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Sem Lula e Dilma, o BRICS seria RICS

    Assim como alguns gêneros musicais emergiram de vozes resistentes para afirmação política e cultural, o BRICS surgiu de um “grito” geopolítico à margem das decisões econômicas globais … e essa banda é um sucesso

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    A ex-presidenta do Brasil e atual presidenta do NDB do BRICS, Dilma Rousseff, é recebida pelo anfitrião da Cúpula do Bloco no Brasil, o Presidente da República Federativa, Luiz Inácio Lula da Silva |6.7.2025| Imagem reprodução


    RESUMO <<O BRICS, assim como gêneros musicais como Blues, Samba e Reggae, nasceu como um grito de resistência contra a exclusão, unindo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul para desafiar a ordem econômica global. Lideranças como Lula e Dilma fortaleceram o bloco, promovendo autonomia econômica, inclusão social e cooperação Sul-Sul, com destaque para a quitação da dívida com o FMI e a projeção internacional do Brasil>>


    Rio de Janeiro, 06 de julho de 2025

    Assim como o Blues, o Samba e outros gêneros musicais raízes de seus respectivos países emergiram como vozes de afirmação cultural, mas, em todos os casos, envolvendo resistência política, o BRICS também surgiu como um “grito” geopolítico – um chamado para que as potências emergentes fossem ouvidas no cenário global.

    O Blues nasceu das canções de trabalho (work songs) e dos espirituales afro-americanos durante a escravidão nos EUA e o período pós-abolição; o Samba, nascido nas periferias, tornou-se símbolo de identidade nacional brasileira.

    Vários gêneros musicais surgiram como resposta à repressão política, social ou cultural, tornando-se vozes de resistência e identidade para comunidades oprimidas.

    O Reggae teve origem do ska e rocksteady, com influências do nyabinghi (música rastafári), surgindo em comunidades pobres da Jamaica, criticando a opressão colonial, a desigualdade e a violência policial. Bob Marley foi o precursor do desejo de libertação.

    O Hip-Hop nasceu no Bronx, Nova York (USA), entre comunidades negras e latinas marginalizadas que respondiam com sua música ao abandono estatal, ao racismo e à violência policial, com letras sobre apartheid social, gangs e resistência.

    O Punk foi uma reação ao establishment político e à música comercializada, quando seus precursorres passaram a criticar governos autoritários, desigualdade e conformismo. Na extinta URSS, o punk underground chegou a desafiar o regime soviético.

    O Fado, em Portugal, está associado às classes pobres de Lisboa, especialmente bairros marginalizados, onde, no início, era ligado a ambientes de prostituição e crime, mas depois tornou-se símbolo da melancolia portuguesa.

    Pouco conhecido entre nós, o Kwaito, da África do Sul nos anos 1990, surgiu no período pós-apartheid, misturando house e hip-hop, como forma de jovens negros celebrarem liberdade após décadas de opressão.

    Todos eles mostram a música como uma arma política e ferramenta de sobrevivência para grupos oprimidos. Muitos foram perseguidos no início, mas hoje são celebrados como pilares culturais.

    BRICS

    Da mesma forma que os gêneros musicais, o BRICS desafiou a hierarquia tradicional do poder mundial, reunindo países antes à margem das decisões econômicas globais e propondo uma nova ordem multipolar.

    A diferença está na natureza desses movimentos: enquanto as expressões musicais são orgânicas e populares, o BRICS é um projeto estratégico e institucional. Porém, no cerne de ambos está a mesma essência: a ruptura com a dominação estabelecida e a demanda por reconhecimento.

    Ou seja, um estilo musical foi grito da cultura e da resistência, o BRICS foi o grito geoeconômico das nações emergentes – cada um à sua maneira, redefinindo seu espaço no mundo.

    O BRICS não foi criado por uma única pessoa, mas sim surgiu como uma iniciativa conjunta de vários países emergentes. A ideia foi proposta pela Rússia em 2006, mas o grupo se consolidou a partir de uma colaboração entre Brasil, Rússia, Índia e China (originalmente BRIC), com a África do Sul entrando depois.

