População de 203 milhões de habitantes hoje subirá para 220 milhões até 2042, quando começará a cair até chegar a penas199,2 milhões de indivíduos em 2070, diz projeção do IBGE
O Brasil tem, atualmente, 203 milhões de brasileiros e a população continuará a crescer até o ano de 2042, alcançando 220 milhões de pessoas. Mas um ano depois, em 2041, o país sofrerá um déficit demográfico, com a quantidade de gente retrocedendo progressivamente, devido a mais mortes do que nascimentos, até registrar 199,2 milhões de indivíduos daqui a 46 anos, em 2070, diz uma projeção do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada nesta quinta-feira (22/8).
O IBGE usou os dados do Censo de 2022. A queda da taxa de fecundidade entre o ano 2000 e 2023 caiu de 2,32 filhos para 1,57 filho por mulher, quando o número mínimo para garantir a reposição da população é de 2,1 filho.
A queda se deve ao aumento da idade média com que as mulheres têm filhos, que era com 25,3 anos em 2000, quando ocorreram cerca de 3,6 milhões de nascimentos por ano, e passou para 27,7 anos e 2022, com 2,6 milhões, sendo que deverá ser de 31,3 anos em 2070, com apenas 1,5 milhão.
Outro dado que contribuirá para o déficit demográfico será o aumento da expectativa de vida do brasileiro, que sai de 72,1 anos no caso dos homens e 78,8 anos no das mulheres para 81,7 anos e 86,1 anos em 2070, respectivamente. Com isso, a média da idade de um indivíduo sobre de 34,8 anos para 51,2 anos daqui a 46 anos.
A diminuição do povo do Brasil já começa em 2027, nos estados do Rio Grande do Sul e Alagoas, em em 2028 no Rio de Janeiro, que registrarão o evento da migração de moradores para outras unidades federativas, diz o estudo.
O único estado brasileiro que não vai diminuir até 2070 é Mato Grosso, pois o estado ainda possui uma taxa de fecundidade mais alta, de 1,98, ante 1,57 na média do país, e um fluxo significativo de pessoas mudando para lá, diz um especialista do Instituto.
Segundo projeções do IBGE, São Paulo continuará sendo o estado mais populoso do Brasil, seguido de Minas Gerais e Rio de Janeiro, mas Roraima vai passar o Amapá, enquanto o Rio Grande do Sul passará a ser o estado menos populoso de sua Região, pois a quantidade de gente em Santa Catarina será maior.
O Ceará passará a ser o segundo estado mais populoso da Região Nordeste, quando terá ultrapassado Pernambuco e Mato Grosso deixará de ser o 16º estado mais populoso para ser o 13º.
Dados do Censo 2022 revelaram que o número de brasileiros será mais feminino e mais velho. Em 2010, a média de idade era de 29 anos e em 2022 era de 35 anos, significando que metade da população tem até 35 anos, e a outra metade é mais velha que isso. Há cerca de 104,5 milhões de mulheres, 51,5% do total de brasileiros.
Além disso, 1,3 milhão de pessoas se identificam como quilombolas (0,65% do total) e o número de indígenas cresceu 89%, para 1,7 milhão, em relação ao Censo de 2010, o que é explicado pela mudança no mapeamento e na metodologia da pesquisa para os povos indígenas, permitindo identificar mais pessoas.
A pesquisa demográfica do IBGE também mostrou que o Brasil tem mais templos religiosos do que hospitais e escolas juntos. O Brasil tinha, em 2022, 49 milhões de pessoas vivendo em lares sem descarte adequado de esgoto.
Esse número equivale a 24% da população brasileira. Já a falta de um abastecimento adequado de água atingia 6,2 milhões de brasileiros. Mais da metade dos 203 milhões de brasileiros – 54,8% – mora a até 150 km em linha reta do litoral.
