Governo federal planeja taxar gigantes digitais americanas em resposta a ameaça de tarifa de 50% imposta pelos EUA, buscando proteger economia e soberania
Brasília, 25 de julho de 2025
O governo brasileiro, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), está preparando uma estratégia ousada para enfrentar a ameaça de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente americano Donald Trump, com início previsto para 1º de agosto.
A proposta, elaborada pela equipe econômica, inclui a criação de uma Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) com alíquota de 3% sobre serviços de publicidade digital, mirando gigantes como Meta, Alphabet (Google) e X.
A medida visa apenas empresas de alto faturamento, evitando impacto em pequenos negócios, e faz parte de um plano de contingência para proteger a economia brasileira sem adotar retaliações diretas, informa o Estadão.
A ideia de taxar big techs não é nova, mas foi retomada com urgência após Trump intensificar a guerra comercial, justificando as tarifas com críticas ao Brasil, incluindo o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra plataformas americanas.
O governo Lula vê a tributação como uma questão de soberania, defendendo que lucros obtidos por essas empresas no Brasil sejam parcialmente compartilhados, alinhando-se ao Pilar 1 da OCDE, que busca taxar multinacionais digitais nos países onde operam.
Apesar disso, o Planalto prefere negociar com os EUA, projetando uma postura diplomática para evitar escaladas na crise.
A proposta brasileira se inspira em modelos internacionais, como os impostos digitais de 3% aplicados na Espanha e no Canadá, embora o governo canadense tenha suspendido sua taxa após pressão dos EUA.
No Brasil, além da Cide, há um projeto de lei do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) que sugere uma Contribuição Social Digital de 7% para financiar infraestrutura tecnológica. Esses projetos, no entanto, não devem ser usados diretamente nas negociações com Trump, que já demonstrou apoio às big techs, presentes em peso em sua posse.
A estratégia brasileira é vista como uma resposta calculada, mas enfrenta desafios devido à resistência americana em abrir canais formais de diálogo.
Com o prazo para as tarifas se aproximando, o Brasil aposta na diplomacia, liderada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que já se reuniu com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, para buscar uma solução “ganha-ganha“.
Enquanto isso, setores como agronegócio e indústria, que exportam café, suco de laranja e aviões, temem perdas bilionárias.
A tributação das big techs surge como uma carta na manga para pressionar os EUA sem prejudicar diretamente os consumidores brasileiros, mas o sucesso depende de negociações delicadas em um cenário de alta tensão política e econômica.