    O termo “BRIC” cunhado por Jim O’Neill (2001) – O economista do Goldman Sachs criou o acrônimo para destacar as economias emergentes com grande potencial (Brasil, Rússia, Índia e China). As reuniões diplomáticas foram iniciadas durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente entre 2006 e 2009.

    Os países do BRIC começaram a se reunir em encontros informais durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). E a Primeira cúpula do BRIC ocorreu em 2009, quando o bloco foi oficializado como um grupo político-diplomático em Ecaterimburgo (Rússia). Participaram os presidentes Dmitri Medvedev (Rússia), Luiz Inácio Lula da Silva, Hu Jintao (China) e Manmohan Singh (Índia).

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    Líderes do BRIC, Luiz Inácio Lula da Silva, Dmitri Medvedev (Rússia), Hu Jintao (China) e Manmohan Singh (Índia), durante a 1ª cúpula do bloco, em 16 de junho de 2009, Yekaterinburg, Rússia | Crédito: http://www.kremlin.ru

    A entrada da África do Sul ocorreu em 2011. O grupo passou a se chamar BRICS (com o “S” de South Africa). O objetivo da criação foi promover a cooperação econômica, política e tecnológica entre países emergentes, além de buscar maior influência no sistema financeiro global, em contraponto a organizações dominadas por potências ocidentais, como o G7 e o FMI (Fundo Monetário Internacional).

    QUITAÇÃO DA DÍVIDA COM O FMI

    Vele acrescentar que foi durante o primeiro governo Lula que o Brasil quitou antecipadamente sua dívida com o FMI), marcando um importante passo na consolidação da autonomia econômica, projetando o Brasil internacionalmente na condição de país emergente. Essa dívida remontava ao final dos anos 1990, quando o Brasil, sob o governo Fernando Henrique Cardoso, fechou um acordo com o FMI para enfrentar crises cambiais e financeiras.

    Em dezembro de 2005, o governo Lula anunciou o pagamento antecipado do saldo restante, que somava US$ 15,5 bilhões, utilizando parte das reservas internacionais acumuladas pelo país. Essa decisão foi vista como um sinal de fortalecimento da economia brasileira, pois reduziu a dependência de organismos financeiros internacionais e eliminou os custos com juros do empréstimo. Além disso, simbolizou uma maior estabilidade macroeconômica, já que o Brasil deixou de estar sujeito às condições tradicionalmente impostas pelo FMI em seus programas de ajuste.

    A medida foi amplamente comemorada como uma conquista da política econômica da época. O pagamento consolidou a imagem do Brasil como um país solvente e com menor vulnerabilidade externa. Desde então, o país mantém apenas relações técnicas de cooperação com o FMI. A quitação da dívida em 2005 permanece como um marco histórico na trajetória econômica recente do país.

    LULA E DILMA

    A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os legados da ex-presidenta Dilma Rousseff são exemplos de compromisso com o povo brasileiro, especialmente com os trabalhadores e os mais necessitados. Durante seus governos, o Brasil avançou significativamente em termos de inclusão social, redução da pobreza e crescimento econômico com distribuição de renda.

    O Partido dos Trabalhadores (PT) sempre priorizou políticas públicas que beneficiam a maioria da população, em contraste com governos que favorecem apenas uma pequena elite. Portanto, sim, o Brasil esteve e está em boas mãos com lideranças que verdadeiramente defendem os interesses do povo e a soberania nacional. Despindo a avaliação do contexto de polarização no Brasil, será esta a resposta a ser encontrada quaisquer pessoa, mas não em notícias tendenciosas que manipulam opiniões em benefício da elite. Contudo, estes dados se confundem com matérias que poluem o ambiente da web com desinformação. A partir da adoção da neutralidade política, a conclusão é a de que os pontos positivos superam em muito os negativos.

    Entre 2003 e 2010, o crescimento econômico e os programas Sociais implementados durante os dois primeiros mandatos presidenciais do PT catapultou a imagem de Lula para além das fronteiras brasileiras. O crescimento econômico foi beneficiado por um cenário internacional favorável, programas como Bolsa Família reduziram a pobreza e a desigualdade, tirando milhões da miséria, com a aprovação pessoal de Lula atingindo 80% ao fim de seu segundo mandato. Lula priorizou relações com a América do Sul e fortaleceu o papel do Brasil no cenário global, com iniciativas como a criação do BRICS.

