A OMS (Organização Mundial da Saúde) listou, nesta segunda-feira (13), seis critérios para países que queiram adotar a flexibilização da quarentena. Um deles é a necessidade de a transmissão local estar controlada e de haver capacidade no sistema de saúde para detectar, testar, isolar e tratar os infectados pela covid-19. Somente por este item o Brasil já está fora. Mandetta disse ontem, no Fantástico, que os testes só serão realizados em profissionais de Saúde que lidam diretamente com a doença. A orientação da OMS ao Brasil é para que o isolamento social seja cumprido objetivando a minimização do surto.
Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS

Testes em massa, isolamento e tratamento dos contaminados, além de higiene das mãos e engajamento das comunidades fazem parte das medidas estratégicas para as nações que desejam uma flexibilização para a volta gradativa à normalidade. O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, declarou ontem em entrevista no programa da Globo, Fantástico, que testes somente serão disponibilizados para profissionais da Saúde, o que despersonifica o Brasil em sua intenção de reduzir a quarentena.
“Você não pode substituir uma quarentena por ‘nada’. Você precisa substituir a quarentena por (ter) uma comunidade profundamente educada, comprometida e engajada“, recomendou o chefe de emergências da OMS, Michael Ryan. “Teremos de ter esses comportamentos adaptados em termos de higiene pessoal e distanciamento físico por um longo tempo“.
A agência orienta para a adoção de uma nova forma de vida em que são necessários engajamento, conscientização e implementação de medidas preventivas em locais públicos, além de cuidados especiais nas fronteiras. A OMS acrescenta que enquanto o mundo não tiver uma vacina a globalização será sempre um risco para que o ressurgimento da doença ocorra em países que a tenham controlado.
Sobre a cloroquina, defendida por Bolsonaro, a entidade voltou a afirmar que não há evidências científicas de que tratam o coronavírus: “A comunidade médica e científica está levando a sério o potencial da hidroxicloroquina e da cloroquina mas não há evidências empíricas e nem evidências de testes. Os médicos estão sendo cautelosos ao olhar os efeitos colaterais e estamos aguardando os resultados dos testes“, disse Ryan.
Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, alertou que a flexibilização da quarentena só pode ocorrer em países que têm medidas corretas de saúde pública em vigor, com capacidade significativa de rastreamento de pessoas que entraram em contato com pacientes contaminados. Para estes países, que não é o caso do Brasil, “as medidas de controle de circulação devem ser tiradas lentamente e com cuidado. Não pode acontecer de uma só vez“, disse.
“Enquanto alguns países estão pensando em como aliviar as restrições, outros estão pensando em introduzi-las, especialmente países de baixa e média renda na África, Ásia e América Latina“, ressaltou o diretor da OMS que também citou que o coronavírus é 10 vezes mais mortal que o vírus responsável pela gripe H1N1 e que se propaga mais rápido, e que cada governo deve proteger todos os seus cidadãos.
A disponibilização completa oficial dos critérios para flexibilização da quarentena será divulgada pela OMS nesta terça-feira (14).
Com informações do Estadão

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