Às vésperas das eleições, Instituição Financeira foca coincidentemente na parcela feminina do eleitorado que resiste em votar no presidente
A Caixa Econômica Federal anunciou nesta segunda-feira (12/9) a ampliação de medidas destinadas para mulheres. As ações incluem taxas de crédito mais baixas, pausa nos pagamentos de prestações em caso de maternidade ou adoção e isenção de parte das tarifas de produtos do banco público. A população feminina representa uma parcela do eleitorado na qual o presidente Jair Bolsonaro (PL) encontra resistência às vésperas das eleições de outubro, conforme publicado na Folha de S. Paulo.
Em desvantagem nas pesquisas, o presidente é visto como o candidato que mais ataca as mulheres e a democracia e o que mais mente na campanha, segundo o Datafolha. O instituto ouviu no levantamento 2.676 eleitores na quinta (8/9) e na sexta-feira (9/9). Quando os eleitores foram questionados sobre quem mais mente na eleição, 40% disseram Bolsonaro, ante ante 31% que responderam Lula. Citaram “todos” os candidatos 14%. A margem de erro máxima é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Os últimos ataques de Bolsonaro a mulheres datam de menos de 30 dias e são três: contra Gabriela Prioli, Simone Tebet e Vera Magalhães. No início do mês, o presidente compartilhou imagem com um print da revista ‘Veja’, em que Prioli diz o motivo pelo qual não o quer em seu programa, e escreveu: “Tabajara Futebol Clube diz por que não quer Neymar em seu time“.
Antes, no primeiro debate presidencial na Band TV, Bolsonaro atacou a jornalista e a candidata do MDB. “Acho que você dorme pensando em mim”, disse à Magalhães. “Não pude esperar outra coisa de você. Você tem alguma paixão em mim. Não pode tomar partido num debate como esse. Fazer acusações mentirosas a meu respeito. Você é uma vergonha para o jornalismo brasileiro”, declarou, e não respondeu à uma pergunta da jornalista.
Feito o ataque, Simone Tebet saiu em defesa da jornalista e acusou o presidente de atacar mulheres. Bolsonaro, então, passou a mirar Tebet: “A senhora é uma vergonha para o Senado, não vem com essa historinha de que eu ataco mulheres, de se vitimizar“.
Em 2019, a Justiça determiniu que Bolsonaro publicasse um pedido desculpas para a deputada Maria do Rosário (PT-RS) por tê-la chamado de “vagabunda”, quando ele ainda era deputado. O então parlamentar acrescentou que ela nem merecia ser estuprada porque era “muito feia” e não fazia “seu tipo”. Bolsonaro, já presidente, foi obrigado a cumprir retratação pública e indenizar Rosário por danos morais.
As ações da Caixa
Um evento marcou o aniversário de um mês do programa Caixa Pra Elas, lançado em agosto com a promessa de ações de acolhimento, orientação financeira e atendimento exclusivo para o público feminino em agências e outros canais do banco. A instituição indicou que, na modalidade pessoa física, as clientes que contratarem o CDC (Crédito Direto Caixa) terão 5% de desconto na taxa de juros. No consórcio para veículos leves, o desconto é de 10% sobre a taxa de administração.
O banco ainda anunciou medidas como a isenção de três meses na cesta de serviços da conta corrente, LCI (Letra de Crédito Imobiliário) com rentabilidade de até 1 ponto percentual a mais do que o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e Seguro Vida Mulher com isenção de pagamento em caso de câncer e indenização em caso de câncer de mama, ovário e útero. O plano é torná-las permanentes, embora o banco tenha sinalizado que as ações serão reavaliadas de forma constante.
A Caixa diz que, até o final de setembro, o público feminino também contará com a possibilidade de pausa no pagamento por quatro meses na linha CDC, nos contratos de renegociação e no Crédito Pessoal Energia Renovável. A condição será válida, segundo a instituição, em casos de maternidade ou adoção. Em contratos de financiamento imobiliário, será disponibilizado o pagamento parcial da prestação durante a licença maternidade (75% da parcela por seis meses), com incorporação do saldo devedor, se o contrato estiver inadimplente. Essa ação também deve ser implementada até o final de setembro. A instituição afirma que gestantes poderão ser beneficiadas com carência de até seis meses para o início do pagamento das prestações na concessão de crédito habitacional SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo).