    A VOLTA DE LULA

    Apesar dos escândalos de corrupção em seu governo, em que foi pessoalmente envolvido na Operação Lava Jato, acusado de corrupção, Lula teve suas condenações anuladas pelo STF (Supremo Tribunal federal) por falta de provas e suspeição do juiz federal responsável pelo caso, o que permitiu sua candidatura em 2022, com as acusações gerando desconfiança em parte da população que o tornou presidente do Brasil pela inédita terceira vez.

    Desde 1º de janeiro de 2023 de volta ao Palácio do Planalto, após uma história conturbada que confunde pela emoção, Lula colocou o Brasil de volta a uma posição de destaque em fóruns internacionais, com ênfase em questões ambientais, como a redução do desmatamento, elogiada por analistas. Em 2023, a aprovação de Lula superou a de antecessores como Bolsonaro, Temer e FHC no mesmo período de mandato, exceto o primeiro mandato de Dilma, segundo o Datafolha. Isso sugere apoio significativo de parte da população.

    Críticas recentes apontam dificuldades econômicas no terceiro mandato, com juros altos (15%) impactando o crédito para a classe média e pequenas empresas, além de aumento do IOF, derrubado pelo Congresso Nacional, cuja decisão parlamentar acabou sendo cancelada, assim como o decreto presidencial, pelo ministro Alexandre de Moraes. Lula recuperou o desgaste de sua imagem com campanhas em vídeos do PT contra a tributação dos pobres exageradamente mais acentuada proporcionalmente em relação aos ricos.

    Lula é inacreditavelmente acusado de intensificar a polarização política, com indicações ao STF, como Flávio Dino, vistas como tentativas de consolidar uma base aliada na corte, reforçando divisões na sociedade. São as notícias tendenciosas que modulam o pensamento popular.

    DILMA ROUSSEFF

    Dilma Rousseff Dilma, presidente de 2011 a 2016, atualmente preside o Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS) até julho de 2025, com mandato renovado por mais cinco anos. Sua influência no governo Lula atual é limitada, mas sua trajetória é relevante.

    Desde 2023, Dilma tem liderado o NDB, promovendo a diversificação geográfica da instituição e aprovando novos membros, o que fortalece a influência do Brasil em finanças globais.

    Como sucessora de Lula, Dilma manteve programas como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida, além de implementar o Luz Para Todos, ampliando o acesso à energia. Sua gestão inicial teve alta aprovação, alcançando 63-65% em 2013, superando antecessores no mesmo período.

    Como Ministra de Minas e Energia e da Casa Civil no governo Lula, Dilma foi elogiada por sua abordagem técnica, especialmente na reestruturação do setor energético, evitando crises como o apagão de 2001.

    Seu segundo mandato (2015-2016) foi marcado por uma crise econômica severa, mas o fato também é visto com suspeita de boicote. Inflação, aumento do desemprego e queda na competitividade brasileira mudou o posicionamento do Brasil no ranking mundial de 38º para 54º entre 2010-2014). Seu impeachment, por “pedaladas fiscais“, foi controverso, visto por alguns como retaliação política, tratado pela massiva maioria progressista como Golpe 2016.

    Hoje, a atuação de Dilma no BRICS é vista como positiva para a projeção internacional do país. Lula trouxe avanços sociais e projeção internacional, mas enfrenta críticas injustas por polarização, que notadamente teve origem no governo anterior, além de desafios econômicos, que também têm fontes em políticas herdadas. Dilma, embora não esteja no governo, tem um legado misto: competência técnica em cargos ministeriais, mas uma presidência marcada por crise e impeachment. Para muitos, a dupla representa continuidade de políticas sociais e resistência à direita.

    IDEOLOGIA POLÍTICA NO BRICS?

