Relatório, que inclui vereadores, prefeitos, secretários, governadores, candidatos e ex-ocupantes de cargos públicos, aponta que a violência política tende a aumentar em períodos eleitorais, com foco em cargos locais devido à disputa mais personalizada e à relevância do Poder Executivo municipal como fonte de renda
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A campanha eleitoral de 2024 no Brasil registrou um recorde de 338 casos de violência política entre julho e setembro, com mais da metade sendo violência física, aponta um levantamento do Giel/Unirio (Grupo de Investigação Eleitoral da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), registrado no 19° (BOVPE) Boletim do Observatório da Violência Política e Eleitoral, que considera episódios de violência cometidos contra políticos com e sem mandato.
Em 2020, ocorreram 235 casos durante as eleições municipais. Neste ano, foram registrados mais casos de violência política do que 2022, com 263 episódios, principalmente entre eleitores de Jair Bolsonaro e Lula, diz Felipe Borba, professor da Unirio e coordenador do Giel.
Ele destaca que a violência tende a aumentar em períodos eleitorais, com foco em cargos locais devido à disputa mais personalizada e à relevância do Poder Executivo municipal como fonte de renda. No BOVPE estão incluídos vereadores, prefeitos, secretários, governadores, candidatos e ex-ocupantes de cargos públicos, diz matéria na Folha de S. Paulo.
O prefeito de Taboão da Serra, José Aprígio da Silva, foi um dos alvos, sobrevivendo a um ataque a tiros nesta sexta-feira (18/10). Dos casos reportados, 88 foram atentados, resultando em 55 sobreviventes e 33 mortos.
Segundo o texto, casos de violência contra eleitores não são contabilizados, com lideranças sem cargo sendo a maioria dos alvos (166) na campanha de 2024. Os grupos mais afetados incluem homens (71%), pessoas entre 40 e 59 anos (52%) e com ensino superior (61%). São Paulo, o estado mais populosos, lidera em casos de violência, totalizando 58 entre julho e setembro, afetando 25 partidos, com União Brasil, PT e MDB no topo da lista.
Segundo Borba, os dados dos anos anteriores devem ser analisados com cautela, pois a coleta, baseada principalmente na imprensa, foi aprimorada ao longo do tempo, e a violência política recebeu mais atenção e cobertura recentemente.
O assassinato de Marielle, os tiros contra a caravana do Lula e a facada no Bolsonaro colocaram a questão da violência em evidência, diz o coordenador do Giel. Recentemente, duas vereadoras, Tainá de Paula e Janaína Lima, relataram ataques a tiros em seus veículos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Tainá estava em seu carro quando homens atiraram, enquanto Janaína teve seu carro alvejado com seis tiros estacionado na frente da casa de uma familiar.
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