O estadista convocou parceiros globais a contribuírem com o Tropical Forests Finance Facility (TFFF), que será lançado oficialmente em Belém – ENTENDA
Brasília, 24 de setembro de 2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um anúncio histórico durante a 80ª Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (23/set), ao confirmar que o Brasil investirá US$ 1 bilhão no Tropical Forests Forever Facility (TFFF), o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre.
A iniciativa, idealizada pelo governo brasileiro e apresentada inicialmente na COP28 em Dubai, será lançada oficialmente na COP30, em Belém (Pará), em novembro, marcando um marco na agenda climática global com perspectiva do Sul Global.
Lula, em seu discurso na sessão de abertura do evento promovido pelo Brasil e pelo secretariado da ONU, enfatizou a liderança brasileira ao declarar: “O Brasil vai liderar pelo exemplo e se tornar o primeiro país a se comprometer com investimento no fundo de US$ 1 bilhão”.
Ele convidou líderes de mais de 40 nações, incluindo representantes de países como Colômbia, Gana, República Democrática do Congo, Indonésia e Malásia, a apresentarem “contribuições igualmente ambiciosas” para operacionalizar o fundo na conferência amazônica.
O TFFF, apoiado inicialmente por potenciais investidores como Alemanha, Emirados Árabes Unidos, França, Noruega e Reino Unido, visa reunir até US$ 25 bilhões até a COP30, com projeções de gerar US$ 4 bilhões anuais em pagamentos por preservação.
A ministra do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou em Nova York que o mecanismo representa uma “oportunidade transformadora” para mais de 70 países em desenvolvimento que abrigam cerca de 1,1 bilhão de hectares de florestas tropicais.
Os beneficiários receberão até US$ 4 por hectare preservado, condicionado a manter o desmatamento abaixo de 0,5% ao ano, monitorado por satélite.
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Diferente de créditos de carbono, o TFFF opera como um fundo misto, com dividendos repartidos anualmente entre investidores e nações conservadoras, promovendo conservação, uso sustentável e justiça social.
“O TFFF não é caridade, é um investimento na humanidade e no planeta, contra a ameaça de devastação e do caos climático”, reforçou Lula.
A escolha de sediar a COP30 no coração da Amazônia reflete a urgência de centralizar o debate climático na preservação desses biomas, que regulam o clima global, armazenam carbono e sustentam a biodiversidade.
Especialistas, como André Guimarães, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), enviado especial da sociedade civil para a conferência, apontam que o fundo pode triplicar os recursos concessionais atuais para florestas tropicais, impactando positivamente a produção de alimentos – 50% do consumo global depende das chuvas irrigadas por esses ecossistemas.
O anúncio gerou repercussão imediata na imprensa internacional. China e da Alemanha classificaram o TFFF como “iniciativa revolucionária”, com potencial de atrair US$ 100 bilhões do setor privado.
A Bloomberg Law, citada no contexto de financiamento verde, analisou o TFFF como complemento essencial aos pagamentos por redução de emissões, reforçando a mobilização para nações em desenvolvimento.
A notícia sinaliza um avanço concreto na diplomacia climática, com o Brasil posicionando-se como protagonista. No entanto, desafios persistem, como atrair adesões firmes de grandes emissores, para que o TFFF não fique isolado na agenda da COP30.