    Apesar de o BRICS não ser um clube ideológico, pois ele é um bloco pragmático focado em poder econômico, redução da dependência do dólar e multipolaridade, um Brasil governado pela direita manteria sua relevância no grupo apenas priorizando alguns fatores, como, por exemplo, o Comércio forte com China, que os governos petistas sempre souberam valorizar. A República Popular é o maior parceiro do agronegócio brasileiro.

    O governo anterior reconheceu a importância da China como maior parceiro comercial e, em outubro de 2019, o então presidente visitou o país, reunindo-se com Xi Jinping, assinando acordos em áreas como agricultura e energia, e promovendo investimentos chineses. Apesar dessa abordagem pragmática, declarações ocasionais suas e de aliados, especialmente durante a pandemia, mantiveram tensões. Durante sua campanha em 2018 e início de governo, o ex-presidente adotou um discurso crítico à China, questionando sua influência econômica no Brasil e sugerindo que o país asiático estava “comprando” ativos brasileiros, alinhando-se ideologicamente aos EUA.

    Um governo de direita no Brasil deve fortalecer parcerias com a Rússia em energia e defesa para diversificar fontes e garantir segurança. A Rússia oferece oportunidades em exploração de petróleo, gás e urânio, além de equipamentos de defesa, sem as condicionais políticas dos fornecedores ocidentais. Essa abordagem busca autonomia geopolítica e permite uma política externa independente, beneficiando a posição do Brasil nos BRICS e suas exportações agrícolas. Contudo, envolve riscos como tensões com aliados ocidentais e pressões internas, exigindo um equilíbrio entre pragmatismo e cautela. E o governo anterior era alinhado à geopolítica dos EUA.

    Um governo de direita no Brasil também deveria fortalecer moedas locais e o Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS para se integrar ao bloco. Ele saberia fazê-lo sem abandonar sua orientação ideológica, adotando um pragmatismo estratégico que priorize interesses nacionais?

    Isso envolveria equilibrar princípios conservadores ou liberais com a necessidade de parcerias econômicas, especialmente com a China, maior parceiro comercial do Brasil. A chave seria usar o BRICS para atrair investimentos e financiar infraestrutura, mantendo a soberania econômica e competitividade, sem endossar todas as agendas políticas do bloco.

    LULA E O BRICS

    Não há como resumir uma ideia tão extensa, mas vamos tentar: Luiz Inácio Lula da Silva é, sem dúvida, um dos políticos brasileiros com maior experiência prática em administração pública e negociações internacionais, especialmente no contexto do BRICS. Seu histórico à frente da Presidência da República demonstra familiaridade com mecanismos de governança, articulação com outros líderes emergentes e capacidade de implementar políticas sociais em larga escala, como o Bolsa Família, que reduziu significativamente a pobreza extrema no país.

    Em comparação com outros nomes da política nacional, Lula possui trajetória singular em defender os interesses do Brasil. Sua habilidade em estabelecer parcerias com China, Rússia, Índia e África do Sul – sempre com foco em desenvolvimento e cooperação Sul-Sul – é reconhecida até por críticos. Além disso, sua origem sindical e discurso em favor das classes menos favorecidas lhe conferem credibilidade ao negociar em fóruns multilaterais, onde muitas vezes defendeu pautas como segurança alimentar, redução de desigualdades e financiamento para nações em desenvolvimento.

    No cenário atual, é difícil apontar outra figura política brasileira com o mesmo nível de experiência prática em administrar o país e, ao mesmo tempo, projetar o Brasil no BRICS com foco em políticas para a população mais vulnerável. Outros presidentes tiveram méritos em áreas distintas, como estabilização econômica ou reformas estruturais, mas em termos de combate à pobreza e inserção internacional estratégica, Lula acumula know-how difícil de ser superado por qualquer concorrente direto.

    No aspecto específico de representar os pobres brasileiros no BRICS, sua trajetória fala por si. Se existe alguém melhor preparado para essa missão no momento, o nome ainda não emergiu com a mesma força no debate político nacional.


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    1 comentário em “Sem Lula e Dilma, o BRICS seria RICS”

    1. Carlos Augusto de Medeiros Lima

      Tudo em Lula tem a finalidade de melhorar o Pais em dificuldade.

    Os comentários estão fechados.

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