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Câmara aprova R$ 5 bilhões anuais em gastos com Defesa fora da meta fiscal até 2030

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    Presidente Lula
    Presidente Lula ao lado de comandantes das Forças Armadas durante a cerimônia que marcou o Dia do Exército 19.4.2024, em Brasília. Foto Ricardo Stuckert


    Deputados liberam até R$ 30 bilhões para Forças Armadas sem impacto no arcabouço fiscal, fortalecendo indústria nacional e projetos estratégicos do governo Lula



    Brasília, 03 de novembro 2025

    A Câmara dos Deputados aprovou, na segunda-feira (3/nov), o Projeto de Lei Complementar (PLP) 204/2025, que autoriza o governo federal a excluir até R$ 5 bilhões por ano de despesas com projetos estratégicos de defesa da meta de resultado primário e do limite de gastos do arcabouço fiscal.

    A medida, já chancelada pelo Senado Federal em 22 de outubro, segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vale de 2025 a 2030, totalizando potencialmente R$ 30 bilhões em recursos extras, segundo a Folha de S. Paulo.

    Relatado pelo deputado General Eduardo Pazuello (PL-RJ), o texto prioriza investimentos na Base Industrial de Defesa (BID), que reúne 1.140 empresas e responde por 4,78% do PIB nacional. Pelo menos 40% dos recursos devem ir para modernização das Forças Armadas, incluindo renovação de frotas aéreas, sistemas de defesa e o submarino nuclear brasileiro.

    Para 2025, o limite é de R$ 3 bilhões; em 2026, aplica-se o teto de R$ 5 bilhões menos o valor usado no ano anterior. Restos a pagar também ficam fora da meta, independentemente do exercício.

    A votação na Câmara registrou 360 votos favoráveis e 23 contrários, com apoio de PT e PL. O líder petista Lindbergh Farias (PT-RJ) defendeu a proposta como essencial para as Forças Armadas, mas uma emenda sua para destinar 10% à segurança pública foi rejeitada.

    Já o partido Novo, pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP), criticou a iniciativa como “contabilidade criativa” que fura o arcabouço fiscal e favorece gastos eleitoreiros.

    Pazuello argumentou que o projeto “fortalece a capacidade das Forças Armadas sem prejudicar o ajuste fiscal”, destacando: “Nenhuma nação se desenvolveu prescindindo de sua indústria de defesa. O Brasil não pode abrir mão disso.”

    O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, celebrou a aprovação como garantia de previsibilidade orçamentária para programas de longo prazo.

    Contexto Histórico: Exceções Fiscais e Pressões Orçamentárias

    Essa não é a primeira flexibilização fiscal para defesa. Desde a PEC da Transição em 2022, o governo Lula acumula R$ 337 bilhões em gastos fora das regras, incluindo R$ 145 bilhões para programas sociais e R$ 92 bilhões em precatórios.

    Projetos anteriores, como o PLN 39/2019 (R$ 3,1 milhões para o Ministério da Defesa) e PLN 24/2023 (R$ 892 milhões para integração regional e defesa), abriram créditos especiais sem impacto na meta.

    Em outubro de 2025, o Congresso já autorizara exceções que podem ultrapassar R$ 150 bilhões até 2026, somando precatórios, estatais e agora defesa.

    O Novo PAC destina R$ 60 bilhões ao Ministério da Defesa em 2025, mas restrições orçamentárias forçaram comandantes a pedirem R$ 2 bilhões extras em setembro.

    Com sanção iminente, o plano assegura autonomia tecnológica e empregos na BID, mas economistas alertam para erosão da credibilidade fiscal.

    O governo negocia contrapartidas, como reforma na Previdência militar, para aprovar o texto.

    A aprovação na Câmara ocorreu em sessão semipresencial, com plenário esvaziado.



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