% canadenses para agradar clientes. “Eles exigem apoio ao produtor local“, explicou.
O Canadá é o segundo maior comprador de alimentos dos EUA, com US$ 28,4 bilhões em exportações em risco.
Efeitos Duradouros no Comércio Bilateral
Analistas alertam que as tarifas devem persistir enquanto Trump estiver no poder, prolongando o clima de retaliação.
Além do Canadá, países como México e nações da União Europeia também adotaram medidas similares.
Para Trimarte, a mudança no comportamento do consumidor é irreversível: “Isso vai além de política — virou identidade nacional“.








