Para a economista, a presença do presidente do Banco Central no programa Roda Viva, na segunda (13/2), cumpriu com um papel político, que também estaria vinculado ao seu trânsito no mercado financeiro
“É uma pessoa que tem seus méritos, e sem desmerecê-lo de forma alguma, ele é uma pessoa que trabalhou a vida inteira em tesouraria de banco. A visão de mundo, de país, é de um tesoureiro de banco”, avaliou, sobre o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a phd em economia e pesquisadora do PIIE (Instituto Peterson de Economia Internacional), Monica de Bolle, durante o UOL Entrevista desta terça-feira (14/2).
Ao avaliar a entrevista que Campos Neto deu ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (13/2), a economista diz que o gestor da autoridade monetária tem justificado a taxa de juros a 13,75% com base na visão que o mercado financeiro tem a respeito do tema.
A este exemplo, De Bolle cita a resposta dada pelo presidente do BC no programa, sobre o risco fiscal brasileiro, quando ele mencionou taxas de juros de longo prazo consideradas em títulos bancários, como o CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Segundo a economista, não há uma expectativa de trajetória de juros que seja utilizada de forma “oficial” pelo Banco Central:
“Os mercados de CDI [com vencimentos] de 5 e 10 anos não tem liquidez nenhuma. Qualquer taxa de juros vai estar valendo nesses horizontes para esses mercados“, explicou De Bolle, que também avalia que a presença de Campos Neto no Roda Viva cumpriu com um papel político, que também estaria vinculado ao seu trânsito no mercado financeiro.
“Do momento em que se apresentou numa entrevista com objetivos políticos, como fez no Roda Viva, ele não foi lá representando a institucionalidade Banco Central, foi representando seus interesses próprios”, disse.
Entre os interesses, ela citou um “abano de bandeira branca” ao presidente Lula (PT) devido a declarações críticas do petista à atual taxa de juros. Monica de Bolle também avaliou que o Presidente do Brasil está em seu direito de tecer críticas à condução monetária feita pelo Banco Central, considerando especialmente possíveis conflitos entre uma “visão excessivamente rígida” de Campos Neto e interesses econômicos do Brasil, como o crescimento.
Lula “tem o direito de questionar quem quer que seja, ele foi eleito para isso. Faz mais sentido ainda se o que ele tiver questionando for a falta de percepção de institucionalidade que pode estar presente no Banco Central”, afirmou De Bollel, que é doutora em Economia pela London School of Economics (LSE), pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, localizado em Washington, nos EUA, e professora adjunta na Escola de Estudos Avançados Internacionais da Universidade Johns Hopkins.
Monica De Bolle tem como foco de pesquisa temas macroeconômicos com especialização em Mercados Emergentes, em especial, o Brasil. Recentemente, ela integrou um manifesto de grupo de economistas que defende a queda da taxa de juros no país. A carta foi endereçada ao Banco Central.

A nomeação deste cidadão deveria ter encerrado juntamente com o do seu chefe incompetente.Da mesma maneira é a do PGR,que protegeu o desgoverno anterior de todos os crimes cometidos.
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